Corante natural retorna em marcas preocupadas com sustentabilidade
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Corante natural retorna em marcas preocupadas com sustentabilidade

Camila Luz em 19 de outubro de 2016
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A maioria das peças comercializadas hoje são tingidas de forma sintética. Mas nem sempre foi assim. O corante natural só foi substituído quando o primeiro corante artificial foi feito a partir da síntese química do anil, entre a segunda metade do século 19 e o início do século 20. Hoje, marcas que prezam pela sustentabilidade estão resgatando o tingimento natural para trazer técnicas milenares ao contexto atual

Uma dessas marcas é a brasileira Flavia Aranha, “preocupada com o desenvolvimento sustentável da moda e do meio em que está inserida”. Todos os produtos, como blusas, vestidos, casacos e acessórios, são tingidos com corantes naturais de origem renovável, como cascas de árvore, frutos, folhas e raízes.

“Corantes naturais são cores provenientes de plantas tintóreas tais como folhas, raízes, cascas e flores”, explica Flavia. “Também existem corantes provenientes de insetos, líquens e alguns moluscos”.

O corante natural pode gerar cores vibrantes e duráveis

A designer explica que o processo de tingimento natural não necessariamente é sustentável. No passado, quando existia apenas o corante natural, cores como muitos dos vermelhos reais eram fixados com metais pesados como o cromo.

“Já receitas milenares e ancestrais ainda encontradas em lugares como Peru, África e Índia utilizam apenas fixadores naturais para obtenção de cores belíssimas e intensas”, diz.

No tingimento natural, a cor não é considerada um número, um Pantone. A perspectiva é outra. “Nem todo amarelo é verdejo da laranja. É preciso ter um conhecimento mais plural sobre cada planta. Conhecimentos em biologia, botânica, química, geografia e história são necessários para entender como as cores naturais se comportam”, completa.

Esses conhecimentos permitem tingir tecidos com cores duráveis, vibrantes e belas. Há quem diga que corantes naturais têm menor durabilidade e dão origem sempre a cores claras e mais apagadas. Mas Flavia explica que podem durar muitos anos se forem cuidados como foram produzidos: de forma natural, atenciosa e cuidadosa. “Sabão neutro, secagem e sombra, por exemplo, são cuidados necessários para conseguirmos manter nossas roupas por mais tempo”, explica.

Em museus como o Victoria and Albert, em Londres, estão expostos fragmentos têxteis com corantes naturais milenares. Isso prova que o tingimento natural pode atravessar séculos mantendo cores vivas.

“Quanto a gama de cores, é possível obter azuis lindos com o índigo, vermelhos intensos com o pau-brasil e a rubia e amarelos brilhantes com cúrcuma”, diz a designer.

No entanto, Flavia alerta que para produzir belas peças a partir do corante natural de forma sustentável, é preciso entender limites éticos e ambientais.  Assim, é possível decidir quais matérias primas e fixadores fazem mais sentido no contexto de cada produção.

Dentro do olhar da sustentabilidade, deve-se entender que homem e natureza vivem relação de interdependência. Por isso, é preciso buscar conhecimento com povos e tradições e estudar cada tecido e material.

Por que, então, o tingimento natural foi sumindo com o tempo?

Processos artesanais foram sumindo com o tempo. Hoje, são substituídos pela lógica do fast fashion, que prega produção e consumo acelerados. Quanto mais, melhor.

material usado para tingir os tecidos

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“Assim como processos artesanais, o uso do corante natural foi rapidamente substituído pelo sintético seguindo o ritmo do desenvolvimento capitalista sob a perspectiva de reduzir custo, aumentar produtividade e controlar resultados”, opina Flavia. “Nosso pensamento é sintético e cartesiano. Talvez seja por isso que as cores naturais foram tão rapidamente esquecidas”, completa.

No entanto, o corante natural está retornando, acompanhado do resgate de técnicas ancestrais combinados com estudos e pesquisas científicas que pretendem aprimorar o método. “Estão pipocando pelo mundo todo iniciativas como a nossa, e isso é extremamente importante para a ressiginificação dessas técnicas no contexto contemporâneo”, finaliza.

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