Nível do mar pode aumentar nos próximos 800 anos em razão do metano
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Nível do mar pode aumentar nos próximos 800 anos em razão do metano

Camila Luz em 18 de janeiro de 2017

Parar de emitir gases do efeito estufa e frear as mudanças climáticas não será suficiente para impedir que o aumento do nível do mar se perpetue por muitos séculos. Um novo estudo publicado em janeiro deste ano afirma que é inevitável que o oceano suba por pelo menos mais 800 anos e a razão pode ser o metano.

É verdade que muitas questões ambientais são causados pela ação humana. Parar de ter atitudes prejudiciais, resolvendo as principais causas, é importante, mas não significa que os problemas do planeta cessarão.

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A poluição atmosférica funciona dessa forma. Em cidades onde a qualidade do ar é ruim, a poluição tende a piorar nos dias úteis, pois milhões de pessoas utilizam meios de transporte poluentes e as fábricas estão produzindo. Nos finais de semana, quando menos gente sai de casa e indústrias não funcionam, o ar tende a ficar mais limpo.

Em 1970, o Congresso dos Estados Unidos aprovou a Lei do Ar Limpo e começou a regulamentar a poluição. Funcionou: a qualidade do ar hoje não é tão ruim quanto há 40 anos.

Infelizmente, esse raciocínio não é válido para a maioria das questões ambientais, incluindo o aumento do nível do mar. Os gases do efeito estufa liberados hoje, ainda que deixem a atmosfera rapidamente, farão com que as águas continuem subindo durante séculos e isso é preocupante.

Aquecimento da água e aumento do nível do mar

O estudo publicado em janeiro analisou gases do efeito estufa de curta duração, como o metano. Eles têm vida relativamente breve na atmosfera (entre alguns dias e décadas) e exercem grande influência no aquecimento da Terra.

Foto: Istock/Getty Images

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O metano é o principal ingrediente do gás natural e contribui para cerca de um terço do aquecimento global hoje. Para se ter ideia, ele prende calor com eficiência 25 vezes maior do que o dióxido de carbono. Por outro lado, é efêmero. Uma molécula desse gás é absorvida pelo solo ou destruída na atmosfera cerca de 12 anos após sua emissão. Já uma molécula de CO2 pode flutuar por séculos.

Apesar de se dissipar relativamente rápido, cada molécula de metano emitida na atmosfera trará consequências graves aos oceanos e, consequentemente, aos pedaços de terra que os rodeiam. Isso irá acontecer porque o aumento do nível do mar não é causado somente pela água extra vinda do derretimento das geleiras, mas também pelo aquecimento do mar.

À medida que os oceanos absorvem calor, eles se expandem — e leva muito tempo para que esse calor se dissipe. “O oceano se lembra, e essa é realmente a mensagem-chave”, diz Susan Solomon, uma das autoras do artigo e professora de ciência atmosférica no Massachussetts Institute os Technology (Estados Unidos), ao site The Atlantic. “O mar leva muito, muito tempo para esfriar, uma vez que você o tenha aquecido”, completa.

Metano também é vilão

Solomon liderou a primeira expedição na Antártica para estudar o buraco na camada de ozônio e foi uma das primeiras a identificar que ele realmente se formou. Seu último achado vem em um momento infeliz: evidências sugerem que o problema do metano no planeta está apenas começando.

Em dezembro do ano passado, um grupo de pesquisadores apresentou uma análise mostrando que as emissões de metano aumentaram após 2007 e começaram a crescer ainda mais a partir de 2014. Os cientistas não sabem o porquê desse aumento, mas fazem um apelo: é preciso começar a se importar com gases de curta duração.

aumento do nível do mar

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Há um movimento global para reduzir as emissões de CO2, o gás do efeito estufa mais abundante. O dióxido de carbono realmente será responsável pela maioria dos efeitos nocivos das mudanças climáticas. Entretanto, a curto prazo, as consequências serão causadas também pelos gases do efeito estufa de vida curta, como metano, óxido nitroso e produtos químicos sintéticos chamados halocarbonos. Enfrentá-los talvez seja ainda mais urgente.

“Nosso estudo mostra que precisamos mitigar ambos o mais rápido possível”, diz Kirsten Zickfeld, autora do artigo publicado em janeiro e professora na Simon Fraser University (Canadá), também ao The Atlantic. Ela diz:

Há o equívoco de que quando pararmos de emitir esses gases, os efeitos climáticos desaparecerão. Mas isso não é verdade. Os gases do efeito estufa de curta duração devem ser mitigados o mais rápido possível se queremos mitigar o aquecimento da Terra e o aumento do nível do mar.

O artigo também aponta para o perigo de apostar todas as fichas no sequestro de carbono na atmosfera. Se essa tecnologia for aplicada, será possível reduzir o aquecimento global, mas não o aumento do nível do mar – principalmente porque o metano e outros gases de vida curta têm efeito cumulativo. Portanto, o ideal é instalar políticas públicas que reduzam drasticamente as emissões.

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