Efeito estufa: Acordo de Kigali vai reduzir gases usados em geladeiras
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Efeito estufa: acordo vai reduzir gases usados em geladeiras e ar condicionados

Camila Luz em 17 de outubro de 2016

Quase duzentos países assinaram em 15 de outubro o Acordo de Kigali, em Ruanda. O tratado prevê a redução progressiva dos hidrofluorocarbonos (HFCs), gases do efeito estufa. Eles são utilizados em aparelhos como geladeiras, frigoríficos e ar condicionados.

compressor de ar condicionado

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O Acordo de Kigali é o segundo tratado histórico sobre o clima firmado neste ano. O primeiro foi o Acordo de Paris, assinado por mais de 170 países em abril e ratificado por 81 até agora. De acordo com o site da revista americana TIME, o acordo feito em Ruanda é crucial para alcançar a meta estabelecida na França de limitar o teto do aquecimento global abaixo dos 2°C até 2100.

Segundo o site da Al Jazeera, o chefe diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Erik Solheim, disse em comunicado que o compromisso de manter o mundo a salvo dos efeitos das mudanças climáticas está sendo honrado. O acordo foi firmado a menos de um mês da grande conferência anual sobre o clima, a COP 22, que será realizada em Marrakesh, no Marrocos.

O papel dos HFCs no efeito estufa

O Acordo de Kigali altera formalmente o Protocolo de Montreal, estabelecido em 1989 para proteger a camada de ozônio. Ele previa que países deveriam eliminar progressivamente o uso de clorofluorcarbono (CFC), gás de geladeiras, ar condicionados, frigoríficos e aerossóis.

Depois de liberados no ar, os CFCs levam cerca de oito anos para chegar à estratosfera, onde são atingidos pela radiação ultravioleta e se desintegram, liberando cloro. Essa substância reage com o ozônio, que é transformado em oxigênio. O problema é que o oxigênio não consegue proteger o planeta dos raios ultravioletas. A situação é grave, pois uma única molécula de CFC pode destruir 100 mil moléculas de ozônio.

A maioria das fábricas substituiu o CFC por HFC (hidrofluorocarbono) em seus produtos. Infelizmente, a emissão desse gás acabou se mostrando uma das principais responsáveis pelo aumento da temperatura média da Terra. Ele interage com os gases do efeito estufa e contribui para o aquecimento global.

Com a substituição, o buraco na camada de ozônio foi reduzido, mas o efeito estufa se agravou. Segundo a Nasa, a temperatura média aumentou 0,8°C desde 1880. Dois terços desse aquecimento ocorreram a partir de 1975.

Como o Acordo de Kigali vai funcionar

De acordo com a Al Jazeera, países que fazem parte do acordo terão de seguir regras estabelecidas por um calendário. Os desenvolvidos deverão reduzir sua produção e consumo de HFC em 10% antes do final de 2019. Até 2036, esse número deverá aumentar para 85%.

Países em desenvolvimento como Brasil, nações africanas e China (maior responsável pelas emissões), se comprometeram a iniciar a transição em 2024. Em 2029, deverão alcançar redução de 10% em relação aos níveis de 2020-2022. O número sobe para 80% em 2045.

O terceiro grupo, formado por países em desenvolvimento como Índia, Paquistão e Iraque, só irá começar a fazer sua parte em 2028, para reduzir 10% em relação ao período 2024-2060 em 2030 e subir para 85% em 2047.

Ar condicionados são principais responsáveis

Países em desenvolvimento, como a Índia, terão metas mais flexíveis pois a troca de HFCs por alternativas como amônia, água e outros gases poderia custar caro para nações com altas temperatura no verão. “Há questões de custo, há questões de tecnologia, há questões de finanças”, disse Ajay Narayan Jha, Ministro do Meio Ambiente e do Clima da Índia, antes do anúncio do acordo.

“Nós gostaríamos de enfatizar que qualquer tratado terá de ser flexível para todos os lados envolvidos. Não pode ser flexível para um lado e não ser para outro”, completou.

A redução, no entanto, é mesmo necessária. Também segundo a Al Jazeera, o Laboratório Nacional de Berkeley, na Califórnia, afirma que ar condicionados são os principais responsáveis pela emissão de HFCs – e o mundo deverá ter mais 700 milhões aparelhos até 2030.

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