Cultivo de leguminosas pode reduzir mudanças climáticas
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Cultivo de leguminosas pode reduzir mudanças climáticas

Camila Luz em 15 de junho de 2016

Leguminosas, como feijão, soja e ervilha, podem ajudar a reduzir as mudanças climáticas. Seu cultivo é menos dependente de fertilizantes químicos, produtos responsáveis pela emissão de gases causadores do aquecimento global. Esses grãos também “sequestram” carbono do solo, evitando que seja direcionado para a atmosfera.

A ONU (Organização das Nações Unidas) declarou que 2016 é o ano das leguminosas. Com o lema “Sementes nutritivas para um futuro sustentável”, pretende conscientizar pessoas sobre a importância desses alimentos para a saúde, nutrição, segurança alimentar e sustentabilidade ambiental.

A agência responsável pela celebração do ano é a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura na tradução para o português). Ela produziu um documento norteador no qual destaca a relação entre leguminosas e mudanças climáticas. Produção de alimentos, segurança alimentar e aquecimento global estão profundamente conectados.

Impactos negativos causados pelo aquecimento global podem ser secas, inundações, furacões e acidificação do solo. Todos eles prejudicam a produção de alimentos e a segurança alimentar de comunidades, principalmente as mais carentes.

Como o cultivo de leguminosas pode reduzir as mudanças climáticas

Ironicamente, a forma como os alimentos são produzidos hoje contribui para que as mudanças climáticas se acelerem. A carne está muito presente na dieta de grande parte da população. A produção de apenas um quilo de proteína animal gera cerca de 9.5Kg de CO2 (gás carbônico), causador do aquecimento global.

Já a agricultura está baseada, principalmente, na monocultura. Ao contrário da rotação de culturas, na qual várias espécies são plantadas de forma alternada para manter o solo fértil, o cultivo de apenas um tipo de alimento empobrece a terra. Por isso, a demanda pelo uso de fertilizantes químicos e agrotóxicos é alta.

Cultivar e consumir mais leguminosas é uma forma de reduzir boa parte desses problemas. A produção de um quilo gera apenas 0.5Kg de CO2, segundo documento norteador produzido pela FAO. Para reduzir os impactos das mudanças climáticas, é preciso adotar uma mudança de valores, substituindo a carne vermelha por grãos na alimentação.

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A organização também explica que o nitrogênio é o nutriente mais utilizado na produção de culturas, e a adubação nitrogenada é fabricada a base de gás natural. As leguminosas, por sua vez, são culturas especiais, pois absorvem o nitrogênio que necessitam diretamente do ar e ainda o fixam no solo, deixando-o fértil para futuros cultivos. Assim, reduzem o uso de fertilizantes tanto nelas mesmas, quanto nas culturas posteriores. Seus benefícios ambientais são estendidos a todo o ciclo de produção de alimentos.

O cultivo do trigo, por exemplo, precedido por uma cultura fixadora de nitrogênio, como a lentilha, gera 17% a menos de CO2 do que se fosse precedido por uma cultura de cereal. Esse impacto pode ser ainda mais positivo caso duas culturas de leguminosas precedam a plantação do alimento. Nesse caso, as emissões de CO2 seriam 34% menores.

Leguminosas são espécies versáteis e bem adaptáveis, podendo ser incluídas em diferentes tipos de culturas. Esses grãos permitem uma utilização mais eficiente das águas subterrâneas, pois a estrutura de suas raízes possui um sistema radicular profundo. Assim, fornecem água para si mesmos e para as espécies cultivadas em consórcio.

Investir na rotação de culturas com leguminosas também é forma de evitar erosão e esgotamento da terra. Além disso, o potencial de “sequestro” de carbono do solo é maior, quando comparado à monocultura.

Leguminosas podem resistir melhor às alterações climáticas

Além de serem cultivos sustentáveis, as leguminosas podem se adaptar e resistir melhor aos impactos negativos causados pelas mudanças climáticas.

Leguminosas têm uma ampla diversidade genética que permite selecionar ou desenvolver espécies melhoradas. Assim, é possível trabalhar com variedades mais resistentes às alterações climáticas. O documento norteador da FAO cita como exemplo o CIAT (Centro Internacional de Agricultura Tropical na tradução para o português). Cientistas estão trabalhando no desenvolvimento de leguminosas que sejam capazes de crescer em temperaturas acima da “zona de conforto” normal do cultivo.

Especialistas climáticos sugerem que o estresse calórico é a maior ameaça para a produção de feijão nas próximas décadas. A ampla variedade genética de leguminosas como essa permite formular espécies melhoradas e mais adaptáveis, que ainda serão sustentáveis e vão exigir menos insumos.

Espécies melhoradas podem suportar práticas mais eficientes, o que irá reduzir a emissão de gases causadores do aquecimento global. Dessa forma, todo o ciclo irá funcionar de forma positiva.

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