Por que cientistas querem a desextinção de espécies?
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Orangotango-de-sumatra Foto: Istock/Getty Images
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Por que cientistas querem a desextinção de espécies?

Kaluan Bernardo em 8 de outubro de 2016

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Todos os dias entre 30 e 159 espécies são extintas — a maior parte graças à ação humana. Desde 1500, mais de 300 tipos de répteis, aves e mamíferos foram completamente eliminados da face da Terra. E se pudéssemos reviver algumas dessas espécies em um processo de “desextinção”? Deveríamos? Qual seria o impacto no meio ambiente? Seria ético e moral? Os investimentos compensariam?

Essas são algumas das perguntas que cientistas têm feito nos últimos anos.  Avanços no sequenciamento genético, na bioengenharia e na biotecnologia levantam debates sobre quais espécies devem voltar e quais ainda não devemos mexer.

O que está em jogo com a bioengenharia e a desextinção

Segundo a publicação científica Science, ao menos dois animais estão no centro do debate da desextinção: o mamute e o pombo-passageiro. O primeiro foi extinto há mais de 4 mil anos, enquanto o segundo foi por volta de 1900.

Mas por que revivê-los? Por motivos ecológicos. Cada animal tem uma função no ecossistema. E quando ele é extinto, se não houver uma espécie semelhante, o meio ambiente é completamente alterado. Foi o que aconteceu com a extinção do mamute e do pombo.

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George Church, da Universidade de Harvard e um dos principais pesquisadores envolvidos no processo de desextinção do mamute, disse à revista Science que o animal poderá trazer de volta aos Árticos as tundras que existiram durante a última Era do Gelo. Sem os mamutes, essas tundras passaram a derreter e lançar dióxido de carbono na atmosfera e, consequentemente, acelerando o aquecimento global.

Por outro lado, os pombo-passageiros foram os animais muito comuns no século 19. Estima-se que existiam 5 bilhões no mundo. Eles eram essenciais para espalhar sementes de árvores. Desde que se foram, as florestas nunca mais foram as mesmas.

Como você promove a desextinção?

Há ao menos três principais formas de promover a desextinção.

tartaruga-de-galápagos

tartaruga-de-galápagos Foto: Istock/Getty Images

Uma delas inclui encontrar animais sobreviventes com traços similares às espécies extintas. Os cientistas cruzam esses animais até conseguir chegar ao resultado mais próximo possível do extinto. Embora o resultado não seja exatamente o mesmo, pode funcionar no sentido de recuperar a função ecológica da espécie que se foi. Pesquisadores estão tentando fazer isso com uma tartaruga-de-galápagos, que deverá ser 95% igual à extinta.

A segunda forma é a clonagem. Cientistas acreditam que extraindo o núcleo de uma célula preservada de um animal recentemente extinto eles podem implantá-lo no ovo de uma espécie semelhante. Em 2007 fizeram isso com um Íbex-dos-pirenéus, uma cabra da cordilheira. No entanto, a espécie viveu apenas sete minutos. Essa opção não é válida para animais que foram extintos há muito tempos — o que a torna impraticável para os mamutes, por exemplo.

Por fim, há a engenharia genética. Usando técnicas de sequenciamento de DNA e de edição, como o CRISPR-9, cientistas pretendem parear o gene dos animais extintos com outros vivos e assim criar um híbrido semelhante ao da espécie extinta. Os projetos ainda estão distantes. O pombo-passageiro, um dos mais próximos de ser desextinto, deverá voltar apenas em 2025.

As discussões envolvidas na desextinção

Uma das primeiras discussões que surgem quando falamos em desextinção é justamente quais espécies precisam voltar.

Douglas McCauley, ecologista da Universidade da Califórnia, defende três critérios para escolher os animais que voltariam: priorizar espécies com funções únicas, que foram extintas recentemente, e que podem impactar positivamente o ecossistema.

Há vários riscos em jogo. Um deles é que a edição de genes saia de controle. É possível controlar a quantidade de mamutes na Sibéria – afinal a reprodução deles é menor. Mas, no caso, se alguém um dia quisesse desextinguir espécies de ratos, por exemplo, seria mais complicado. Eles poderiam se reproduzir rapidamente e, acidentalmente, teríamos criado uma praga.

Além disso, é arriscado usar a desextinção como ferramenta para minimizar os efeitos da extinção. “Se perdemos de vista a verdadeira gravidade da extinção e incentivarmos a desextinção como ferramenta de mitigação, poderá ser muito fácil criar florestas, savanas e oceanos cheios de espécies frakensteins e ecozumbis”, diz McCauley à Scientist.

Ainda assim, cientistas acreditam que, se tudo for feito com cuidado, os benefícios poderão superar os riscos.  Stewart Brand, bioengenheiro, é um desses. Veja sua emocionante defesa à desextinção no TED abaixo:

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