Qual a relação entre velocidade e felicidade nas cidades
empty floor with backdrop on modern cityscape at sunrise time
Foto: iStock/GettyImages
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Qual a relação entre velocidade e felicidade nas cidades

Kaluan Bernardo em 6 de novembro de 2016

As pessoas são mais felizes quando estão conectadas umas às outras. E isso acontece quando elas vivem vidas mais calmas — o que é mais comum em cidades cujo design proporciona tal tipo de experiência. Essa é a tese central dos urbanistas Charles Montgomery e Omar Dominguez.

Eles trabalham na Happy City, uma organização que busca criar um “design feliz” para as cidades. A iniciativa nasceu em 2013 após Montgomery lançar um livro com o mesmo nome, mostrando diversos dados e experimentos de psicologia, neurociência e saúde pública sobre o tema.

“Se nós nos importamos um pouco com o bem-estar nas cidades, precisamos estudar os efeitos emocionais de espaços e sistemas”, diz Montgomery ao jornal The Guardian. “Precisamos de evidências para nos ajudar a corrigir os péssimos erros que fizemos ao longo do último século”, declara.

Foto: iStock/GettyImages

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Montgomery e sua equipe fizeram um experimento em Seattle, nos Estados Unidos, e perceberam que pedestres são quatro vezes mais propensos a ajudar turistas em ruas “vivas”, com restaurantes e comércio, do que em ruas vazias onde tendem a caminhar mais rapidamente.

“Nós acreditamos que gentileza é resultado da velocidade. Pessoas são melhores umas com as outras quando elas se movem mais lentamente e conseguem tempo para estabelecer contato”, comentou o pesquisador.

Um outro urbanista, Donald Appleyard, propôs em 1969 que veículos isolam as pessoas uma das outras e diminuem as conexões humanas. Suas pesquisas foram replicadas em Nova York no ano de 2005 e revelaram que, em ruas onde o tráfego era leve as pessoas conviviam mais. Nas vias em que passavam uma média de 2 mil veículos por dia, cada pessoa dizia ter três amigos na vizinhança e uma média de 6,3 conhecidos; já numa rua com 15 mil carros por dia, o número caía para 0,9 amigos por pessoa e 3,1 conhecidos.

Como criar cidades mais felizes

A Happy City faz experimentos dos mais diversos para descobri o que, afinal, deixa alguém mais feliz. Em Punawale, na Índia, por exemplo, eles investiram em ruas silenciosas, seguras e amigáveis para pedestres andarem e comprarem.

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Na Cidade do México, conhecida pela sua violência, passaram três dias conversando com políticos, arquitetos, urbanistas e moradores. Perceberam que a segurança pública era vital. “O que as pessoas fazem quando estão preocupadas é fortificar. Na verdade, uma das melhores coisas que você pode fazer é criar um senso de confiança e calma”, comenta Dominguez ao The Guardian.

No final dos três dias, as recomendações não incluíam necessariamente mais policiamento, mas a criação de um novo museu e a valorização de uma arena de lucha libre— patrimônio cultural dos mexicanos.

“Construir lugares mais saudáveis e felizes não é mais caro. Na verdade, esses locais acabam economizando dinheiro no longo prazo”, defende Montgomery. Afinal, pessoas mais conectadas socialmente são mais resilientes, mais alegres e mais produtivas — fazendo a economia girar melhor. Quanto mais as pessoas se conhecem, mais confiam uma nas outras e mais criativas se tornam.

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