Nós nunca nos preocupamos tanto com as mudanças climáticas. E agora?
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Nós nunca nos preocupamos tanto com as mudanças climáticas; E agora?

Pedro Katchborian em 20 de setembro de 2016

Nós nunca nos preocupamos tanto com o meio ambiente e as mudanças climáticas. A questão ambiental é tema de debates políticos, discussões de marcas e de muitas rodas de amigos. Fala-se em energia renovável, alimentação orgânica e reciclagem, mas como converter isso de maneira eficaz para tornar um planeta sustentável?

Uma pesquisa comprovou o crescimento da preocupação brasileira sobre o assunto: 96% dos brasileiros estão preocupados com o meio ambiente de alguma maneira. Realizada em maio de 2016, foram 1.306 entrevistados sobre o tema. Apesar do índice interessante, o grande problema vem na questão dos gastos: 41% das pessoas não compram alimentos orgânicos por que são caros, enquanto 42% não usam roupas sustentáveis pois são mais caras do que os artigos convencionais. André Nahur, coordenador do Programa Mudanças Climáticas e Energia da WWF, falou sobre essa conscientização:

A sociedade como um todo se preocupa com um todo sobre o que está acontecendo com a Terra. O que a gente precisa é de uma discussão mais aprofundada e da promoção das soluções. A preocupação é um primeiro passo para a ação.

Uma outra pesquisa, de 2012, mostrou a evolução da conscientização do brasileiro com o meio ambiente: há 20 anos, quase 40% dos entrevistados não sabiam opinar sobre problemas ambientais, sendo que o número aumentava para 60% com pessoas de 51 anos ou mais. Em 2012, esses números caíram para 6% entre os jovens e 16,5% entre os mais velhos. Em 2012, o meio ambiente apareceu no sexto lugar na lista das preocupações dos brasileiros. Seis anos antes, o tema aparecia na 12ª colocação e, em 1992, sequer era citado.

Mudanças climáticas: provas e mais provas do aquecimento global

A preocupação da sociedade em geral vem junto com um consenso da comunidade científica sobre o aquecimento global e as mudanças climáticos. Gráficos como esse do aumento da temperatura do planeta tornam a batalha por ações sustentáveis quase uníssona entre os pesquisadores. “Existe um consenso muito grande em relação a mudança climática no setor acadêmico”, diz André.

O relatório do painel de mudanças climáticas da ONU de 2015 chegou a três conclusões: a primeira é de que a influência humana no sistema climático é clara. A segunda é que quanto mais severas as mudanças climáticas são, mais irreversíveis são os impactos. Por último, vem a conclusão de que temos os meios para limitar as mudanças e fazer um futuro mais sustentável. O relatório foi escrito por mais de 800 cientistas de 80 países, reunindo mais de 30 mil artigos científicos. Essas conclusões praticamente enterram qualquer voz dos que afirmam que as mudanças climáticas e o aquecimento global eram uma farsa.

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Para André, as próprias pessoas já sentem na pele os efeitos. “Cada vez mais as pessoas estão vivenciando frequências de eventos extremos como picos de temperatura. Não tem como ir contra essa ideia”, afirma.

De fato, 2015 é o ano mais quente da Terra. O vídeo abaixo, feito pela NASA, mostra a evolução da temperatura desde 1880, quando esses índices começaram a ser medidos, e como essa tendência pode ser pior para os próximos anos.

A próxima década pode ser chave para o futuro do planeta

Se as últimas décadas foram dedicadas a conscientização da população e a chegada de um consenso científico sobre os problemas ambientais do nosso planeta, a próxima década precisa trazer soluções sustentáveis e converter a preocupação da sociedade em ação.

A solução vem de vários lugares, mas não é fácil essa transformação. É a transformação estrutural de um modelo de desenvolvimento. Por exemplo, quando eu tomo a decisão de consumir carne sem certificação, está gerando desmatamento na Amazônia. Quando eu decido andar de carro, tenho que saber que as emissões de gases são grandes problemas”, conta André.

Para ele, é necessário um grande comprometimento do país para promover essa transição. “O momento é de mostrar para população como um todo que esse modelo de baixas emissões é uma situação muito positiva para todos. Você vai ter uma mudança na sua qualidade de vida“, afirma. “A gente precisa mostrar de uma forma simples que precisamos ser parte de soluções. Mais do que isso, que essa agenda de mudanças não é um problema e sim uma solução“, completa.

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