Botânico cria floresta urbana com vegetação da Mata Atlântica
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Foto: Arquivo Pessoal
Sustentabilidade > Na Rua

Botânico cria floresta urbana com vegetação original da Mata Atlântica

Camila Luz em 18 de abril de 2016

A vegetação original da Mata Atlântica é rara em São Paulo, mas há quem diga que isso pode mudar. O botânico Ricardo Cardim, idealizador do projeto “Floresta de Bolso”, garante que é possível plantar e cultivar uma floresta urbana em um terreno de apenas 15m² em seis meses.

Desde 1992, ele estuda uma maneira de deixar São Paulo mais verde sem precisar do reflorestamento tradicional, que usa espécies exóticas e importadas. Plantas estranhas ao solo, que nunca habitaram aquele área antes, não se adaptam da mesma forma e têm dificuldade de se desenvolver.

Feito de maneira muito artificial e sistematizada, com grande espaço entre as árvores, o reflorestamento acaba dando origem a um bosque cheio de mudas mortas, capim e espécies danosas. A “Floresta de Bolso”, por sua vez, usa mudas da vegetação nativa de São Paulo: a Mata Atlântica. Segundo Cardim, a mata nativa se adapta melhor e se desenvolve com mais facilidade.

Ao recriar a vegetação nativa, a “Floresta de Bolso” incentiva as árvores a crescerem.

três amigos abraçados em uma área verde

Ricardo Cardim e outros participantes do projeto em meio à Floresta Urbana. Foto: Arquivo Pessoal

“É melhor plantar com pouco espaço, pois isso faz com que as árvores disputem o mesmo território. Assim, acabam crescendo muito mais rápido. Por isso, em seis meses, é possível criar uma mata densa”.

 

Vantagens da Floresta Urbana

Segundo o biólogo, essa técnica permite gerar 12 vezes mais árvores do que o reflorestamento no mesmo espaço de tempo. Isso resulta em mais espécies nativas e, consequentemente, mais animais são atraídos ao ambiente.

Esse, aliás, é um dos problemas do desmatamento: a consequente extinção de espécies que antes habitavam a região. O tucano-de-bico-verde, por exemplo, não é mais encontrado em São Paulo. Para que essa espécie pare de correr risco de extinção e volte a povoar a capital paulistana, é preciso trazer de volta a embaúba, árvore que dá o fruto do qual se alimenta.

Outra vantagem oferecida pela “Floresta de Bolso” é a baixa necessidade de manutenção. Como as árvores crescem muito em um curto espaço de tempo, a mata sombreia o solo, que não fica ressecado. Ou seja, regar com regularidade só é necessário em épocas de seca.

O pouco espaço entre as árvores também evita a proliferação de pragas, como a erva daninha. Para o solo, essa grande densidade de espécies e raízes é algo muito positivo, pois há acúmulo de material orgânico que acaba por alimentar todo o bioma.

Ricardo Cardim explica, ainda, que as florestas urbanas podem significar uma solução para a crise hídrica que vem assolando São Paulo. Em épocas chuvosas, as raízes alimentam o lençol freático, que funciona como uma verdadeira caixa d’água. Em épocas de seca, as árvores retiram o líquido do solo e devolvem para o meio ambiente, aumentando a umidade do ar.

Locais Inusitados e Outros Biomas

O biólogo afirma que o “Floresta de Bolso” não se aplica somente à Mata Atlântica. Cardim já recriou espécies originais do Cerrado e garante que é possível fazer a mesma coisa com tipos de vegetação encontrados na Caatinga, na Floresta Amazônica e assim por diante. “O que importa é fazer o uso correto da técnica”, diz.

Ricardo já plantou suas florestas urbanas em oito lugares diferentes na cidade de São Paulo. Sete são terrenos particulares e um deles é público (a Avenida Hélio Pelegrino recebeu um mutirão voluntário para que a floresta acontecesse).

Quem deseja ter uma floresta em casa pode contratar os serviços do biólogo, que garante que a técnica pode ser aplicada tanto em terrenos menores quanto em grandes hectares. Ele afirma, ainda, que é possível plantar em lugares inusitados, como o telhado de uma casa. “Para isso, usamos uma tecnologia de terra especial, rica em nutrientes. As árvores são plantadas bem próximas e as raízes ficam restritas a esse espaço”, conta.

Que tal enfeitar a sua laje com uma floresta urbana formada pela vegetação nativa da Mata Atlântica? Você faria isso?

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