Microacessibilidade: o que é e como pode melhorar o transporte público
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Foto: Istock/Getty Images
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Microacessibilidade: o que é e como pode melhorar o transporte público

Kaluan Bernardo em 28 de julho de 2016

Como é o caminho da sua casa até o ponto de ônibus? É tranquilo chegar na estação de metrô mais próxima do trabalho? Os entornos da estação de trem que você frequenta são seguros? Essas perguntas e suas respostas entram em um conceito chamado microacessibilidade — a que determina o fluxo de um ponto até a via de entrada de um transporte público.

A WRI Brasil Cidades Sustentáveis, uma ONG sem fins lucrativos que trabalha para ajudar a implementar soluções de desenvolvimento urbano sustentável, escreveu um texto sobre o assunto e define o conceito:

Esse tipo de fluxo, que compreende o percurso final ou inicial de um deslocamento complementar ao transporte coletivo ou particular, realizado para acessar os espaços urbanos que se encontram nos ambientes públicos das cidades, em geral realizados a pé, é chamado de microacessibilidade.

Quanto menor o tempo para você chegar ao veículo que te levará a seu destino final, melhor a microacessibilidade. Não adianta ter boas linhas de metrô ou redes de ônibus se chegar até eles for complicado. Muitas vezes, pelo caminho ser perigoso ou inacessível a alguém com mobilidade reduzida (como um idoso ou cadeirante) a pessoa acaba optando pelo carro em vez do transporte público.

A necessidade de melhorar a microacessibilidade

homem descendo de ônibus azul

Foto: Istock/Getty Images

“Entender o direito de ir e vir nas cidades do século XXI requer uma análise que vá além da visão da engenharia de tráfego e da circulação de veículos nas vias. Ela envolve relações complexas entre o cidadão e os sistemas de transportes disponíveis, do uso e a ocupação do solo urbano e principalmente da configuração espacial do meio urbano”, escreve a arquiteta Yara Baiardi em artigo do site Mobilize Brasil.

Ela estudou o caso da estação de trem Santo Amaro, em São Paulo, e conclui que a fragmentação dos transportes urbanos no entorno, assim como a falta de identidade local e a falta de sinergia com o trem, fazem com que o transporte público não seja incentivado.

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Outro estudo feito na região analisou o entorno das estações Berrini, Vila Olímpia e Santo Amaro, também em São Paulo. Foram levados em conta a acessibilidade e segurança dos pedestres e ciclistas. O estudo, desenvolvido pela WRI Brasil, identificou uma série de “áreas de conflito” — aquelas que não incentivam o uso das estações de trens. Entre os problemas apontados pelos pesquisadores estavam travessias inseguras para pedestres, calçadas estreitas e sem iluminação e rotatórias mal sinalizadas.

A pesquisa perguntou para os usuários dos trens como eles se sentiam em relação ao risco de atropelamento e de assalto no entorno das estações. Em ambos os casos, mais de metade das respostas foram negativas. A avaliação sobre a qualidade geral das calçadas também não foi boa:

gráfico sobre as calçadas

Gráficos do Diagnóstico e Propostas para a Melhoria da Microacessibilidade. Foto: Reprodução

“Além da importância da presença de rampas de acesso, elevadores, espaço para embarque e desembarque de passageiros, entre outros elementos no interior das estações, o lado de fora é tão relevante quanto”, diz ONG WRI Brasil.

E você, já pensou sobre a microacessibilidade e o quanto ela é importante para você e para a cidade?

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