Taxar carne e leite pode reduzir mudanças climáticas e mortalidade
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Foto: Istock/Getty Images
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Taxar carne e leite pode reduzir mudanças climáticas e taxas de mortalidade

Camila Luz em 7 de novembro de 2016

Estudo global feito pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, concluiu que é preciso taxar a carne em 40% e o leite em 20% para reduzir mudanças climáticas e taxas de mortalidade. Através de dietas mais saudáveis, meio milhão de vidas seriam poupadas por ano.

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Segundo o jornal britânico The Guardian, a produção de comida é responsável por um quarto das emissões de gases do efeitos estufa, causadores do aumento da temperatura global. A culpa é, em grande parte, da criação de gado e outros animais. Essas emissões estão aumentando à medida que pessoas melhoram seu poder aquisitivo e comem mais carne.

“Está claro que se não fizermos alguma coisa sobre as emissões de gases provenientes do nosso sistema alimentar não teremos chance de limitar as mudanças climáticas abaixo de 2°C”, disse Marco Springmann, líder do estudo, ao The Guardian. “Se você tiver de pagar 40% a mais pelo seu bife, poderá optar por consumi-lo apenas uma vez por semana em vez de duas”, acrescenta.

Manter o teto do aquecimento global abaixo de 2°C foi definido como medida indispensável pelo Acordo de Paris. O tratado histórico foi assinado em abril deste ano por 197 países e tem como objetivo reduzir mudanças climáticas e seu impacto ambiental negativo.

O melhor cenário

A pesquisa calculou o imposto que deveria ser exigido para cada tipo de alimento para compensar os danos climáticos causados por sua produção. A carne deixa a pegada de carbono mais pesada, devido ao desmatamento e às emissões de metano associadas ao gado e aos grãos dos quais se alimentam. O imposto de 40% seria necessário no mundo todo e poderia reduzir as emissões em 13%.

Depois, os cientistas avaliaram em quanto o consumo de cada alimento seria reduzido após as taxas. Eles examinaram diferentes regimes fiscais e descobriram que o melhor cenário, em termos de emissão e saúde, consiste em combinar os impostos com subsídios para alimentos saudáveis, como frutas e legumes. Isso seria necessário para garantir que pessoas mais pobres não fiquem sujeitas a uma alimentação pouco rica como resultado da tributação.

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O plano tributário ideal reduziria as emissões de gases poluentes em um bilhão de toneladas por ano – equivalente ao que todo o setor de aviação mundial emite. Além disso, alimentos cuja produção impacta o clima não são saudáveis quando consumidos em grandes quantidades, como carne e laticínios. Portanto, se as taxas reduzirem o consumo, menos gente irá morrer de doenças relacionadas, como derrames, câncer e problemas do coração.

Nos Estados Unidos, por exemplo, pessoas comem três vezes mais carne do que o nível recomendado. Os pesquisadores de Oxford descobriram que os impostos salvariam mais de meio milhão de vidas por ano, principalmente na Austrália, China, Estados Unidos e em países da Europa.

Considerações para reduzir mudanças climáticas

A nova pesquisa também descobriu que os impostos necessários para compensar os danos climáticos são de 15% para cordeiros, 8,5% para frangos, 7% para porcos e 5% para ovos.

Os níveis de impostos calculados são médias globais. No entanto, houve variação significativa entre regiões. Na América Latina, onde a pecuária produz mais emissões do que em outros locais do mundo, o imposto sobre a carne bovina teria de ser ainda mais elevado.

Além disso, o plano tributário ideal leva em conta variações relacionadas à média de poder aquisitivo em cada país. Nações mais pobres deveriam arcar com impostos mais baixos, para garantir que habitantes ainda sejam capazes de pagar por dietas decentes.

Para Springmann, achar uma forma de reduzir o impacto ambiental negativo da produção de alimentos é urgente. “Ou lidamos com mudanças climáticas, mais doenças do coração, diabetes e obesidade, ou fazemos algo sobre o sistema alimentar”, conclui.

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