Blockchain poderá ser usada para rastrear pesca legal de atum na Ásia
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Foto: Istock/Getty Images
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Blockchain poderá ser usada para rastrear pesca legal de atum na Ásia

Camila Luz em 12 de outubro de 2016

A empresa britânica Provenance está usando blockchain para rastrear o atum fisgado por pescadores na Indonésia. A companhia pretende usar a tecnologia para acabar com a pesca ilegal e com abusos como o trabalho escravo.

Blockchain é uma base de dados gigantesca que mantém registros de qualquer transação com valor. Funciona como uma planilha que roda em todos os computadores do mundo. Ela é aberta e qualquer pessoa pode acompanhá-la. Não há nenhum intermediário e é protegida pelo que existir de mais avançado na criptografia, sendo assim altamente segura.

A blockchain é como se fosse um livro de contabilidade: você registra quem pagou e quem recebeu algo, posses de terra, bens materiais e até patentes. A tecnologia tem a capacidade de mudar a forma como tratamos de finanças e, agora, está chegando ao setor alimentício.

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A Provenance fez um piloto na Indonésia entre janeiro e junho de 2016, usando blockchain para rastrear o atum capturado por pescadores, verificando se atendem ou não aos requisitos de sustentabilidade e são legalizados. O experimento deu certo e mostrou que é possível conseguir informações de forma segura.

Foto: Divulgação

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Vantagens e desafios de implementar a blockchain no mercado de atum da Indonésia

Segundo o site da revista Forbes, a parte asiática do Oceano Pacífico fornece alimento para mais de 200 milhões de habitantes do sudeste asiático todos os dias. Além disso, 90% dos frutos do mar e pescados importados pelos Estados Unidos vêm da região.

Esses alimentos são as fontes de proteína animal mais comercializadas no planeta hoje. Para a Forbes, a blockchain, se implementada da forma correta, poderá ajudar consumidores a conhecer a origem do que estão comendo. Através de seus smartphones, poderiam checar se o atum adquirido foi capturado por pescadores responsáveis

Christian Schmidradner, gerente geral da Meliomar Inc., uma das maiores exportadoras de atum da Indonésia, diz que seu próprio sistema de rastreamento está ultrapassado. Ele concorda que o sistema de blockchain pode ser útil e até necessário para o sistema de pesca da Ásia. No entanto, mostra preocupação com a implementação, que pode ser muito complexa e pouco prática.

“Nós, por exemplo, somos fonte de centenas e centenas de barcos. Controlar a a qualidade de todo o atum pescado por eles é realmente desafiador”, disse, à Forbes. “Há pouca supervisão e muita corrupção, principalmente na indústria de atum [da espécie] Yellow Fin na Indonésia”, completa.

Práticas questionáveis na Indonésia

A Indonésia é o maior produtor de atum do mundo, fornecendo o campo ideal para testar iniciativas que tornem o setor de frutos do mar mais seguro e transparente.  Essa indústria é famosa por cultivar práticas questionáveis, como pesca excessiva e ilegal. Além disso, segundo o The Guardian, há denuncias de abusos humanos contra trabalhadores que atuam nessa indústria, incluindo trabalho escravo e violência.

Na Indonésia, mais de 60 milhões de pessoas vivem em comunidades costeiras que têm a pesca de atum como principal atividade. No entanto, particularmente no norte do país, a atividade sofre complicações por navios de pesca que não registram o que capturam. Hoje, apenas rótulos de papel acompanham a compra e venda de certas espécies, método difícil difícil de controlar.

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