Quais os reais e pouco óbvios benefícios da agricultura urbana
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Foto: iStock/GettyImages
Sustentabilidade > Na Rua

Os reais benefícios da agricultura urbana

Kaluan Bernardo em 30 de outubro de 2016

Durante a 2º Guerra Mundial, nova-iorquinos tinham “jardins da vitória” – locais dentro das cidades onde plantavam seus alimentos. Estima-se que 40% do que comiam vinha de plantações internas. Hoje, em diversos países além dos Estados Unidos, a agricultura urbana parece ganhar força novamente.

Seus defensores argumentam que tais movimentos podem trazer benefícios ecológicos para as cidades, reduzir a emissão de gases poluentes e ainda se tornar uma solução para evitar que, com mais concentração urbana, pessoas fiquem famintas. Talvez muitos dos benefícios da agricultura urbana sejam pouco óbvios, porém não menos importantes.

Os benefícios da agricultura urbana parecem ser mais sociais

Pesquisadores da Universidade de John Hopkins, nos Estados Unidos, fizeram uma extensa revisão de literatura de pesquisas publicadas sobre o tema. Em linhas gerais, perceberam que a agricultura urbana não é a solução para alimentar a cidade e nem todos benefícios ambientais são reais. Por outro lado, os benefícios reais incluem aspectos culturais e sociais.

Para o estudo, eles contemplaram como agricultura urbana tudo o que é plantado dentro de cidade – indo de hortas em escolas e plantações comunitárias a tetos verdes e fazendas verticais.

“Encontramos uma série de benefícios da agricultura urbana. Mas você precisa tomar cuidado para não superestimar as coisas. Se a agricultura urbana for vendida como algo que criará todos esses empregos ou alimentará cidades inteiras – e não o fará – você poderá perder apoio rapidamente”, diz Raychel Santo, uma das responsáveis pelo estudo ao site Vox.

A pesquisa diz, por exemplo, que segurança alimentar não é uma questão atendida pelo modelo. “Experts apontam que o aumento do consumo e produção não representa um efeito significativo em geral na comunidade ou na qualidade das dietas”, diz o estudo. “Segurança alimentar não é o objetivo principal para a maioria dos participantes e apoiadores das hortas comunitárias e fazendas urbanas. E não deveria ser promovido como”, dizem os autores.

Por outro lado, os benefícios sociais são dos mais variados. Eles “melhoraram a estética dos bairros, a redução de crimes e coesão da comunidade”, comenta. Ficar ao lado de um vizinho, plantando e colhendo, pode ser uma atividade extremamente conciliadora. Os pesquisadores dizem que hortas comunitárias “estabelecem pontes, reduzem tensões e alimentam a integração social entre grupos outrora segregados”.

A pesquisa ainda ressalta também que as hortas comunitárias podem “servir como espaços para educação, desenvolvimento juvenil, e treinamento de habilidades e força de trabalho”.

No entanto, ao menos nos Estados Unidos, esses benefícios ainda são restritos a determinados grupos. A maioria dos estudos analisados mostram que a agricultura urbana é liderada por pessoas brancas que, embora plantem em bairros negros e latinos, acabam as excluindo. “É essencial que os moradores dessas comunidades afetadas pelos projetos de agricultura urbana não só sejam consultados como completamente empoderados em liderança e tomada de decisões ao máximo possível”, dizem os autores.

Foto: iStock/GettyImages

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Os benefícios ambientais e culturais da agricultura urbana

Os defensores da agricultura urbana normalmente dizem que se reduz a distância do plantio ao prato e, consequentemente, os gases poluentes emitidos; também se diminui o uso de pesticidas e a pressão em fazendas; além disso, mais plantas na cidade ajudam a purificar o ar e controlar a temperatura. Também há os benefícios da compostagem de resíduos orgânicos; a redução de desperdício de energia; e menos poluentes emitidos por maquinários pesados. Por fim, a agricultura urbana pode atrair abelhas e outros agentes de polinização, melhorando ainda mais o ecossistema local.

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Os pesquisadores endossam que há tais benefícios. No entanto, também alertam para uma série de contrapesos nas plantações urbanas. “Por exemplo, o uso indiscriminado de fertilizante ou aplicação de compostos pode poluir a água superficial ou fazer as águas de chuvas ficarem carregadas nitrogênio, fósforo e potássio”, afirmam. “A pequena escala e a natureza fragmentada da agricultura urbana tende a ser menos eficiente do que largas operações no uso de água, fertilizantes e outros”, concluem.

Eles ainda afirmam que, mais importante do que reduzir a distância do transporte, é pensar o como as pessoas comem e de que forma esses alimentos são produzidos. Além disso, em alguns casos podem ser usados fertilizantes e pesticidas menos eficazes, capazes de poluir o meio ambiente.

Raychel aponta outro benefício, de ordem cultural, à agricultura urbana: “Ela pode reconectar as pessoas ao como se planta comida”. Assim os indivíduos se conscientizam sobre seus desperdícios e sobre toda a cadeia envolvida em levar aquele alimento até seu prato.

Ha dificuldades em mensurar a conscientização das pessoas. Mas, sabemos que, além de ajudar a evitar o desperdício, mexer com a terra e plantações, ainda tem uma série de benefícios de ordem psicológica — essenciais para construirmos umas sociedade ambientalmente mais preocupada.

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