Lixo espacial: a poluição não é um problema só da Terra
lixo espacial
Foto: Istock/Getty Images
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A poluição não é um problema só da Terra — veja quanto lixo há no espaço

Camila Luz em 18 de novembro de 2016

O lixo espacial é constituído por detritos orbitais deixados por naves e satélites. Este ano, o engenheiro britânico Stuart Grey criou um vídeo para revelar a quantidade de resíduos acumulados fora do planeta desde o lançamento da Sputnik, em 1957.

Desde que os programas espaciais soviéticos e estadunidenses começaram a decolar na década de 50, seres humanos têm feito grandes avanços em direção ao desconhecido. Mas eles também deixaram mais de 40.000 objetos para trás.

Desse número, cerca de 17.000 ainda estão na órbita da Terra e representam perigo considerável para nossos satélites e principalmente para qualquer nave com seres humanos a bordo.

Problemas causados pelo lixo espacial

O principal problema do lixo espacial é causar grandes estragos em naves espaciais e satélites, mesmo quando as partículas que colidem com eles são pequenas. “A população crescente de detritos espaciais aumenta o perigo potencial para todos os veículos espaciais, mas sobretudo para a Estação Espacial Internacional e naves com ou sem humanos a bordo”, diz o site da NASA.

A velocidade relativa de objetos orbitais é de, em média, 10km/s. Por esse motivo, até resíduos pequenos podem ser ameaçadores em caso de colisão. Segundo o site Pollution Issues, uma partícula de 3mm viajando a 10km/s equivale em energia a uma bola de boliche viajando a 27m/s. Nesse caso, toda a energia seria distribuída em uma área do mesmo tamanho da partícula, causando a formação de crateras ou até mesmo penetração do objeto.

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Componentes e janelas da nave espacial Space Shuttle, por exemplo, precisaram ser trocadas inúmeras vezes por causa do lixo espacial. Em abril deste ano, um pequeno detrito atingiu em cheio uma janela do satélite artificial Space Station [Estação Espacial Internacional], o maior objeto em órbita na Terra.

“Nós teremos alguns objetos maciços colidindo no espaço e criando um grande campo de detrito, apresentando problemas para os satélites”, disse o engenheiro estadunidense Darren McKnight em entrevista ao site da Vice. “O problema é que é muito, muito difícil prever quando isso vai ocorrer”, completa.

Detritos também constituem risco para a superfície da Terra. Materiais com ponto de fusão alto, como titânio e aço, podem golpear nosso planeta. O mesmo pode ocorrer com objetos grandes ou construídos com densidade alta para sobreviver à reentrada atmosférica.

Detritos provenientes do lixo espacial são regularmente observados e ocasionalmente encontrados na Terra, ainda que não tenham causado nenhuma morte humana até hoje.

Mas, afinal, o que é o lixo espacial?

Naves, foguetes e satélites que exploraram o espaço no passado se tornaram lixo espacial após perderem sua utilidade. Quando algo lançado para fins científicos perde sua função é simplesmente desligado e continua em órbita.  Combustíveis, lascas de tinta, mantas térmicas, objetos metálicos, foguetes e ferramentas são detritos que poluem os céus.

Mas nem tudo o que foi colocado no espaço permanece em órbita. Os detritos vão perdendo altitude até caírem na Terra. Quanto mais próximos do planeta estiverem, mais rápido irão voltar à superfície. Objetos que estão em maiores altitudes podem permanecer fora do planeta por décadas.

Para minimizar o estrago, a NASA estabeleceu políticas e orientações para a emissão de lixo espacial na década de 90. Em 2006, o governo dos Estados Unidos determinou algumas práticas, como o controle de detritos produzidos durante operações normais e a seleção de configurações seguras de voo. O país também estabeleceu que o número de partículas geradas por explosões acidentais deve ser minimizado.

O lixo espacial polui e traz riscos para a vida de seres humanos e para operações feitas no espaço, que prometem trazer grandes avanços. Mas todos esses detritos acumulados também mostram como a ciência já evoluiu ao explorar o funcionamento do universo.

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