Restam 300 onças-pintadas na Mata Atlântica; por quê?
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Foto: Istock/Getty Images
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Restam 300 onças-pintadas na Mata Atlântica; como chegamos até aqui

Kaluan Bernardo em 21 de fevereiro de 2017

A Mata Atlântica já foi lar de uma das maiores biodiversidades da Terra. Hoje é conhecida como “fauna invisível”, apelido cunhado pelo fotógrafo Luciano Candisani, que passou anos fotografando os animais locais. Cada vez mais, encontrar os moradores da floresta é tarefa difícil – sinal dos processos de extinção pelos quais os bichos estão passando.

A onça pintada, o maior felino da América do Sul, é um dos mais ameaçados. Hoje há menos de 300 da espécie na Mata. É o que indica uma pesquisa recente, publicada na revista Nature. O levantamento é considerado um dos mais completos sobre o tema e compara dados de 14 grupos de pesquisa diferentes.

O principal motivo para a extinção é a perda de território. Ao todo, 85% do habitat da onça pintada foi destruído e apenas 7% continua em boas condições. O animal ainda vive em áreas pouco densas. Os pesquisadores só notaram três núcleos nos quais devem existir populações com mais de 50 onças pintadas.

“Perda e fragmentação de habitat são as principais causas de declínio das onças-pintadas, mas a mortalidade induzida pelo homem é a principal ameaça às populações remanescentes”, diz o estudo. Muitas das sobreviventes são alvo de caçadores e fazendeiros. A maioria das onças pintadas, estimam os pesquisadores, morreram entre 1900 e 1980.

Para que a floresta não se torne a primeira do mundo a ter seu principal predador extinto, os pesquisadores recomendam uma série de cuidados específicos, como a criação de zonas de proteção.

Veja no mapa onde ainda são encontradas algumas das onças:

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Foto: Reprodução

Fauna é invisível, mas viva

Nem sempre foi assim. A Mata Atlântica original tinha mais de 1,7 milhões de quilômetros quadrados – 15,1% foi classificado como habitat para as onças pintadas. A parte brasileira da floresta na qual vivia a onça foi a mais danificada: perdeu 87% da área, seguida por Paraguai (64%) e Argentina (39%).

Do que restou do seu habitat, 27% está fragmentado em 12.608 espaços menores do que 100 quilômetros quadrados, 43% em 305 fragmentos entre 100 quilômetros quadrados e 1.000 quilômetros quadrados, e 29% em 35 grandes terrenos maiores do que 1.000 quilômetros quadrados.

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O quadro leva os animais ao isolamento, deixando-os ainda mais frágeis e vulneráveis à ação humana.  Para conservá-los é necessário permitir que eles permaneçam unidos em regiões grandes, em uma comunidade fortalecida. É necessário proteger o animal especialmente de caçadores, diz a publicação.

“A matança de onças-pintadas na Mata Atlântica é frequente, especialmente por caçadores que consideram a matança uma espécie de troféu ou por fazendeiros que as eliminam como retaliação por ataques aos gados”, escrevem os pesquisadores.

Apesar de todos os estragos causados pelo homem, a fauna da Mata Atlântica continua viva. Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo mostra como cientistas montam “armadilhas fotográficas” para conseguir raras imagens dos animais. Desde 2011 eles têm conseguidos muitos resultados, demonstrando que, embora reduzida e invisível, a fauna ainda continua lá, viva.

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