Contaminação e clandestinidade: os riscos para o Aquífero Guarani
aquífero guarani
Foto: Istock/Getty Images
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Contaminação e clandestinidade: os riscos para o Aquífero Guarani

Pedro Katchborian em 17 de setembro de 2016

O Aquífero Guarani é o segundo maior do planeta e tem sido considerado uma esperança para um futuro possivelmente escasso em recursos. Segundo estimativas, os poços e rios do aquífero poderiam abastecer a população brasileira por incríveis 2,5 mil anos.

O local, que tem uma extensão de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, foi cogitado como a solução para a falta de água em São Paulo durante a crise hídrica na capital paulista, por exemplo. Atualmente, o sistema já abastece 80% dos municípios do Estado de São Paulo. O problema é que esse enorme potencial pode estar ameaçado pela clandestinidade e pela contaminação.

Cinthia Leone dos Santos, que tem publicado o artigo “Aquífero Guarani: atuação do Brasil na negociação do acordo”, falou ao Instituto Humanitas Unisinos sobre a situação do Aquífero. “Ele é visto como uma reserva de água para o futuro, mas já é intensamente usado no Brasil”, diz. Cinthia conta que já há quem use os poços de maneira clandestina e sem fiscalização.

Há poluição e exploração acima da capacidade de recarga das regiões.

Além de falar sobre essa situação irregular, Cinthia contou sobre o acordo que regula a utilização dos recursos do aquífero, assinado por Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil, todos países em que o aquífero tem território. Ela conta que, durante as negociações, o Brasil demonstrou preocupação com a interferência estrangeira sobre sua porção do sistema.”Ainda sobrevive uma ideia de que alguém quer tomar nossa enorme porção de água, mas a grande ameaça ao Aquífero hoje é a nossa própria gestão irregular“, conta.

Preocupação com Aquífero Guarani não é nova

A preocupação com a área não é nova. Em 2011, um estudo feito pelo Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto, cidade em que o aquífero fornece água, mostrou que o aquífero estava contaminado com agrotóxicos. O levantamento encontrou duas amostras de água de um poço artesiano no município com traços de diuron e hexazinona, componentes de defensivo utilizados na cana-de-açúcar.

Embora as concentrações das substância fiquem abaixo do que é considerado perigoso para consumo humano, o número preocupou os pesquisadores. “Não significa que a água está contaminada, mas é preciso evitar a aplicação de herbicidas e pesticidas em áreas de recarga do aquífero”, disse Cristina Pachoalato, professora que coordenou o estudo, ao EcoDebate.

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Se a notícia de 2011 preocupou, outro levantamento tranquilizou as cidades que são abastecidas pelo aquífero. Feita pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas, uma pesquisa mostrou que o risco de contaminação do sistema é localizado, com uma grande improbabilidade de ocorrer uma contaminação generalizada.

A parte do sistema que está exposta ao solo, chamada de afloramento, corresponde a 10% do aquífero e é mais suscetível à contaminação. Os números mostraram que não há grande ameaça, pois os núcleos urbanos se encontram afastados da áreas de afloramento.

Segundo os pesquisadores, as características do aquífero impedem que exista uma contaminação generalizada. A água do Aquífero Guarani se desloca com uma velocidade muito baixa e ajuda no isolamento.

Portanto, apesar da boa notícia em relação a contaminação generalizada, ainda há um risco relacionado principalmente ao uso clandestino do aquífero.

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