Região metropolitana de Miami é a mais impactada por inundações
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Foto: Istock/Getty Images
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Região metropolitana de Miami é a mais impactada por inundações

Camila Luz em 11 de abril de 2017

Inundações costeiras já são realidade em Miami, na Flórida (EUA). É fácil pensar que os locais afetados por esse tipo de desastre são comunidades remotas no Oceano Pacífico. Mas a verdade é que o aumento do nível do mar acontece no mundo todo, afeta grandes economias e exige estratégias de adaptação dos moradores e, de certa forma, de todo o mundo.

Segundo uma reportagem publicado no site da BBC, basta perguntar para qualquer morador da área de Miami sobre inundações para ouvir algumas histórias, como porões inundados e pequenas piscinas formadas no estacionamento de supermercados. Muitos também dirão que esse tipo de coisa está se tornando cada vez mais frequente.

Estimativas mostram que o nível do mar na região deve subir especialmente rápido, entre 15 e 25cm até 2030 (em comparação a 1992) e entre 79 e 155cm até 2100. Isso significa mais inundações com impactos significativos na moradia e na infraestrutura que possibilita a vida dos habitantes. Mas antes que a maré bata na porta de casa, o aumento do nível da água deverá causar outros problemas financeiros e ambientais para a região.

Miami, a cidade costeira que mais tem a perder por inundações

As inundações seriam preocupantes para qualquer comunidade, mas apresentam riscos particulares para o município estadounidense. Um relatório recente, feito pela National Wildlife Federation, mostra que Miami tem mais a perder em termos econômicos do que qualquer outra cidade do mundo, incluindo Nova York e Guangzou, na China.

O corredor onde fica Miami é formado por outras grandes cidades, como Fort Lauderdale e West Palm Beach. A região é a oitava área metropolitana mais populosa dos Estados Unidos. Além disso, sua população vem crescendo cerca de 8% ao ano segundo o Census Bureau dos Estados Unidos — duas vezes mais do que o crescimento populacional no resto do país. A Flórida é o estado com maior número de habitantes ameaçados pelas mudanças climáticas dentro dos EUA.

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Em Miami há, inclusive, uma série de empreendimentos que pertencem ao atual presidente Donald Trump em áreas com risco de inundação, com prédios e condomínios residenciais. As ameaças são muitas, mas a população está se preparando para lidar com elas.

Edifícios mais altos estão sendo levantados, um novo centro comercial foi construído com portões de inundações e há válvulas de maré instaladas para evitar cheias. A comunidade está se reunindo para pensar em soluções. “Ninguém está fazendo um melhor trabalho de adaptação no país do que o sul da Flórida”, diz Daniel Kreeger, diretor executivo da ONG Associate of Climate Change Officers, à BBC.

No entanto, esses esforços provavelmente não serão suficientes para salvar toda a comunidade. No futuro, muitas áreas simplesmente não serão mais habitáveis. O principal desafio é mover esforços para que a economia continue a prosperar e os turistas possam desfrutar do sol, da areia e, é claro, do mar.

Consequências das inundações e como revertê-las

Segundo a BBC, especialistas em mudanças climáticas estão dispostos a assumir o desafio. Mas para salvar o maior número de comunidades possível, uma mudança muito maior será necessária, envolvendo a forma como prefeitos, seguradoras, engenheiros, promotores imobiliários, planejadores urbanos e cidadãos enxergam suas cidades.

“Se a ciência está correta sobre isso – e provavelmente está – a questão é: quão extremas são as implicações?”, diz Kreeger. “Vamos literalmente ter que reescrever como as empresas funcionam e como as cidades são projetadas. Tudo vai mudar. E isso será particularmente exacerbado nas comunidades costeiras”, completa.

A área metropolitana de Miami é uma das mais ricas do mundo. Se uma comunidade com esse nível de desenvolvimento não encontrar soluções, restará pouca esperança para cidades costeiras mais pobres. Kreeger afirma:

Não seria diferente se eu chegasse para você e falasse: ‘Hey, em 40 anos a gravidade vai mudar’. Não posso dizer exatamente o que vai acontecer, mas vamos supor que seria entre 50% e 80% mais forte ou fraca do que é agora. Você perguntaria como isso iria nos afetar, e eu diria: ‘De todas as formas’.

Mesmo sem inundações, o aumento do nível do mar afeta muito. As cidades na região são construídas sobre calcário poroso e a água vem de lençóis freáticos que correm por baixo das ruas. Quase 90% da água potável do sul da Flórida vem de aquíferos, cujo líquido fresco está sendo pressionado pela água salgada.

Em Hallandale, uma pequena cidade com pouco mais de 40 mil habitantes, a água salgada já quebrou cinco dos oito poços de água doce. Além disso, um quarto dos residentes da região de Miami usa fossas sépticas (unidades caseiras de tratamento de esgoto). Se elas não permanecerem acima do lençol freático, o resultado poderá ser bastante desagradável. Há, ainda, problemas como erosão na areia das praias turísticas da Flórida e o agravamento de tempestades.

Além dos esforços do governo e de planejadores urbanos para encontrar soluções que protejam as cidades costeiras, há uma questão importante: controlar as mudanças climáticas. Para isso, é preciso reduzir as emissões de gases poluentes – e esse é um esforço global conjunto. Os Estados Unidos, no entanto, são um dos maiores poluidores do mundo.

Se as emissões não forem reduzidas, a adaptação se tornará cada vez mais difícil ou até impossível. “A mitigação das alterações climáticas para reduzir os gases do efeito estufa é uma questão global e tem de ser tratada globalmente”, diz Nancy Gassman, chefe de sustentabilidade de Fort Lauderdale. “A adaptação aos efeitos inevitáveis das mudanças climáticas é uma questão local”, finaliza.

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