Estádios desmembrados ganham nova vida nos EUA e no Rio de Janeiro
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Arena do Futuro Foto: Divulgação
Sustentabilidade > Na Rua

Estádios desmembrados ganham nova vida nos EUA e no Rio pós-Olimpíadas

Camila Luz em 12 de outubro de 2016

Estádios que perdem sua função não precisam se tornar grandes elefantes brancos ou desperdício de dinheiro público. Nos Estados Unidos, a fundação People for Urban Progress reutiliza restos de ginásios esportivos em prédios úteis para a sociedade. No Brasil pós-Jogos Olímpicos 2016, algo similar irá acontecer: construções como a Arena do Futuro serão desmembradas e utilizadas de novas formas.

Nos Estados Unidos, a ideia de desmembrar ginásios surgiu em 2008, quando o arquiteto Michael Bricker pediu para reutilizar o teto do estádio RCA Dome, antigo lar do time de futebol Indianapolis Colts. O prédio seria demolido e materiais valiosos deixariam de ganhar uma segunda vida.

Bricker entrou em contato com a fabricante do telhado para descobrir suas características. “Era revestido de teflon, com fibra de vidro, à prova d’água e anti-UV. Foi projetado para ser praticamente indestrutível”, disse, ao site City Lab. O arquiteto trabalhou em parceria com a demolidora para fazer a demolição preservando o material original.

Em seguida, lançou a People for Ubran Progress para continuar a ideia. Partes do telhado do estádio dos Colts foram usadas para formar abrigos permanentes em Indianápolis. Em outra iniciativa, 9.000 assentos recuperados a partir do Bush Stadium, em St. Louis, foram instalados em pontos de ônibus da cidade.

Bush Stadium Seat Salvage from People For Urban Progress on Vimeo.

No que os estádios das Olimpíadas irão se transformar

No Brasil, estádios construídos para as Olimpíadas também serão reutilizados para novos fins.  O Free the Essence conversou com a Empresa Olímpica, responsável por esse legado, para entender o que irá acontecer com as principais construções.

Segundo a empresa, o projeto olímpico da Prefeitura do Rio foi baseado em três pilares: “legado, economia de recursos públicos e construção de equipamentos esportivos que atendessem ao padrão olímpico, mas não se transformassem em elefantes brancos“.

Algumas instalações esportivas são temporárias e foram construídas para serem desmontadas e transformadas em novos prédios. Para isso, o Rio de Janeiro usou conceito novo em Jogos Olímpicos conhecido como “arquitetura nômade”.

A Arena do Futuro será desmantelada e dará origem a quatro escolas municipais na região da Barra/Jacarepaguá, com capacidade para 500 alunos cada. Já o Estádio Aquático será transformado em dois centros aquáticos: um no Parque Madureira, no próprio Rio, e outro em Campo Grande.

Outras instalações das Olimpíadas também serão reaproveitadas, mas de outras formas. O Parque Olímpico, por exemplo, será transformado em um complexo esportivo e educacional na região da Barra e Jacarepaguá para estudantes da rede municipal e atletas de alto rendimento. A Via Olímpica abrigará um extenso parque público com passeios, praças, ciclovia, áreas de convivência e quadras, com acesso livre para quem quiser praticar esportes.

O Complexo do Deodoro será um espaço para quem curte esportes radiciais, oferecendo ao público equipamentos típicos. Na futura segunda maior área de lazer do Rio de Janeiro, será possível praticar canoagem e outras modalidades similares. O Parque Aquático Maria Lenk irá oferecer vagas para 800 jovens de projetos sociais que queiram praticar natação, polo aquático, nado sincronizado ou saltos ornamentais. Além disso, irá receber competições nacionais e internacionais.

Os outros espaços serão reduzidos ou ampliados para receber atletas para treino e competições de diferentes esportes.

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A sustentabilidade na Rio2016

Desmontar estádios e reutilizá-los de novas formas tem como objetivo retornar ao cidadão o dinheiro público usado para construí-los. Mas essa prática também tem preocupação importante com a sustentabilidade.

Segundo a assessoria de imprensa da Rio2016, a organização promoveu um programa de sustentabilidade baseado nos seguintes pilares: orçamento balanceado, baixo impacto ambiental, impacto social positivo, criação de empregos, transferência de habilidades/ conhecimento e experiência memorável.

A arquitetura nômade fez parte desse projeto, mas não foi a única medida tomada para promover a sustentabilidade do evento. A organização se comprometeu a ter cuidado com emissões de carbono, não promover desmatamento, preservar a flora e fauna, restaurar a biodiversidade nos locais onde os jogos aconteceram e usar materiais reciclados (parte dos metais preciosos usados nas medalhas de prata e bronze, por exemplo).

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