Um bilhão de pessoas estarão expostas a inundações no futuro
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Cidade Inundada na Suiça. Foto: Istock/Getty Images
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Um bilhão de pessoas estarão expostas a inundações costeiras até 2060

Camila Luz em 6 de junho de 2016

A organização britânica Christian Aid divulgou um relatório revelando que mais de um bilhão de pessoas estarão expostas a inundações costeiras até 2060. China, Índia e Estados Unidos, os países mais poluidores do mundo, serão os mais afetados. As alterações climáticas causadas pelo aquecimento global serão a principal causa das catástrofes.

Os efeitos das mudanças climáticas em cidades costeiras são o aumento do nível do mar, inundações, temperaturas extremas e tempestades. Locais dos Estados Unidos e China enfrentarão os maiores prejuízos financeiros, mas distritos pobres de países como a Índia têm habitantes mais vulneráveis e serão gravemente afetados.

Sem ajuda significativa, esses locais não vão conseguir se recuperar, mas a boa notícia é que os avanços da ciência permitem prever catástrofes causadas pelas mudanças do clima. É possível saber quais serão as cidades mais expostas e agir desde já para minimizar os impactos negativos.

Cidades com mais habitantes expostos a possíveis inundações costeiras

As cinco cidades com mais habitantes expostos a possíveis inundações até 2070 ficam na Ásia. São elas: Kolkata (Índia), Mumbai (Índia), Dhaka (Bangladesh), Guangzhou (China) e Ho Chi Minh (Vietnã). Kolkata deverá ter quase 15 bilhões de pessoas em risco.

Veja o ranking:

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Cidades com mais habitantes expostos a inundações costeiras. Foto: Reprodução/Act Now or Pay Later

Boa parte das cidades que aparecem na lista são em países pobres, como Myanmar, Nigéria, Bangladesh e Índia.  Mas cidades ricas e importantes para a economia mundial, como Nova York (Estados Unidos) e Tóquio (Japão) também estão no ranking. Outra cidade do país americano também aparece na lista: Miami deverá ter mais de 5 milhões de habitantes expostos até 2070 e está em oitavo lugar.

Quem vai sofrer mais?

Ironicamente, Estados Unidos, China e Índia, três dos países presentes no ranking, são os maiores emissores de gases que causam o aquecimento global, como metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2).

Estados Unidos e China vão enfrentar prejuízos financeiros por causa do alto número de propriedades expostas, negócios e investimentos. Miami será a mais afetada, perdendo cerca de US$ 3,5 trilhões de acordo com o relatório. Guangzhou, na China, levará o segundo maior prejuízo: US$ 3,4 trilhões. Nova York aparece em terceiro lugar, perdendo US$ 2,1 trilhões.

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Cidades com maiores prejuízos financeiros causados por inundações. Foto: Reprodução/Act Now or Pay Later

A Índia, por outro lado, terá de enfrentar o peso da perda populacional, como indicou o primeiro gráfico. Juntas, Kulkata e Mumbai terão 26.4 milhões de pessoas vulneráveis até 2070. Dentre os 20 países com chances de perda populacional, 15 são asiáticos. Grandes cidades africanas também enfrentam esse risco.

Cidades dos continentes asiático e africano são muito desiguais socialmente e têm mais habitantes em situação miserável. Esses são os que mais vão sofrer.  Áreas costeiras são regiões vulneráveis por essência. Habitantes com menor poder aquisitivo podem não ter opções de moradia além desses locais, que acabam altamente povoados. Essa tendência deve se manter pelas próximas décadas, já que o nível do mar vai aumentar cada vez mais.

Países ricos terão melhores condições de realocar os habitantes que vivem em áreas de risco. Pessoas que vivem em Dhaka (Bangladesh) estarão mais vulneráveis do que aquelas que moram em Nova Orleans (Estados Unidos), por exemplo.

Habitantes de países pobres vivem em locais mais expostos e em moradias informais, com baixa infraestrutura. Suas casas podem ser facilmente destruídas por inundações ou tempestades. Também terão menos chances de se recuperar, pois não são protegidos por seguro e não têm a propriedade da terra.

A prevenção

A Christian Aid afirma que o primeiro passo é reduzir a emissão de carbono, evitando a queima de combustíveis fósseis para gerar energia. Deve-se investir mais em energia elétrica limpa e renovável, como eólica e solar.

O aumento da temperatura média do planeta também precisa ser controlado. O Acordo de Paris, assinado por mais de 175 países em 2016, prevê que é preciso manter o teto do aquecimento global abaixo de 2°C.

Leia mais:
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gráfico mostrando as alterações do nível do mar nas cidades

Gráfico de aumento do nível do mar. Foto: Reprodução/Information is Beautiful

Se a temperatura média aumentar 4°C até 2010, o nível do mar deve aumentar um metro. Sem que as emissões de gases sejam reduzidas de forma drástica, centenas de milhões de pessoas serão afetadas por inundações costeiras.

A organização também diz que é preciso proteger comunidades vulneráveis, tomando conta de suas habitações e meios de sobrevivência. Por fim, deve-se criar um sistema internacional de suporte a essas pessoas, para que possam se recuperar dos danos causados por tempestades e inundações devastadoras.

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