Mudanças climáticas poderão estimular o aprendizado social entre animais
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Foto: Istock/Getty Images
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Mudanças climáticas vão estimular o aprendizado social entre animais

Camila Luz em 7 de novembro de 2016

Baleias são criaturas sociáveis, que vivem em bando e aprendem a caçar em grupo. No entanto, mudanças climáticas estão transformado essa realidade ao eliminar animais que serviam de alimento. Esses mamíferos terão duas opções: socializar com outras espécies para desenvolver novos hábitos ou morrer de fome.

Quando nascem, baleias são ensinados pelo grupo a caçar: aprendem a nadar em silêncio ao lado da presa e a se deslocar da forma correta para atacar. Além disso, filhotes aprendem onde buscar comida.

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Em 1970, três “baleias assassinas” (orcas) foram capturadas no município de British Columbia, no Canadá. Elas faziam parte de uma subpopulação nômade que se alimentava apenas de mamíferos, como focas e leões marinhos. No cativeiro, se recusaram a comer peixe, ainda que o mesmo animal sirva de alimento para outras orcas.  Setenta e cinco dias depois, uma delas morreu de fome, conforme documenta artigo publicado pelo Biological Journal of the Linnean Society (EUA).

Essa pesquisa conclui que, se os mamíferos forem extintos, a alternativa para as orcas será aprender novas táticas com outras espécies de baleias que vivem perto de portos e se alimentam de peixes.

A questão é cultural

Sally Keith e Joseph Bull, ecologistas da Universidade de Copenhague (Dinamarca), discutiram a questão cultural em estudo recente. Eles consideraram diversos tipos de animais, como macacos, insetos, pássaros e as próprias baleias.

Para os pesquisadores, a cultura pode ter tanta influência no comportamento quanto estímulos ambientais. “Em vez de pensar simplesmente em onde as espécies estão, seria útil considerar o que elas realmente estão fazendo”, diz o estudo, segundo o site Nautilus.

Keith e Bull definem cultura como o conjunto de informações ou comportamentos compartilhados por uma população ou subpopulação. Esses aspectos são adquiridos por membros da mesma espécie através de alguma forma de aprendizagem social. Ensinar os filhotes a caçar, como é o caso das baleias, seria um traço cultural.

Para os ecologistas, isso faz sentido do ponto de vista evolutivo: animais experientes ensinam os mais novos para que não percam tempo e energia na tentativa. Isso também evita que sejam mortos por outros animais nesse período.

Mudanças climáticas e a aprendizagem social

As mudanças climáticas irão exigir muito dos animais, que poderão usar seus traços culturais para sobreviver ou não. Em um cenário ideal, eles aproveitariam a nova realidade para compartilhar inovação e conhecimento com outros grupos, evoluindo como espécies.

Por outro lado, a cultura poderia funcionar como um impasse: os animais tentariam, sem sucesso, se adaptar a um meio que já não existe mais. Baleias, por exemplo, caçariam leões marinhos e focas nas mesmas regiões de seus ancestrais, onde esses mamíferos já estariam extintos.

As diferentes reações serão determinadas pela forma como cada animal transmite suas informações culturais: vertical ou horizontal. A primeira diz respeito aos grupos que passam características através das gerações para garantir a sobrevivência da espécie. Os pesquisadores classificam esse aspecto como “armadilha ecológica ou evolutiva”.

A segunda inclui nós, humanos, que nos pautamos nas experiências de outros indivíduos, como amigos, familiares e vizinhos, para criar novos hábitos. Esse “empréstimo comportamental” pode permitir que animais se adaptem às mudanças climáticas mais rapidamente do que através da tentativa e erro. Espécies de culturas diferentes entrariam em contato ao migrar para novos habitats, compartilhando conhecimento.

O artigo publicado pelo Biological Journal cita outra situação envolvendo baleias. Nesse caso, elas apostaram no “empréstimo comportamental” e sobreviveram. Duas orcas foram capturadas também na década de 70 e se recusaram a comer peixe durante 24 dias. Então, foram colocadas em um ambiente com outras baleias assassinas que comiam o alimento. Após 24 horas de convivência, as novatas passaram a se alimentar de peixe também.

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