Como o desmatamento na Amazônia afeta as chuvas nas florestas
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Como o desmatamento na Amazônia está afetando as chuvas nas florestas

Pedro Katchborian em 7 de março de 2017

Além de interferir no habitat natural de diversas espécies, o desmatamento traz outros malefícios para o meio ambiente. Um deles é o ciclo de chuva do local desmatado. O fato foi comprovado por pesquisadores dos Estados Unidos. Um estudo feito pela Universidade de Princeton e publicado pela Nature Climate Change analisou 30 anos de dados de Rondônia, no Brasil, estado que já perdeu mais de 50% de suas florestas.

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Segundo a pesquisa, áreas desmatadas recebem uma quantidade diferente de chuva — chove mais de um lado do que o outro, de acordo com a direção do vento. Ainda segundo o estudo, essa mudança do ciclo de chuvas pode trazer consequências para a região.

Liderado pela física Jaya Khanna, o grupo observou informações de satélite e cruzou as medições feitas em campo com modelos de computador. O estudo aponta que o sudeste de Rondônia está 25% mais seco nos meses de estação seca na Amazônia, enquanto o noroeste teve um aumento equivalente nas chuvas nas últimas três décadas.

A pesquisa mostrou que o desmatamento muda a precipitação no estado. Enquanto a chuva tradicional amazônica é trazida pelo Atlântico e reciclada pela evaporação das próprias árvores, a chuva do local desmatado é empurrada pelo vento sobre a área desmatada. Ou seja, a barlavento (vento abaixo) chove mais e o sotavento (vento acima) é mais seco.

O grande problema, no entanto, é o volume desse desmatamento. Antes, os pequenos desmatamentos aumentavam a chuva, mas a situação ficou caótica nos últimos tempos: os mais de 200 quilômetros de extensão desmatados desfavoreceu a umidade que evaporava da floresta remanescente.

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“É um mecanismo semelhante, mas não equivalente, ao que acontece quando o mar bate num rochedo na praia”, diz Khanna. Segundo ela, a diferença de altura entre os dois tipos de vegetação – a floresta alta e o pasto baixo – faz com que o ar suba, o que causa o aumento da nebulosidade e da precipitação no noroeste do Estado na estação seca. “O oposto, o afundamento do ar e uma redução nas nuvens e na precipitação é esperado no sudeste – algo similar, mas não equivalente, a uma cachoeira”, explica.

O estudo é relevante para compreender a maneira que o desmatamento afeta a chuva, sendo possível entender como esse processo ocorre em outros estados, como no Mato Grosso. Pablo Artaxo, cientista da USP, comentou o estudo, também na Nature Climate Change. “Entender o mecanismo desses processos é chave para o Brasil. Por exemplo: o meio-oeste brasileiro vai ter a mesma produtividade de soja?”, diz.

Khanna comentou que essa mudança da precipitação pode trazer outras graves consequências para o meio ambiente. “O aumento de 25% no noroeste (ou queda no sudeste) da Rondônia desmatada pode ter consequências para a vegetação nessas regiões, seja pasto ou floresta, e pode resultar em mudanças na vegetação dominante e no tipo e frequência dos incêndios no sudeste”, afirma.

Desmatamento diminuiu no mesmo período do ano passado

Segundo o Observatório do Clima, não são só notícias ruins. A velocidade do desmatamento caiu 82% de dezembro de 2016 a janeiro de 2017, comparado com o mesmo período do ano anterior.

A informação é do Imazon (Instituto do Homem e Homem e Meio Ambiente da Amazônia). Entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016 foram 227 quilômetros quadrados desmatados, contra 42 quilômetros no período mais recente. Apesar disso, desde agosto de 2016 — que é quando se mede o desmatamento –, já foram 1261 quilômetros quadrados de floresta desmatados.

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