Suécia quer incentivar consertos por dedução de impostos
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Suécia quer incentivar consertos por dedução de impostos

Kaluan Bernardo em 27 de setembro de 2016

A Suécia quer incentivar seus moradores a repararem as coisas antes de comprar um novo. Por isso, está discutindo um projeto de lei que prevê dedução de impostos para que priorizar o conserto sobre o consumo.

homem consertando geladeira

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A legislação, proposta pelos Partido Social Democrata e Partido Verde, quer que se ofereçam descontos entre 25% e 12% de imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) (que incide sobre a despesa ou consumo) de serviços de reparo.

Além disso, os cidadãos poderão receber metade do custo de conserto em restituição do imposto de renda. Nesse caso, a medida vale apenas para grandes aparelhos, como máquinas de lavar roupa e geladeiras. A lei ainda será discutida no Parlamento sueco. Se aprovada, poderá entrar em vigor a partir de primeiro de janeiro.

Quais as intenções do governo sueco ao incentivar o conserto

A medida não será barata. De acordo com a CNN, deverá custar 740 milhões de coroas suecas, o que na cotação atual equivale a aproximadamente R$ 280 milhões.

Os benefícios, no entanto, compensarão os custos, segundo Per Bolund, ministro dos Mercados Financeiros e Bens de Consumo. Ele afirma que os suecos se interessam por medidas sustentáveis e precisam apenas de pequenos empurrões para abraçarem a causa. “É óbvio que consumidores querem fazer a diferença”, comenta à CNN. “O que eles nos dizem é que ainda acham difícil — precisa de algo como um incentivo econômico”, conclui.

Desde 1990, a Suécia já conseguiu reduzir em 23% a emissão de gases poluentes. No entanto, segundo relatório da ONG WWF, eles ainda estão 17% acima do que o governo planejava. Bolund defende que incentivar tendências de consertos, aliadas ao pensamento maker e à Economia Compartilhada, poderá mudar a situação no país.

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Por isso, o principal objetivo é diminuir o consumo e, consequentemente, as pegadas de carbono. “Eu acredito que há uma grande mudança de visão na Suécia nesse momento. Há um conhecimento crescente de que precisamos fazer as coisas durarem mais para reduzir o consumo de materiais”, comentou o ministro ao jornal The Guardian.

Ele destaca que incentivar consertos também pode ser interessante para criar um mercado que atenda as demandas de trabalho dos imigrantes recém-chegados ao país. “Muitas pessoas que vêm à Suécia têm experiência ou negócios em seus países consertando produtos de linha branca e outras coisas. O mercado de trabalho sueco é pequeno para empregos que não exigem educação acadêmica, mas esses nós conseguimos expandir rapidamente”, comentou Bolund à CNN.

Outras consequências do plano

A proposta ainda engloba uma outra medida relacionada a produtos químicos utilizados em produtos eletrônicos e que são danosos aos humanos. É o caso de contentores de fogo encontrados no acabamento plástico de celulares. Uma das variantes dessa substância, o PentaBDE, oferece riscos sérios aos humanos se forem expostos à pele ou à ingestão.

O plano propõe que, se empresas não reduzirem a quantidade de usos desses químicos, eles pagarão multas de até 200 coroas francesas (aproximadamente R$ 75) na venda de grandes aparelhos, como televisões.

Empresas de eletrônica têm se oposto à medida, argumentando que reduzir a presença desses compostos pode ser perigoso e poderá causar muitos incêndios.

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