Cobalto: o metal que ameaça o futuro dos carros elétricos
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Foto: Wikimedia Commons
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Cobalto: o metal que ameaça o futuro dos carros elétricos

Kaluan Bernardo em 6 de janeiro de 2017

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Os carros elétricos são um futuro cada vez mais próximo. A World Energy Council estima que, já em 2020, um a cada seis automóveis vendidos será elétrico. A Volkswagen acredita que, em 2025, quase 25% de seus carros serão elétricos. E a Bloomberg diz que, em 2022, eles serão mais baratos do que os movidos a petróleo.

Cobalto

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Encabeçando essas mudanças está a Tesla, de Elon Musk, que aposta pesado nos veículos elétricos. Há um porém: por mais modernas e avançadas que sejam as tecnologias dos carros, sua bateria ainda é feita de lítio e depende de um material cada vez mais escasso, o cobalto.

A maior parte do cobalto produzido no mundo (97%) é um subproduto de níquel e cobre, materiais provenientes principalmente do continente africano. Ao todo, 42% desse material é usado para a produção de baterias de lítio. O restante é usado em diversos setores industriais e militares que dependem exclusivamente do material.

No entanto, conflitos na África, exploração de direitos humanos e de trabalho infantil e uma demanda cada vez maior tanto por montadoras de carros quanto por fabricantes de dispositivos eletrônicos (principalmente na China), ameaçam a produção de cobalto e colocam imensas dúvidas no futuro dos carros elétricos.

O que ameaça o suprimento de cobalto no mundo

Sebastien Gandon é investidor e executivo no setor de armazenamento de baterias, biotecnologia, tecnologia da saúde e inteligência artificial. Ele escreveu diversos artigos sobre o futuro do cobalto e sua relação com os carros elétricos. No site de investidores Seeking Alpha, ele elenca quatro fatores chaves que ameaçam a cadeia produtiva.

1) A queda de preços do níquel e do cobre. Esses dois metais estão com os preços em baixa há tempos. Em 2016 chegou ao ponto mais baixo dos últimos seis anos, fazendo com que os investimentos nos depósitos dos metais se tornasse cada vez menos interessante. Com menos aportes nos metais, consequentemente se reduz a produção do cobalto, um subproduto desses materiais.

2) Conflitos no República Democrática do Congo. A maior parte do cobalto hoje é minerado no Congo. No entanto, o país passa por uma série de conflitos que acabam em desrespeito aos direitos humanos e em trabalho infantil. Como mostramos nesse texto, os mineradores, muitas vezes de 12 anos, chegam a cavar por dias, apenas com as mãos, para ganhar entre US$ 2 e US$ 3 ao dia.

Joseph Kabila, o presidente no poder desde 2001, deveria ter saído da presidência no final de 2016, mas está adiando as eleições. A medida intensificou conflitos e levantou protestos no país.

As crescentes preocupações com uma distribuição ética e que respeite os direitos humanos têm colocado em xeque as mineradoras e, consequentemente, reduzido a produção do cobalto no Congo. Por isso, experts estimam que em 2016 a queda de produção de cobalto no país chegou a 15%.

3) Monopólio chinês. Ao todo, 75% das baterias de lítio produzidas no mundo vêm da China. O país é muito dependente do cobalto que vem do Congo — mais de 90% é importado de lá. E a expectativa é que produza ainda mais baterias no futuro. Por isso, empresas chinesas estão comprando diversas fornecedoras de cobalto no Congo. A estimativa é que a China irá controlar 62% da produção de cobalto no mundo, dificultando o acesso a montadoras de carros elétricos em outros países, como é o caso da Tesla.

4) Preços crescentes. Ao passo em que mais carros elétricos forem produzidos, mais cobalto será necessário para suas baterias. Hoje, são necessários aproximadamente 15 quilos do material na bateria de um automóvel do tipo. Com ameaças na oferta e crescente demanda, o preço poderá subir consideravelmente, dando mais poder aos donos das mineradoras.

As alternativas à mineração de cobalto

Por outro lado, há uma série de alternativas que podem resolver a equação. A mais óbvia é encontrar materiais que substituam o cobalto e deem mais liberdade para as produtoras. A Tesla tem investido em pesquisas nesse sentido.

A maior aposta da empresa parece ser no níquel, material barato que dá origem ao cobalto. Caso o níquel consiga ser usado na fabricação de baterias, seu preço pode subir, fazendo com que retornem os investimentos no material e, consequentemente, aumente a produção também do cobalto.

Outra alternativa sendo estudada é a criação de baterias mistas, feitas de alumínio. Elas estão sendo desenvolvidas pela Panasonic e Tesla. Elas prometem ser menos dependente do cobalto, precisando de apenas 0,22 quilos para cada kWh, enquanto as de lítio precisam de 0,33 quilos para cada kWh.

Há ainda um dilema semelhante ao do petróleo. Há muito cobalto no fundo do oceano, mas extraí-lo é caro. No entanto, ao passo que novas tecnologias surgirem, pode ser que a equação mude e o preço se torne viável.

Por fim, há a reciclagem. Hoje 15% do cobalto consumido nos Estados Unidos vem de processos de reciclagem. Ao incentivar mais a reciclagem, podemos não ficar tão dependentes da mineração. No entanto, esse é um processo que hoje ainda não é completamente eficiente e barato, mas com o tempo poderá ser mais, como sugere Sebastien em outro artigo, no site TechCrunch.

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