Proposta para criação de santuário de baleias no Atlântico é recusada
santuário de baleias
Foto: Istock/Getty Images
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Por que a proposta para criação de um santuário de baleias foi recusada

Pedro Katchborian em 30 de outubro de 2016

O dia 25 de outubro foi de derrota para a fauna mundial. A CBI (Comissão Baleeira Internacional) recusou a proposta para criar um santuário de baleias no Atlântico, visando proteger os animais da caça comercial. A proposta liderada por Argentina, Brasil, Uruguai, Gabão e África do Sul precisava de 75% dos votos para ser aprovada, mas recebeu apenas 59% (38 votos de 64).

baleia no meio do oceano

Foto: Istock/Getty Images

A votação foi realizada na 66ª reunião da CBI, realizada em Portoroz, na Eslovênia. O santuário das baleias quer evitar que os animais corram risco de extinção, o que aconteceu no século 20 devido à caça.

A medida defendia a criação de um santuário de 20 milhões de quilômetros quadrados para espécies ameaçadas pela caça para exploração da carne e gordura. A ideia da delimitação do território é proibir a caça e incentivar a pesquisa não-letal e o turismo. Com a criação do santuário no Atlântico Sul, todos os animais que circulam pelas águas jurisdicionais brasileiras, argentinas e uruguaias estariam protegidos.

ONGs dedicadas ao meio ambiente criticaram mais essa derrota. “Com todos os problemas enfrentados atualmente pelas populações de baleias devastadas pela pesca comercial, está claro que elas precisam de uma zona de proteção onde possam não apenas sobreviver, como também voltar a se recuperar e se desenvolver”, diz John Frizell, do Greenpeace.

Japão, Noruega e Islândia foram os países que lideraram a oposição à medida. Esses países usufruem dos animais para fazer turismo com observação de baleias.

A rejeição não é novidade: a primeira vez que a medida foi proposta foi em 2001 e, desde então, tem sido rejeitada nas reuniões da CBI. As espécies mais afetadas, segundo os defensores das medidas, foram cachalotes e baleias jubarte, azuis e minke. Cerca de 71% das três milhões de baleias caçadas entre 1900 e 1999 saíram do hemisfério sul.

Segundo a proposta, a criação do santuário de baleias promoveria a biodiversidade e a conservação, além da utilização não letal dos recursos baleeiros no oceano Atlântico Sul. O Japão, principal articulador contra a medida, afirmou que há um grande interesse científico por trás das caças das baleias. “O uso sustentável de recursos vivos, incluindo baleias, está perfeitamente de acordo com a proteção do meio ambiente”, afirmou o representante do país asiático.

Santuário de baleias pode vir em 2018

Um dos líderes por trás da proposta, o Brasil lamentou a derrota. Hermano Ribeiro afirmou para a AFP que o santuário das baleias traria “segurança” para os animais no Atlântico Sul. “Quem pode nos garantir que, se uma espécie em particular começar a desaparecer (em outras regiões), os baleeiros, por razões científicas, não virão ao Atlântico Sul? Queremos evitar isso”, explicou.

Agora, a expectativa dos defensores da proposta é aprová-la em 2018, quando a reunião da CIB acontecerá em solo brasileiro. A ideia é que seja feita uma mobilização maior ainda a favor da medida. “Não conseguimos alcançar o nosso intento desta vez, mas intensificaremos nosso trabalho para aprovar na próxima reunião da CIB”, diz o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, José Pedro de Oliveira Costa. Pelos números, o objetivo não está tão longe assim: foram 38 votos em 2016, sendo que são necessários 48 votos para a aprovação.

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