Dieta vegana pode não ser a melhor opção para a eficiência ambiental
dieta vegana
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Dieta vegana pode não ser a melhor opção para o desenvolvimento sustentável

Camila Luz em 26 de dezembro de 2016

A dieta vegana pode não ser a mais indicada para melhorar a eficiência ambiental e a disponibilidade dos alimentos. Nova pesquisa publicada pela revista científica Elementa a comparou com outras nove dietas, que incluem ou não produtos de origem animal. De acordo com o estudo, a alimentação vegetariana faria melhor uso do solo e seria capaz de prover comida para mais pessoas.

A pesquisa usou modelos de simulação para comparar 10 padrões alimentares: vegano, dois vegetarianos (um que inclui laticínios e outro que inclui laticínios e ovos), quatro onívoros (com graus diferentes de consumo de carne), um  com baixa ingestão de gordura e açúcar e, por fim, a alimentação atual predominante nos Estados Unidos, com alto consumo de carne. Veja o gráfico abaixo:

Número_de_pessoas_alimentadas_por_cada_dieta_Quantidade_de_pessoas_alimentadas_chartbuilder

Os pesquisadores descobriram que comer menos produtos de origem animal ajudaria a aumentar o número de pessoas que poderiam ser alimentadas pelos terrenos agrícolas existentes.

No entanto, a dieta vegana iria alimentar menos pessoas do que as vegetarianas e duas das onívoras que incluem menor consumo de carne (20% e 40%). Portanto, eliminar por completo os produtos de origem animal pode não ser a melhor opção para o desenvolvimento sustentável.

Menos carne, por favor

Apesar de colocar a dieta vegana como quinta melhor opção, a pesquisa não argumenta a favor do consumo de carne desenfreado. Se esforçar para comer mais vegetais, incluindo apenas uma pequena quantidade de produtos de origem animal, seria o caminho para a eficiência ambiental. Isso significa usar a terra de forma sustentável para produzir mais alimentos.

Hoje, cada habitante dos Estados Unidos precisa de, em média, mais de 2,5 acres de terra por ano (o equivalente a mais de dois campos de futebol) para sustentar sua dieta. Conforme o consumo de carne é reduzido, esse número cai para menos de 0,5 acres.

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Por que, então, a dieta vegana não seria ideal?

Pensando em escala global, esse tipo de alimentação desperdiça terras disponíveis que poderiam ser usadas para alimentar mais pessoas. Isso acontece porque há diferentes tipos de solo para produzir diferentes tipos de alimento, e cada dieta explora isso de uma maneira.

Pastagens costumam ser inadequadas para o cultivo, mas são boas opções para alimentar animais, como o gado. Há terras que suportam culturas perenes, que vivem o ano todo e são colhidas várias vezes antes de morrer, incluindo grãos e forragem que servem de alimento para animais.

Legumes, frutas e grãos como nozes são cultivados em terras que precisam de técnicas como a rotação de culturas para se manterem férteis. Nesse caso, diferentes tipos de alimentos são plantados durante o ano, cada um em uma época adequada, para manter o solo sempre rico em nutrientes.

As cinco dietas que contêm mais carne utilizariam toda as pastagens e terras de cultivo perene. Os tipos de alimentação que incluem  menos produtos de origem animal fazem melhor uso dos três tipos de solo disponíveis.

A dieta vegana, no entanto, é a única que não utiliza as terras de cultivo perene. Por isso, iria desperdiçar a chance de produzir muitos alimentos.

Por outro lado…

O veganismo poderia fazer um uso menos eficiente das terras disponíveis para alimentar a população. No entanto, um estudo feito pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, mostrou que se essa dieta fosse adotada no mundo todo, 8 milhões de mortes seriam evitadas até 2050. Além disso, a sociedade emitiria dois terços a menos de gases poluentes e US$ 1,4 trilhão por ano seria economizado.

De acordo com os resultados dessa pesquisa, a dieta vegana seria a mais benéfica para sociedade em termos de economia, saúde e impacto ambiental.

Alimentações baseadas em carne levam muito sal e são responsáveis pelo aumento da pressão arterial, problemas cardiovasculares e nos rins. Consumir menos carne seria benéfico e reduziria gastos com a saúde – ponto positivo para a economia. Além disso, a pecuária é um dos grandes responsáveis pela emissão de gases poluentes na atmosfera. Veja o infográfico que fizemos baseado na pesquisa para saber mais informações sobre o assunto.

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