Vestidos da marca Ada unem sustentabilidade e feminismo
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Vestido Audre Foto: Morgana Mazzon
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Vestidos da marca Ada unem sustentabilidade e feminismo

Camila Luz em 31 de maio de 2016

Veganismo, sustentabilidade e feminismo são algumas das bandeiras levantadas pela marca de roupas Ada. Os vestidos possuem design minimalista e pretendem trazer conforto e versatilidade para a mulher de hoje.

A marca foi fundada pelas gaúchas Camila Puccini e Melina Knolow. O casal mora em Porto Alegre, onde todas as peças são produzidas artesanalmente pela própria Camila. “Faço todo o processo, como modelagem e costura, e tenho todo o maquinário. Essa é uma forma de controlar a qualidade dos produtos que estamos oferecendo para nossos clientes”, conta.

Camila Puccini e Melina Knolow fundadoras do ada

Camila Puccini e Melina Knolow Foto: Morgana Mazzon

Os modelos de vestidos da Ada podem ser usados de diferentes formas. “É possível combiná-los com rasteirinha ou tênis, para passar uma tarde no parque, por exemplo. Se quiser ir a um coquetel durante a noite, basta incrementar o look com maquiagem, salto alto e acessórios”, explica Camila. “As peças são versáteis, básicas e servem para várias ocasiões”, conta.

As fundadoras se baseiam no slow fashion. O site da marca diz: “Acreditamos que menos é mais, acreditamos na liberdade de reinventar-se sem agredir o planeta, talvez você não precise de mais peças de roupas e sim da roupa certa.”

Modelos inspirados no feminismo

Camila e Melina não acreditam em coleções, pois produzir dessa forma coloca produtos no mercado que saem  logo de moda e são substituídos.  A Ada funciona diferente: existem modelos prontos, com shapes e nomes específicos, que podem ser relançados em várias edições.

São fabricadas apenas 50 unidades para cada modelo. Quando os produtos se esgotam, ele pode ou não ser relançado e fabricado a partir de novos materiais.

vestido azul ada

Vestido Amelia Foto: Morgana Mazzon

Cada um dos modelos tem nome inspirado por uma personagem feminista importante da história. A própria marca ganhou o nome Ada por causa de Ada Lovelace, considerada a primeira programadora da história.

No site da Ada, é possível conhecer os modelos e seus nomes. Nem todas as personagens inspiradoras não são amplamente conhecidas como Ada ou mesmo Frida Kahlo, outra inspiração. “Há outras mulheres importantes que precisam ser valorizadas”, diz Camila.

Ela e Melina começaram a pesquisar o feminismo e descobriram pessoas como Almerinda Farias Gama. Era datilógrafa e trabalhava para o jornal “A Província”, de Belém, no início do século 20. Naquela época, uma mulher negra publicar em um periódico era um choque para a sociedade. A feminista foi, ainda, ativista e líder sindical.

Os outros modelos são inspirados por feministas de vários cantos do mundo, como América do Norte e África.

vestido longo cinza ada

Vestido Almerinda Foto: Morgana Mazzon

Sustentabilidade do começo ao fim

Camila é formada em design de moda e terminou a pós-graduação em modelagem e vestuário recentemente. Também é estudante de design gráfico e trabalha como diretora de arte, emprego que vai deixar em breve para se dedicar exclusivamente à Ada. Na faculdade, está envolvida em grupos de trabalho que discutem sustentabilidade. Já Melina é estudante de ciências políticas e trabalha na Secretaria da Cultura de Porto Alegre.

Nenhuma das duas gosta de comprar roupas no shopping – principalmente Melina, que cresceu em uma cidade pequena do Rio Grande do Sul, onde tinha o costume de comprar de pequenos fabricantes.

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Camila estava insatisfeita com seu trabalho como diretora de arte e se sentia pouco desafiada. Ela e Melina decidiram começar um negócio que valorizasse a pequena produção local.

Queria mudar meus princípios, pois cresci em uma casa enorme, cheia de animais de várias espécies. E sempre gostei de trabalhos manuais.

Por isso, ela e Melina decidiram lançar a marca com princípios sustentáveis, que respeita os direitos dos animais e dos trabalhadores. Por enquanto, apenas as duas tocam o negócio. “É difícil encontrar uma facção [indústria de confecção] que faça um trabalho de qualidade e respeite seus funcionário”, diz. Além disso, as fundadoras decidiram que a produção não seria alta. Os pedidos seriam de, no máximo, 50 peças. Poucas empresas aceitariam produzí-las, pois trabalham com números mais altos.

Os tecidos utilizados pela Ada são 100% algodão, mas há peças que misturam fibras sintéticas. A matéria-prima é toda produzida no Rio Grande do Sul e, por enquanto, fibras naturais são prioridade.

Camila conta que pretendem lançar uma linha de produtos orgânicos em breve. “Estávamos procurando por um indústria que produzisse toda a matéria-prima orgânica no Brasil. Agora, finalmente encontramos a fábrica de fibra ecológica Justa Trama”, explica.

Para evitar agredir o meio ambiente, a Ada doa todos os seus resíduos para instituições que possam reaproveitá-los. Os restos menores de tecidos vão para a ONG gaúcha Patas Dadas. Eles são usados para fabricar camas para os animais, cobertores e outros objetos necessários. Já os resíduos maiores de tecido vão para a marca gaúcha de acessórios Côté, que os utiliza para fazer suas embalagens.

As embalagens da Ada também são sustentáveis. Não são sacolas, e sim caixas de papelão kraft que podem ser reutilizadas. “São montadas a partir de dobras e não têm nenhum resíduo de cola. Podem ser descartadas facilmente ou recicladas”, diz Camila. O consumidor pode usá-las para guardar o que quiser. “No futuro, pretendemos fazer uma política de devolução, para quem não quiser reutilizar e nem jogar fora”, conta.

Vestidos para literalmente todos os tamanhos

A Ada difere de outras marcas brasileiras por adotar um tipo de numeração comum nos Estados Unidos, mas não aqui. Não se baseia apenas nos tamanhos P, M e G, mas também na altura das clientes.

Assim, há modelos disponíveis para mulheres que têm altura na casa do 1,60 m e vestem M. Há vestidos para quem mede o mesmo, mas veste P ou G. Mulheres que medem a partir de 1,70 m ou 1,80 m também encontram peças ideais, feitas de acordo com a estatura e tamanho de cada uma.

screenshot de medidas do site

Foto: Reprodução/Site

As mais baixinhas vão precisar esperar um pouco para comprar as peças. “Estamos trabalhando em uma grade específica para 1,50 m. As proporções são todas pequenininhas e estamos estudando a tabela de medidas”, explica Camila.

A Ada ensina a cliente a tirar as medidas para descobrir o tamanho certo.  Por enquanto, só é possível adquirir os vestidos pela loja online da Ada. No futuro, Camila e Melina pretendem inaugurar um ateliê onde clientes poderão conhecer os produtos e o processo de produção das peças.

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