Dia da Terra: estaríamos no antropoceno, uma nova época geológica?
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Dia da Terra: estaríamos no antropoceno, uma nova época geológica?

Pedro Katchborian em 22 de abril de 2017

No dia 22 de abril comemora-se o Dia da Terra, uma data criada em 1970 para gerar conscientização sobre o impacto ambiental em nosso planeta. Outro fator que pode fazer muita gente abrir os olhos para a maneira que tratamos a Terra é uma proposta para a mudança da época geológica: estamos há 12 mil anos no holoceno e alguns cientistas querem formalizar uma nova época: o antropoceno — representada pela ação do homem no meio ambiente.

Em setembro de 2016, no 35º Congresso Geológico Internacional, cientistas debateram uma possível nova época que precede o holoceno, chamada de antropoceno. A divisão dessas eras não é feita de maneira aleatória: a mudança de cada período representa transformações notáveis na composição das camadas de rochas, na distribuição de fósseis e diferenças significativas no clima. O holoceno, por exemplo, representa um tempo em que a Terra voltou a ficar aquecida e com isso houve o surgimento da agricultura e da civilização.

Para explicar mais sobre a importância da mudança vale lembrar daquela aula de geografia que você um dia teve: há três períodos geológicos mais amplos. São eles: o paleozoico (dividido em cambriano, ordoviciano, siluriano, devoniano, carbonífero e permiano), mesozoico (triássico, jurássico e cretáceo) e cenozoico (paleogeno, quaternário e neogeno).

Atualmente, estamos no cenozoico — que iniciou-se há 65 milhões de anos. Mais especificamente, estamos no neogeno (que se iniciou há 23 milhões de anos) e, dentro desse, nos encontramos no holoceno — que teve início logo após a última Idade do Gelo, há cerca de 12 mil anos.

Qual é a origem do período antropoceno?

Enquanto cientistas debatem se o novo período deve ser formalizado, Paul Crutzen, vencedor do Nobel de Química em 1995, luta para que o conceito seja reconhecido. Ele foi o responsável pela popularização do termo, durante uma conferência. “De repente, eu pensei que isso estava errado. O mundo mudou demais“, disse. “Eu criei a palavra no calor do momento. Todos se chocaram, mas ela parece ter ficado”, diz.

A discussão de tanto impacto pela ação humana não é tão nova: o geólogo italiano Antonio Stoppani, em 1873, discutia o que chamava de “era antropozoica” e o período “homogenoceno”. Caso o antropoceno seja oficializado, o período provavelmente terá seu início considerado no final do século XVIII ou até antes, quando surgiu a agricultura.

Por que mudar para o antropoceno?

“Desde o momento em que houve humanos, houve impacto no planeta. A novidade é que estamos tirando o planeta de sua variabilidade natural“. Quem disse a frase foi Alejandro Cearreta, cientista da Universidade do País do Basco e um dos defensores da formalização da mudança.

Mas o que fizemos, exatamente, que pode ser considerado como uma mudança significativa? Para começar, o homem alterou os ciclos de carbono, nitrogênio e fósforo com o uso de pesticidas e outras substâncias químicas. Cientistas acreditam que em “alguns milhões de anos” esses componentes irão alterar a composição das camadas terrestres.

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Além disso, há a óbvia construção de estradas, hospitais, casas, aeroportos, prédios e etc. Essas instalações criaram o que é chamado de “camada urbana“: massas de cimento, tijolo, aço, vidro ou plástico” que acabaram se tornando parte da Terra.

O aquecimento global seria a mudança do clima, enquanto a ação do homem no habitat natural tem transformado o ecossistema. A taxa da extinção de espécies é pelo menos 100 vezes maior do que a natural — tudo por conta da ação do homem.

A discussão sobre a formalização do antropoceno continua: enquanto críticos dizem que não há mudanças suficientes, os defensores juntam mais evidências para oficializar o antropoceno. Em março de 2017, pesquisadores da Universidade de Leicester fizeram um estudo para mostrar que a ação humana já trouxe mudanças irreversíveis para a geologia do planeta.

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