O aumento do nível do mar é pior do que se pensava
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Foto: Reprodução/Climate Central
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Por que o aumento do nível do mar é pior do que se pensava

Kaluan Bernardo em 4 de dezembro de 2016

Se o mundo aquecer mais do que 2ºC nos próximos anos, o nível do mar irá subir mais do que em qualquer época já vista na história da humanidade. Estudo publicado no início de novembro diz que as cidades mais afetadas serão as da Costa Atlântica da América do Norte.

Ficar abaixo do 2ºC de aquecimento é justamente a proposta firmada no Acordo de Paris em 2015. O compromisso é urgente. Ele coloca como teto o aquecimento de 2ºC até o final do século. No entanto, se continuarmos no ritmo atual o planeta alcançará esse limite já em 2040 — fazendo com que, em algumas regiões, o mar chegue a subir 30 centímetros, segundo a pesquisa.

O aquecimento global pode aumentar ainda mais o nível do mar

Isso seria só o começo. Nos próximos 40 anos, entre 2040 e 2080, o mundo poderá dobrar a velocidade e chegar aos 4ºC de aquecimento, levando o mar a subir até 60 centímetros na média global — mas em muitas cidades costeiras pode ser pior.

“Basicamente, demoramos 200 anos para aquecer nosso planeta em 2ºC, e agora faremos isso em 40 anos. Isso mostra uma escala completamente diferente do que está acontecendo”, disse Svetlana Javrejeva, autora líder do estudo e pesquisadora no Centro Nacional de Oceanografia do Reino Unido, ao jornal The Washington Post.

Para colocar em perspectiva, a ONG Climate Central projetou como ficariam algumas das principais cidades costeiras do mundo no caso de o mundo aquecer 2ºC ou se aquecer 4ºC. Confira abaixo:

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Londres antes. Foto: Reprodução/Climate Central

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Londres depois. Foto: Reprodução/Climate Central

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Sidney antes. Foto: Reprodução/Climate Central

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Sidney depois. Foto: Reprodução/Climate Central

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Shangai antes. Foto: Reprodução/Climate Central

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Shangai depois. Foto: Reprodução/Climate Central

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Rio de Janeiro antes. Foto: Reprodução/Climate Central

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Depois Foto: Reprodução/Climate Central

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Mumbai antes.Foto: Reprodução/Climate Central

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Depois Foto: Reprodução/Climate Central

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Nova Iorque antes. Foto: Reprodução/Climate Central

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Depois Foto: Reprodução/Climate Central

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Durban antes.Foto: Reprodução/Climate Central

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Depois Foto: Reprodução/Climate Central

Números de aquecimento global eram subestimados

O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas acreditava que, no pior cenário possível de mudanças climáticas (com aquecimento de 2ºC em 2040 e 5º C em 2100), em algumas regiões o mar subiria um metro até 2100.

No entanto, diversos cientistas consideram a projeção conservadora. Outras pesquisas chegaram a dizer que o número seria o dobro, principalmente por conta do rápido degelo na Antártica.

O estudo do início de novembro vai na mesma linha de mostrar que o cenário é pior do que se esperava — especialmente porque certas regiões do planeta estão mais sujeitas às mudanças graças à circulação dos oceanos e redistribuição de massa pelo planeta.

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A pesquisa analisou 33 modelos de predição das mudanças climáticas e percebeu que, na maioria das cidades costeiras, o mar deverá subir muito mais do que na média global.

A velocidade em que o mar vai subir deverá aumentar não só pelo derretimento de geleiras da Antártica, Ártico e Groenlândia. Tad Pfeffer, pesquisador da University of Colorado, diz à revista Scientific American que o derretimento de outras geleiras ao redor do mundo estão contribuindo para o aumento do nível dos mares no mesmo nível que o derretimento do Ártico.

“O alto nível de poluição desse cenário não visto pode ameaçar casas de centenas de milhões com inundações crônicas e a submersão permanente nesse século”, disse Ben Strauss, estudioso do aumento dos níveis do mar na Climate Central, ao Washington Post. No entanto, ainda há esperança de amenizar os cenários. “Essa pesquisa nos traz evidências de que grandes cortes na poluição de carbono podem drasticamente reduzir o perigo para cidades costeiras no mundo”, comenta.

O problema é que Donald Trump, o atual presidente eleito dos Estados Unidos, diz que tudo não passa de um boato criado pelos chineses e ameaça não cumprir o compromisso. Caso isso aconteça, os esforços poderão ser todos em vão.

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