Futuro sem carros: cidades devem repensar as vagas de estacionamento
futuro sem carro
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Sustentabilidade > Na Rua

Por que as cidades precisam repensar as vagas de estacionamento

Pedro Katchborian em 3 de outubro de 2016

Pesquisas, reportagens e especialistas apontam para um futuro sem carros próprios. Veículos autônomos, elétricos, compartilhamento e o aumento do uso do transporte público e das bicicletas mostram que a mobilidade urbana pode ser muito diferente em 10 anos. Mas em cidades há mais um século preparadas para os carros, o que fazer com as milhões de vagas de estacionamento que existem por aí?

vaga de garagem vazia

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A Vox fez uma reportagem detalhada falando sobre as iniciativas que pretendem reaproveitar o espaço urbano nesse novo cenário. Nos Estados Unidos, existem cerca de 1 bilhão de vagas de estacionamento, quatro para cada carro existente. “Parece um desperdício“, diz Brad Plumer, da Vox. “Se as cidades pudessem ter de volta uma fração dessa terra, elas poderiam construir mais casas, lojas, parques ou praças“, comenta.

Já existem algumas medidas que ajudam na mobilidade. Com serviços como o Uber, que faz um uso do carro mais eficiente, e empresas como a Tesla, popularizando os carros autônomos em breve, esse panorama pode mudar.

Um recente relatório do Rocky Mountain Institute mostrou que o futuro sem carros privados pode estar mais próximo do que imaginamos: a ideia é que as pessoas não vão comprar mais carros e sim utilizar serviços de aluguel ou algo como o Uber sempre que precisar.

Essa tendência já começa a se refletir na própria vontade da população, por exemplo. No Brasil, uma pesquisa feita pelo Data Folha mostrou que 74% dos brasileiros querem menos carro e mais ônibus e bicicleta.

O desafio é como repensar as cidades de acordo com essa tendência. Recentemente, São Francisco começou a pensar em um plano para tirar vantagem das novas opções de transporte. Com ruas menores e menos vagas, a cidade poderia aproveitar melhor esse espaço.

estacionamento vazio

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Em 2016, o Departamento de Transporte dos Estados Unidos promoveu um concurso pedindo para governos locais imaginarem as suas cidades do futuro. A cidade de Colombus, em Ohio, acabou vencendo a competição ao apresentar um plano detalhado para melhorar a mobilidade em áreas mais pobres. O destaque da Vox é o plano apresentado por São Francisco, já que aborda essa questão de como as cidades poderiam utilizar esse espaços que eram dos carros.

A proposta começa observando que São Francisco conta com 440 mil vagas de estacionamento públicas — e a maioria delas fica vazia a maior parte do tempo. “Nosso plano utilizaria inovações tecnológicas que permitem repensar o espaço público que é subutilizado com vagas, pensando em casas acessíveis, pequenos parques e locais para pedestres”, diz a proposta.

O primeiro passo seria fazer os serviços como o Uber mais convenientes e acessíveis aos residentes, já que eles não usam as vagas públicas. Para isso, foram pensadas três medidas:

1) Dar incentivos para pessoas largarem os carros próprios

Isso significa, por exemplo, fazer uma faixa no trânsito somente para serviços como o Uber, fazendo deles a opção mais rápida. Isso também pode significar uma integração maior entre esses serviços e o transporte público e o compartilhamento de bicicletas, por exemplo, talvez até fazendo um único aplicativo para todos os serviços.

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2) Tornar os serviços mais acessíveis

Ou seja, buscar maneiras de diminuir os preços desses serviços, visando que o futuro sem carros se torne uma realidade. Além disso, a ideia também envolve tornar smartphones e internet wifi aos residentes de áreas mais pobres.

3) Eventualmente mudar para os veículos elétricos e autônomos

Quando esses carros virarem realidade, eles podem ser conectados a uma central, fazendo todo esse compartilhamento ainda mais fácil. Na teoria, esses veículos poderiam reduzir o número de colisões fatais e eliminariam a poluição do ar.

Por que o futuro sem carros passa pelos veículos autônomos

Um estudo feito por duas empresas de engenharia, Farrells e WSP Parsons Brinckerhoff, analisou as ruas de Londres e como elas poderiam mudar com os carros autônomos. Essa pesquisa imaginou um mundo em que os veículos autônomos são compartilhados. Dessa maneira, a pessoa poderia pedir o carro e ele simplesmente aparece na porta. Esses carros sempre estão na rua, deixando ou pegando passageiros e estacionando ou abastecendo em algumas áreas específicas. Dessa maneira, não há a necessidade de vagas nas ruas.

A pesquisa vai além: se todos os carros da rua forem autônomos, a rua poderia ser ainda menor. Os veículos navegados por robôs poderiam andar juntos sem qualquer receio de colisões. Com colisões mais raras, os carros poderiam ser menores e mais finos, ocupando menos espaço. Pensando dessa maneira, uma cidade como Londres poderia ganhar de 15 a 20% de área.

Os autores do estudo imaginaram como a cidade poderia ficar com essas novidades:

rua com bicicletas e poucos carros

rua com muitas pessoas

Foto: Reprodução

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