Indiano inventa colher comestível para substituir o plástico
Colheres comestíveis "Bakeys"
Colheres comestíveis "Bakeys" Foto: Reprodução/KickStarter
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Indiano inventa colher comestível para substituir o plástico

Camila Luz em 3 de maio de 2016

Quando descartado no ambiente, o plástico pode levar séculos para se decompor. Para reduzir a degradação do meio, causada pelo uso de utensílios descartáveis, o pesquisador indiano Narayana Peesapaty projetou uma colher feita de farinha, que pode ser consumida após o uso.

As colheres comestíveis da marca Bakeys são feitas de uma mistura entre água e farinha de sorgo, uma espécie de grão que no Brasil também é chamado de milho-zaburro. A produção é 100% natural e não leva conservantes, produtos químicos ou gorduras. Para deixá-las mais saborosas, são adicionadas substâncias como pimenta preta, semente de cominho ou açúcar.

Comer a colher após o uso não é obrigatório. Segundo o site oficial da Bakeys, quem não quiser ingerir o utensílio pode simplesmente jogá-lo fora.  Ele será devorado por insetos e animais. Caso isso não aconteça, vai se degradar naturalmente em menos de três dias.

Por enquanto, as colheres são vendidas só na Índia, pelo site da marca. Atualmente, as vendas estão paradas. A Bakeys está focada em atender a demanda de 4,17 milhões de produtos encomendados por consumidores em uma campanha feita pela marca no Kickstarter.

O objetivo do projeto é incentivar a venda em massa, para que mais pessoas conheçam o utensílio. As colheres já foram adquiridas por 9.293 consumidores. A Bakeys promete que, em breve, as vendas online vão retornar. Um novo site também está em desenvolvimento, para que clientes de mais países possam comprar o produto.

Colher Comestível X Colher de Plástico

O site da Bakeys faz uma comparação entre colheres feitas de plástico e as comestíveis, feitas de farinha. O plástico é um material derivado do petróleo e contém diversas toxinas. Usá-lo em utensílios de cozinha é potencialmente perigoso ao organismo. Essas substâncias podem ser absorvidas pelos alimentos, contaminando o corpo.

As toxinas estão se infiltrando na comida e, mesmo assim, estamos usando [o plástico] em quantidades cada vez maiores. E a razão? Simplesmente por serem muito baratos

Diz Narayana, no site oficial da marca: “Para combater esse perigo para a saúde, nós inventamos a colher comestível. Nosso produto é relativamente barato e não causa problemas à saúde ou ao meio ambiente”, afirma. Um pacote com 100 colheres custa 275 rúpias indianas. Convertendo para reais, o preço seria, aproximadamente, R$ 14.

Leia mais: Garrafa de água é feita de alga e pode substituir o plástico

O plástico também deixa gosto na comida quando usado como utensílio de cozinha. Os produtos da Bakeys, por outro lado, não devem influenciar no sabor do alimento.

Ao serem consumidas, as colheres ainda trazem benefícios à saúde e colaboram com alimentação saudável. O sorgo possui fibras alimentares, proteínas e cálcio. Com propriedades nutrientes, as colheres comestíveis também fertilizam o solo quando são descartadas no ambiente.

Por que usar o grão de sorgo nas colheres comestíveis?

Narayana explica que incentivar a plantação de sorgo pode, também, ser uma alternativa ao cultivo de arroz, que demanda muita água. Em comparação, uma plantação de arroz precisa de 60 vezes mais água. Sua produção excessiva está causando um esgotamento dos lençóis freáticos da Índia.

Segundo um cálculo feito pelo pesquisador, seria preciso diminuir em 25% o número de plantações de arroz para evitar que as águas subterrâneas se esgotem. Para que agricultores não saiam prejudicados, a saída, de acordo com Narayana, é que passem a investir no cultivo de sorgo.

Para o criador das colheres comestíveis, a Bakeys não está só evitando que o ambiente seja prejudicado. Está contribuindo efetivamente para a sua melhora.

Mais pessoas devem se engajar no consumo de colheres comestíveis para que haja uma mudança efetiva. Em entrevista ao site do Huffington Post Austrália, Narayana disse: “Até onde posso enxergar, parece uma ideia muito boa. Eu gostaria de incentivar as pessoas a mudar, quando puderem”.

 

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