Biomimética: entenda a ciência que imita a natureza
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Foto: Istock/Getty Images
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Conheça a biomimética, a ciência que imita arte da natureza

Pedro Katchborian em 25 de agosto de 2016

A natureza pode nos dar muito mais do que belas paisagens ou ser uma fonte de recursos — e a biomimética mostra isso. Entenda mais sobre esse conceito:

O que é a biomimética?

A biomimética é um estudo que consiste em imitar os processos que ocorrem na natureza para aplicá-los na sociedade. Giane Cauzzi Brocco, uma das cofundadoras do Instituto de Biomimética no país, define o estudo:

Falando de maneira bem simples, a biomimética é imitar a vida. Para ficar mais claro, não é uma imitação barata, é aprender com a natureza.

Segundo Giane, a biomimética faz da natureza uma mentora e não uma simples fonte de extração. “Criamos tecnologias, produtos, arquitetura, sistemas e serviços com base em como a natureza faz”, explica.

Embora a maioria dos cases seja nos Estados Unidos, Giane explica que, aos poucos, a biomimética vai crescendo no Brasil. O Instituto Biomimicry Brasil, que ajudou a fundar, serve para fomentar o estudo no assunto e fazer consultorias. “Tudo que é inovação tem uma certa dificuldade inicial de aderência. As pessoas tem muito receio e medo de investir em inovação no Brasil — e isso ocorre com a biomimética”, explica.

Quais são as aplicações da biomimética?

Um exemplo de um produto que é resultado desse estudo é a Ornilux, uma marca que faz um vidro com uma proteção especial para pássaros. Buscando evitar que as aves se choquem com o vidro — mais de 100 milhões de pássaros morrem em colisões com janelas todos os anos, somente nos Estados Unidos —, uma empresa desenvolveu um vidro que imita uma teia de aranha, um modo que fica visível somente para os pássaros.

Giane ainda comenta outros cases de biomimética. O mais famoso deles, talvez, seja o macacão da Speedo, que se baseou na pele do tubarão, colocando no traje filamentos que facilitam a passagem da água.

Outro exemplo vem da Coréia do Sul. Cientistas da Universidade de Seul criaram uma garrafa que absorve água da neblina, da mesma maneira que o besouro da Namíbia consegue fazer. “O besouro movimenta as microgotículas de sereno que estão no seu corpo até formar grandes gotas que vão até a boca do animal”, explica Giane.

Além de imitar processos que ocorrem com animais e outros seres para fazer e transformar produtos, a biomimética também imita modelos de sociedade que estão na natureza. “Podemos pensar na colmeia como uma forma de gestão. Como eu aumento a liderança da minha empresa baseado no comportamento de grupo ou na sociedade que vive dentro de uma colmeia? Existe algum benchmark melhor que a própria Terra?!”, conclui.

Em relação a projetos próprios, Giane conta que desenvolveu um indicador ambiental e industrial baseado nas sequoias. Por exemplo, as sequoias assimilam e usam energia eficientemente. Da mesma maneira que as árvores não esgotam recursos, uma empresa pode reutilizar a sua água.

Outro exemplo é um projeto ainda em desenvolvimento: uma mineradora da América Latina — que não é possível citar o nome — precisa transportar minério de ferro por tubulação sem a utilização da água. Especialistas estudaram e encontraram o Ariolimax (um tipo de lesma) como um ser que se locomove em diferentes tipos de terrenos (cascalho, asfalto, terra, pedras, musgo, molhado e seco), podendo ser utilizado como referência para o transporte do minério.

Outros usos da biomimética

Um dos principais campos que utiliza a biomimética é o design e a arquitetura. Um exemplo é o Estádio Nacional de Pequim, projetado pelo famoso escritório Herzog & de Meuron. A estrutura metálica da construção é inspirada em um ninho de pássaro. Já o Museu de Arte de Milwaukee, do arquiteto Santiago Calatrava, tem uma estrutura que se abre e fecha durante o dia, imitando as asas de uma mariposa.

Alguns exemplos, como mostra o site ArchDaily, são menos óbvios. O edifício Johnson Wax, de Frank Lloyd Wright, têm colunas que se expandem à medida que sobem, processo semelhante as folhas de vitória régia na água. Há também outros casos de projetos que são inspirados em insetos ou estruturas orgânicas, todos imitando processos naturais bem-sucedidos.

Onde estudar biomimética?

No Brasil, ainda não há nenhum curso de pós-graduação no tema. Nos Estados Unidos e na Europa, locais em que os estudos sobre o assunto são mais aprofundados, já há cursos profissionalizantes. Um mestrado na Universidade do Arizona, por exemplo, possibilita que os estudantes visitem seis biomas diferentes. A formação da biomimética é dividida em quatro frentes: engenharia, biologia, design e negócios.

No entanto, interessados em aprender ou curiosos sobre o tema podem se inspirar na página do Biomimicry Brasil, que posta estudos, conferências e notícias que explicam mais sobre a biomimética.

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