Ossos e ovos podem se tornar materiais de construção no futuro
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Foto: Istock/Getty Images
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Ossos e ovos podem se tornar materiais de construção da cidades do futuro

Kaluan Bernardo em 15 de julho de 2016

Enquanto engenheiros pesquisam como criar aço e concreto de forma mais sustentável, pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, apostam em dois materiais de construção inusitados para as cidades do futuro: ossos e cascas de ovo.

O concreto e o aço hoje são responsáveis por quase um décimo das emissões de dióxido de carbono no mundo. Eles são processados a altíssimas temperaturas — o que exige bastante energia e acaba gerando gases poluentes. O problema é que as cidades são completamente dependentes desses materiais.

prédio em construção

Uso de novos materias ajudam a minizar os impactos da emissão de dióxidos de carbono. Foto: Istock/Getty Images

A Drª Michelle Oyen, do Departamento de Engenharia de Cambridge está tentando desenvolver, dentro de laboratórios, ossos e cascas de ovos — feitos de minerais, proteínas e colágeno — para construções.

Para a engenheira, o segredo está em imitar a natureza. “Engenheiros tendem a jogar muita energia em problemas, enquanto a natureza joga informações nos problemas — eles definitivamente fazem coisas diferentes”, disse ao site da Universidade de Cambridge.

Apesar de ocasionalmente quebrarem, os ossos são materiais um tanto resistentes e com uma propriedade única: eles podem se curar. Os engenheiros de Cambridge estão tentando imitar essas propriedades usando as proteínas para deixarem os ossos artificiais ainda mais resistentes.

As vantagens e as desvantagens dos novos materiais de construção

Enquanto os ossos são feitos por quantidades iguais de proteínas e minerais, os ovos são 95% minerais. Podem não parecer, mas eles são um tanto quanto resistentes se você levar em consideração o quão fina é a casca de um ovo. Se fosse grossa como uma parede seria difícil quebrá-la.

Além disso, ambos contam com colágeno, um dos materiais mais comuns na natureza. Oyen, no entanto, ainda não conseguiu fabricar colágeno artificial e depende dos que são encontrados em animais. Agora tenta criar um polímero semelhante e que tenha as mesmas propriedades. Se um dia sua equipe conseguir produzir ossos e cascas de ovos em larga escala, ela acredita que precisará de muito menos energia para a criação e, portanto, emitirá menos gases poluentes.

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Os maiores desafios, no entanto, é convencer a indústria de construções, que Oyen considera um tanto conservadora. Ao site da Cambridge ela diz:

Todos os padrões existentes de construção foram desenhados com concreto e aço em mente. Construir prédios inteiramente a partir de novos materiais pode fazer você repensar completamente a indústria inteira. Mas se você quer fazer algo realmente transformador para reduzir as emissões de carbono, então eu acho que isso é necessário. Se vamos fazer uma grande mudança, repensar tudo é o que precisa ser feito.

Oyen não está sozinha em sua missão de olhar para materiais naturais de construção na Universidade de Cambridge. Dr Michael Ramage, do Departamento de Arquitetura, está tentando usar madeira para a construção de grandes prédios.

Segundo ele, apesar do desmatamento, a madeira é menos impactante que concreto e aço, uma vez que ela é considerada material renovável. Além de poder ser reciclada, a madeira é mais leve e compacta, reduzindo os esforços de logística e, consequentemente, a necessidade de caminhões nas ruas.

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