A pobreza para além de poder aquisitivo: afinal, o que é?
o que é pobreza
Foto: Istock/Getty Images
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6 elementos definem o que é pobreza para além de poder aquisitivo

Camila Luz em 7 de dezembro de 2016

Economistas e sociólogos sempre definiram o que é pobreza com base em poder aquisitivo e renda. Agora, uma nova pesquisa mostra que há múltiplos componentes para descrever a condição econômica de diferentes grupos sociais com mais precisão.

“’Privação’ é mais do que simplesmente ter baixa renda”, diz Shatakshee Dhongde, professora de economia do Georgia Institute of Technology (Estados Unidos), segundo o site Futurity. A especialista é autora do estudo publicado no jornal Social Indicators Research em junho deste ano. A pesquisa redefine o que é pobreza ao concluir que cerca de 15% dos estadunidenses enfrentam múltiplas formas de privação.

O que é pobreza hoje

A pesquisa analisa a privação nos Estados Unidos desde a recessão econômica, entre 2008 e 2013. “Esse estudo aborda o que é pobreza de nova forma”, diz Dhongde. “Nós tentamos identificar o que está faltando na literatura sobre pobreza, e medir a privação em seis dimensões: saúde, educação, padrão de vida, segurança, conexões sociais e qualidade de moradia”.

Segundo a professora, ao olhar para a privação a partir dessas dimensões, é possível montar um quadro mais real sobre o que é pobreza hoje e como vivem as família nessa situação.

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A pesquisa mostra que enquanto a taxa oficial de pobreza baseada em renda média é de 13,2% da população, o índice de privação multidimensional é de 14,9%. Quando colocados lado a lado, o novo estudo trouxe melhor reflexo do estado econômico da população do que análises baseadas apenas em renda.

Além disso, ao analisar diferentes aspectos básicos da vida do ser humano, foi possível identificar o que mais faz falta na vida do estadunidense hoje. “A falta de instrução, o fardo de manter uma moradia e a falta de seguro saúde são algumas dimensões das quais os americanos são mais privados”, Dhongde diz.

Curiosamente, não havia muito sobreposição entre os indivíduos pobres em termos de rendimento e aqueles que eram privados em múltiplas dimensões. Além disso, quase 30% das pessoas com renda ligeiramente acima do limiar da pobreza também sofreram privações múltiplas. A análise ressalta a necessidade de olhar para além das estatísticas de pobreza baseadas na renda para entender de forma plena no que se baseia o bem-estar dos indivíduos.

O que precisa mudar para que os EUA – e outros países – lidem melhor com a pobreza

O estudo descobriu que a grande privação nos Estados Unidos está nos campos da educação, moradia e saúde. Essa relação é ainda mais forte nas regiões Oeste e Sul do país, citando especialmente populações asiáticas e hispânicas. Indivíduos desses grupos são os que sofrem com menor acesso.

A partir da análise, há várias recomendações que podem ser feitas. Em primeiro lugar, a redução significativa da pobreza  pode ser alcançada a partir da implementação de políticas relacionados ao acesso ao seguro saúde, que deve ser opção para indivíduos de todos os grupos sociais e financeiros. Também é preciso melhorar as taxas de conclusão do Ensino Médio, especialmente entre os hispânicos, e limitar os custos de habitação.

“Ao olhar para um conjunto mais amplo de critérios do que apenas renda, as decisões políticas são mais claras e as soluções podem ser mais facilmente identificadas”, conclui Dhondge.

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