Lixo eletrônico no Brasil: quais os problemas e oportunidades
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Lixo eletrônico no Brasil: quais os problemas e oportunidades

Kaluan Bernardo em 15 de junho de 2017

Você sabe o que é lixo eletrônico? Não, não é uma lixeira que vira Transformers. É apenas um resíduo eletrônico, com componentes que são mais valiosos, potencialmente danosos ao meio ambiente e, portanto, exigem um cuidado maior no descarte.

De acordo com a ONU, só em 2017 o mundo deverá descartar ao menos 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico. Só a América Latina é responsável por 9% do material descartado. E, no continente, o Brasil é o campeão com 36% de participação e 1,4 milhão de tonelada descartada só em 2014.

A América Latina deverá chegar a 4,8 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2018 –  70% a mais do que em 2009 (a ONU esperava que o número não aumentasse mais do que 55%).

Por que o lixo eletrônico é perigoso

A presença de metais pesados, como mercúrio, berílio e chumbo, além de diversos componentes químicos, fazem com que, caso esses materiais sejam descartados incorretamente, tais elementos sejam absorvidos pelo solo e, consequentemente, contaminem lençóis freáticos.

Muitas vezes o material sequer vai para o aterro sanitário e é queimado. Nesse caso, pode liberar toxinas perigosas no ar. E quem mais sofre as consequências é o coletor, que é exposto aos elementos e pode sofrer danos à saúde.

Exemplificando: o celular que você jogou no lixo ou a televisão que deixou na rua contaminam a água, o ar e os pulmões de diversos trabalhadores.

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Por que o lixo eletrônico é uma oportunidade

Proporcional ao risco é a oportunidade de mercado em torno do lixo eletrônico, quando corretamente descartado. A ONU estima, por exemplo, que só em 2014, foram descartadas 300 toneladas de ouro no meio do lixo eletrônico – o número representa 11% do que foi garimpado em minas um ano antes.

Em parceria com a Eletrobrás, o Banco Mundial realizou um projeto em seis estados (Acre, Alagoas, Amazonas, Piauí, Roraima e Rondônia) para tornar possível leiloar medidores obsoletos, transformadores, cabos e outros equipamentos para empresas de reciclagem. A venda do material rendeu R$ 5,4 milhões, que foram revertidos a projetos sociais.

Segundo reportagem do site G1, com R$ 50 mil é possível criar uma empresa de reciclagem de lixo eletrônico. O Sebrae possui, inclusive, um guia para ajudar a montar uma companhia do tipo e a vender o material extraído desses resíduos.

Como descartar corretamente o lixo eletrônico

O primeiro passo é separar o lixo já em casa. O que tiver compostos eletrônicos deve ser colocado em um saquinho separado e, em hipótese alguma, deve ser misturado aos resíduos comuns, principalmente aos orgânicos.

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Muitos mercados e estabelecimentos comerciais, em parcerias com ONGs, disponibilizam pontos de coleta de lixo eletrônico. O segundo passo é, portanto, verificar se há essa possibilidade perto de sua casa.

Algumas ONGs, como a Cempre, por exemplo, disponibilizam uma lista de catadores em diversas regiões. Em São Paulo, universidades têm departamentos voltados à reciclagem eletrônica. É o caso da USP, com o Cedir, que recolhe peças de computadores e os remonta ou separa e revende o material do lixo eletrônico.

Caso você more distante da universidade, veja se alguma escola ou outro instituto educacional do seu bairro faz trabalho semelhante.

Verifique ainda se no seu bairro há empresas de eletrônicos, lojas especializadas ou mesmo assistências técnicas. Todas costumam ter interesse em tais descartes.

Por fim, se você não encontrar nenhum estabelecimento próximo, ligue para a empresa responsável pelo seu dispositivo. Ela deverá te indicar como proceder com o resíduo e você ainda a pressionará a procurar por mais soluções.

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