Estudo conecta degelo a aquecimento global de maneira cíclica
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Estudo conecta degelo a aquecimento global de maneira cíclica

Pedro Katchborian em 28 de junho de 2016

O aquecimento global pode estar entrando em uma perigosa fase cíclica. As altas temperaturas bateram recorde na Groenlândia, o que causou o derretimento do gelo também recorde em 2015. Acontece que, segundo um novo estudo, essa água derretida absorve mais radiação solar, o que aquece ainda mais os locais e interfere no Ártico em geral. Esse fenômeno, conhecido como amplificação do ártico, foi relatado em pesquisa publicada pela Nature Communications recentemente.

Essa amplificação já é conhecida, mas os seus efeitos na atmosfera estão sendo debatidos. Uma hipótese sugere que a diminuição da diferença de temperaturas entre o ártico e o resto do mundo torna a corrente atmosférica mais devagar, que normalmente é a responsável por manter o ar polar separado do ar mais quente.

“Nossos estudam mostram que os efeitos do aquecimento no ártico e da corrente atmosférica estão causando um derretimento recorde na Groenlândia”, diz Edward Hanna, professor do departamento de geografia na Universidade de Sheffield, responsável pelo estudo, ao site Futurity.

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Marco Tedesco, professor da Columbia University, é o líder da pesquisa. “Quanto e onde a Groenlândia derrete muda dependendo de como as coisas mudam no restante da Terra”, afirma, também em entrevista ao Futurity. “Se a perda do gelo está mudando a corrente atmosférica, a corrente atmosférica está mudando a Groenlândia e tem um impacto no sistema ártico e seu clima. É algo conectado e precisamos abordar dessa maneira”, explica.

A camada de gelo da Groenlândia é tão grande que, caso se derretesse por completo, aumentaria o nível do mar em cerca de sete metros. Segundo o estudo, compreender esse fenômeno é essencial para saber como o nível do mar vai crescer no futuro e os rumos do aquecimento global.

Edward conta que esse processo deve continuar nos próximos anos. “Isso torna provável que nos próximos cinco anos iremos testemunhar mais recordes de derretimento na Groenlândia como em 2012 e 2015”, afirma.

Não são só más notícias para o aquecimento global

Enquanto o estudo da Universidade de Sheffield dá um panorama nada favorável em relação ao aquecimento global, outro levantamento tem notícias melhores.

Um estudo publicado na revista britânica Nature Geoscience descobriu que as correntes oceânicas frias do Atlântico Norte amenizam o efeito do aquecimento global na Antártica. A consequência é que o aumento do nível dos mares acaba sendo retardado, ao contrário do que tem acontecido na Groenlândia.

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Esse isolamento pode durar décadas, segundo a pesquisa, adiando o que seria um triste destino para cidades que ficam abaixo do nível do mar, como Veneza, na Itália e Roterdã, na Holanda. Estudos anteriores mostram que os oceanos podem subir dois metros ao total até 2100 e 15 metros até 2500.

A Antártica Oriental, onde se concentra boa parte da camada de gelo do planeta, sempre sofreu menos com o derretimento. O motivo é que os ventos, correntes oceânicas e a própria camada de gelo acabam protegendo o local das mudanças climáticas mais preocupantes. O estudo mostra que o principal motivo do atraso são as frias e profundas correntes marítimas da região.

Ou seja, não importa do lado de que pólo você está,  o aquecimento global é um problema de todos, especialmente se ele se tornar cíclico. Você já faz sua parte? Conte nos comentários!

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