Planeta verde: plantas se proliferam por causa das mudanças climáticas
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Planeta verde: plantas se proliferam por causa das mudanças climáticas

Camila Luz em 30 de novembro de 2016

A natureza é sábia. As mudanças climáticas causam aumento do nível do mar, secas e extinção de espécies. Mas também propiciam ambientes favoráveis para a proliferação de certas plantas que, por sua vez, contribuem para a redução da temperatura média e de seus efeitos.

A Terra ganhou o apelido de “Planeta Água”, ou “Planeta Azul”, depois que a equipe da Apollo 17 tirou uma das fotos mais famosas da história. A imagem mostra uma esfera azul sobreposta por pedaços marrons, com nuvens brancas flutuando acima.

Mudanças climáticas

Foto da Terra tirada pela equipe da Apollo 17. Foto: Nasa

Mas os tempos são outros e até a Terra mudou de aparência. Segundo o site da Economist,  uma onda de verde está se espalhando pelo globo. Conforme o planeta se aquece, locais que eram muito frios para a proliferação de plantas se tornaram mais hospitaleiros.

Essa vegetação extra exerce seus próprios efeitos sobre o clima. A conclusão é de um time de pesquisadores liderados por Trevor Keenan, do Lawrence Berkeley National Laboratory (Estados Unidos).

Como as plantas reduzem as mudanças climáticas

Segundo a Economist, os seres humanos emitiram cerca de 35,7 bilhões de toneladas de dióxido de carbono para o ar que respiramos em 2014. Esse número vem subindo acentuadamente desde meados do século 20, quando apenas cerca de 6 bilhões de toneladas de CO2 foram emitidas por ano.

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Como consequência, a concentração de CO2 na atmosfera também aumentou de cerca de 311ppm (partículas por milhão) em 1950 para mais de 400ppm em 2015. No entanto, a taxa de crescimento parece ter desacelerado desde a virada do século. De acordo com Keenan, entre 1959 e 1989, aumentou de 0,75ppm para 1,86ppm. Mas desde 2002, essa taxa mal se moveu. Em outras palavras, embora os seres humanos estejam bombeando mais CO2 do que nunca, pouco dele persiste no ar.

“Encher” a atmosfera com CO2 é como encher uma banheira sem tampa no ralo: o nível de água irá subir apenas se a quantidade que sair pelo ralo for inferior a que sair pela torneira. O oceano funciona como um ralo, retirando dióxido de carbono do ar. A fotossíntese, feita pelas plantas, também.

Nesse processo, o CO2 é convertido, com ajuda da água e da energia luminosa do sol, em açúcares, que são usados para produzir mais matéria vegetal, bloqueando o carbono em madeira e folhas. No final do século 20, cerca de 50% do gás carbônico emitido por seres humanos a cada ano foi removido da atmosfera dessa forma. Hoje, esse número já está perto de 60%. Os “sumidouros” de carbono da Terra parecem estar se tornando mais eficazes.

Através de análises feitas por programas de computador e satélites, a equipe de Keenan concluiu que o crescimento do número de plantas é a principal razão para a redução da concentração de dióxido de carbono na atmosfera. E isso faz sentido: conforme a concentração de CO2 aumenta, a fotossíntese se acelera. Estudos conduzidos em estufas descobriram que plantas fazem fotossíntese 40% mais rápido quando a concentração de CO2 no ar está entre 475 e 600ppm.

Porém…

São boas notícias, mas a fotossíntese só está reduzindo as mudanças climáticas, e não as extinguindo. O efeito é muito pequeno para conseguir erradicá-las e não vai durar, segundo Keenan.

Foto: Istock/Getty Images

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Infelizmente, os efeitos das mudanças climáticas serão cada vez mais intensos nos próximos anos. Os pedaços com muita água terão cada vez mais água, enquanto as partes mais secas se tornarão cada vez mais secas. Os extremos – secas e inundações – se intensificarão.

Além disso, os padrões de chuvas poderão mudar, tornando alguns lugares menos amigáveis às plantas que hoje prosperam. Embora se beneficiem do CO2 adicional a curto prazo, sofrem com as temperaturas cada vez mais elevadas.

Haverá outros efeitos mais complicados. Muito do esverdeamento ocorreu em pontos frios da Terra. No entanto, enquanto o gelo e a neve refletem a luz solar, a vegetação extra no Norte do planeta poderá levar a mais aquecimento. Isso poderia liberar grandes quantidades de metano —  um potente gás do efeito estufa – e causar descongelamentos.

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