O que as fazendas verticais dizem sobre o futuro da agricultura
fazendas verticais
Foto: Istock/Getty Images
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O que as fazendas verticais dizem sobre o futuro da agricultura

Kaluan Bernardo em 19 de outubro de 2016

É possível que a fazenda do futuro seja um grande prédio, no meio da cidade, com cara de fábrica, cheio de luzes artificiais, temperatura e umidade controlados, e plantas cultivadas em longas estantes. Pelo menos é o que indica a tendência das fazendas verticais.

As fazendas verticais nada mais são do que plantações em ambientes extremamente controlados que tentam imitar as condições naturais com o objetivo de maximizar e melhorar a produção agrícola.

Em New Jersey, nos Estados Unidos, está a AeroFarm, uma das maiores fazendas verticais do mundo. Com apenas 6 mil m², a empresa é capaz de produzir mais de 90 toneladas de folhas verdes ao ano. A empresa gastou mais de US$ 30 milhões.

Eles utilizam uma técnica chamada aeroponia, que é uma evolução tecnológica da hidroponia – quando a planta desenvolve suas raízes na água, dispensando o uso do solo.

Estudos indicam que tendência poderá movimentar até US$ 6,8 bilhões até o ano de 2022. Mas, por que as fazendas verticais são tendência?

Quais as vantagens das fazendas verticais

Entusiastas defendem que as fazendas verticais podem ajudar a atender a crescente demanda por alimentos em grandes cidades. Estima-se que até 2050 o mundo terá 9,7 bilhões de pessoas – 70% morando em áreas urbanas. Por serem cultivadas em cidades, as operações de transporte e, consequentemente, a quantidade de emissão de gás carbônico na venda das plantas, cai consideravelmente.

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Além disso, como tudo acontece em um ambiente controlado, as plantas não necessitam de agrotóxicos ou qualquer produto químico para cultivo. As plantações também são produtivas o ano todo, sem passar por baixas em períodos de inverno ou de tempestades. As fazendas verticais também podem fazer com que os terrenos utilizados pela agricultura sejam desocupados e voltem a ser florestas com mata nativa.

As fazendas verticais existem há um tempo. Em 2012, a primeira comercial foi criada em Singapura. Outros países, como o Japão, encontraram nesse modelo uma saída para as terras que foram contaminadas pela radiação.

As controvérsias em torno das fazendas verticais

Apesar de os entusiastas venderem a ideia de que a tecnologia representa o futuro das fazendas, há muitos motivos para discordar. Um deles é que, em fazendas verticais, ainda não é possível plantar alimentos que precisam de bastante espaço, como é o caso de tomates e grãos.

jardim vertical com diversas plantas

Foto: Istock/Getty Images

“As pessoas querem ser esperançosas, elas querem uma solução que funcione. Algumas pessoas pensam que é o futuro. Eu penso que é apenas outra produção tecnológica, eu não acho que irá mudar a agricultura”, diz Carolyn Dimitri, diretora de estudos sobre comida Universidade de Nova York, ao Guardian.

Ela não vê muita viabilidade econômica no modelo, que tem altos custos com tecnologia e energia elétrica, usada para iluminar as plantações. Os entusiastas, no entanto, apostam na queda dos preços da tecnologia e da eletricidade, principalmente graças às lâmpadas LED.

Já para outro pesquisador de alimentos da Universidade de Nova York, Marion Nestle, há preocupação com a falta de terra. “Eu me preocupo com os nutrientes no solo que não são reproduzidos em sistemas artificiais. E também há a questão do sabor. O solo influencia o sabor”, diz à revista Fast Company. Apesar disso, ele acha que as fazendas verticais poderão sim ser uma resposta em cidades que não têm onde plantar.

Dickson D Despommier, microbiólogo na Universidade de Columbia e defensor das fazendas verticais, vê a tendência como nicho. “É uma tecnologia que veio para os ricos. Já é popular em lugares como o Japão e países no Centro Leste que querem reduzir sua dependência em importação de comidas”, comenta ao Guardian. “O que vemos aqui não é algo que irá revolucionar toda a indústria das fazendas, mas um nicho particular”, conclui.

 

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