Parque Nacional da Gorongosa mostra como salvar um ecossistema
Parque Nacional da Gorongosa
Foto: Istock/Getty Images
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Parque Nacional da Gorongosa mostra como salvar um ecossistema

Pedro Katchborian em 19 de março de 2017

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Nos anos 60, o Parque Nacional da Gorongosa, no Moçambique, era símbolo da diversidade da fauna. O local era tão rico em animais que o slogan do parque era “onde Noé deixou a Arca“. No entanto, Moçambique viveu dias de terror durante três décadas: com a Guerra Civil, o Parque foi duramente atingido. Os animais foram mortos por caçadores ou pela população faminta.  Quase 90% de toda a população animal foi dizimada. A guerra se encerrou em 1992.

Quem conta essa história é Greg Carr, empresário e filantropo, na Nautilus. Ele é o maior investidor para a reestruturação do local. Carr já havia visitado Moçambique, mas explica que toda essa sensibilização com o parque começou na Zâmbia. “Eu fiz um safári e aconteceu o que acontece com todos que fazem safáris: senti que sou só um ser humano, apenas um entre milhares de espécies”, afirma.

Think Like A Scientist: Gorongosa from Nautilus on Vimeo.

Percebendo que não havia feito um safári em Moçambique, Greg começou a pesquisar e entendeu o motivo de não existir ecoturismo no país. O empresário descobriu que as espécies ficaram à beira da extinção com a guerra e que mais de 1 milhão de pessoas morreram na ocasião.

Apesar disso, ele sabia que o habitat estava intacto. Ele explica que viu “uma paisagem vazia” ao sobrevoar o local de helicóptero. No entanto, montanhas, lagos e florestas mostravam que aquele espaço estava em perfeitas condições de receber novos animais. “Esse poderia ser um parque magnífico de novo, só precisava de um pouco de ajuda”, afirmou, imaginando que um trabalho poderia ser feito no local.

Com mais de 4.000 km², o Parque Nacional da Gorongosa pode ter um impacto que vai além de uma vida animal preservada. “Eu pensei: se revivermos o Parque Nacional, vamos restaurar o ecossistema, mas também vamos criar muitos empregos”, afirma. “Ao restaurar a vida animal do Parque, os moçambicanos podem crescer a sua economia com ecoturismo e ciência”, diz.

Vale lembrar que Moçambique é um dos países com menor índice de desenvolvimento humano, ocupando a 180ª posição no ranking mundial.

A restauração do Parque Nacional da Gorongosa

Greg recebeu o convite de ajudar Moçambique e financiar a reestruturação do Parque Nacional da Gorongosa. Em 2008, a fundação do empresário assinou um contrato de 20 anos para proteger e gerenciar o parque. Estima-se que o filantropo já tenha investido mais de US$ 40 milhões para a restauração.

A recuperação do parque começou em 1994, quando o Banco Africano de Desenvolvimento (ADB) iniciou o plano de reabilitação. Apesar disso, as mudanças só foram vistas mesmo nos anos 2000, após o início do acordo entre o Governo do Moçambique e a Carr Foundation. Os primeiros animais introduzidos foram os búfalos e bois-cavalos.

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Desde 2008, quando foi assinado o contrato de 20 anos com Carr, o trabalho feito transformou o espaço: além da colocação de diferentes espécies de animais, grande parte do investimento tem sido fora do parque, pensando nas pessoas que vivem no entorno. A ideia é investir em ciência e mandar estudantes locais para fora do país, para que possam se formar e voltar para contribuir com as pesquisas no parque.

Carr conta que, atualmente, o espaço está preparado para receber safáris. “Fizemos uma contagem e existem cerca de 72 mil animais no espaço”, afirma.

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