Santo de Casa faz sim milagre: a decoração de reuso do Buji
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Ana Viana e Bárbara Ávila. Foto: Divulgação
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Santo de Casa faz milagre, sim: conheça a decoração de reuso do Buji

Emily Canto Nunes em 22 de julho de 2016

Talvez as primeiras referências que venham na sua cabeça quando você escuta a palavra reuso sejam algo como água de reuso, reciclagem ou ainda madeira de demolição. A associação é simples: reutilizar algo que você já usou, só que com outro objetivo. Mas e se o reuso tiver o mesmo objetivo, ainda assim é reuso? As meninas da Buji mostram e provam que é reuso sim, senhor, sim senhora.

Criado em 2013 pelas brasilienses Ana Viana e Bárbara Ávila, o Buji é um estúdio de decoração e organização cujo ponto de partida é o reuso dos objetos e móveis que você já tem em casa, aliado a um novo olhar para o espaço que evita obras e quebra-quebra. No caso, os olhares aguçados de Ana e Bárbara.

Ana Viana e Bárbara Ávila em fundo cinza

Ana Viana e Bárbara Ávila. Foto: Divulgação

 

Ana e Bárbara são da terra das principais obras do arquiteto Oscar Niemeyer, Brasília, e já se conheciam há algum tempo. Porém, foi somente quando se reencontraram em São Paulo que viram no gosto em comum pela decoração e nos talentos que se complementam a possibilidade de trabalharem juntas.

Ana é formada em Letras, mas desde os 17 anos, quando casou pela primeira vez, teve casa para brincar, como ela mesmo diz. Ana levou a paixão tão a sério que ao longo dos anos a transformou em profissão. Já Bárbara é arquiteta, mas viu no design de bolsas a possibilidade de deixar aflorar mais sua criatividade antes de entrar de cabeça no Buji. Hoje, juntas, elas ajudam pessoas que desejam viver em um lugar com a sua cara, mas sem gastar muito e, principalmente, reutilizando o que já possuem dentro de casa.

A gente tenta ao máximo mudar a estrutura sem quebra-quebra, mas a gente pinta, faz reposicionamento, troca as coisas de lugar e muda a forma de utilização. O que percebemos é que as pessoas nunca dão uma segunda chance para o que elas já tem.

Segundo Ana, desde o início do estúdio, o mais difícil sempre foi explicar o que o Buji fazia. “É uma coisa muito nova. Ainda temos que falar do Decora [programa da GNT], porque não tem muita referência disponível no Brasil. Mas o mercado entendeu bem, afinal, a pessoa não precisa gastar tanto e é algo que se resolve em pouco tempo. Às vezes ela faz um cômodo como a gente propõe, sem quebra, e sobra muito mais dinheiro para investir em um que realmente necessite de obra”, conta a empresária.

Quando começou, o slogan do Buji era decoração possível, no sentido de oferecer um serviço que fosse mais rápido e mais barato, mas a palavra era muito relativa e causava confusão. Foi então que elas apostaram no conceito de reuso, que é a alma do negócio.

“Reuso é isso que fazemos. As pessoas consomem muito o reaproveitamento, o recycling, mas é diferente. Quando você tem que pegar uma coisa que já existe para gerar outra você demanda o trabalho de um profissional específico e por isso o produto se torna mais caro. No caso do Buji esse reuso é uma redescoberta, é o reuso do espaço e o reuso do que a pessoa já tem, um resgate, uma reconexão com que ela tem dentro de casa”, explica Ana.

Os serviços de reuso do Buji

Hoje o Buji conta com dois tipos de serviço, o Super Buji e o Café com Post-it, uma visita de duas horas em que elas avaliam o espaço e fazem sugestões de decoração e de organização. O Super Buji é o produto mais antigo e completo do estúdio, onde a dupla cuida de tudo.

 

“A gente identifica a dor do cliente, o que ele quer transformar. Vai no local e vê o que ele tem, quais as referências e onde ele quer chegar, o quanto tem para gastar e aí sim se faz um projeto com base nesse elementos. Também cuidamos do fornecedor, ou seja, a pessoa não se preocupa com quase nada, nós que entramos com o pintor na casa dela, por exemplo. O cliente só tem que comprar: fazemos uma lista e um acompanhamento por WhatsApp, mas não compramos. A gente ajuda, mas tratando diretamente com o fornecedor e comprando, a pessoa se mantém dentro do que tem para gastar.”, explica Ana.

É só depois, com tudo comprado e dentro do ambiente, que a dupla entra e monta tudo sem o cliente em casa. Conforme conta Ana, ele sai pela manhã e quando está de volta encontra livros no lugar, objetos dentro das gavetas, flores no vaso e até as plantas penduradas.

É legal porque a pessoa recebe uma casa com as escolhas que ela já fez, que já tinha dentro de casa, mas pronta de uma forma que ela viu numa revista, mas que nunca achou que teria. O processo é muito bacana.

O outro produto da dupla nasceu da necessidade de oferecer um serviço mais barato e de atender mais clientes. “As pessoas até gostam de fazer mudanças na casa, mas tem medo de errar, de posicionar errado, de comprar algo do tamanho errado. Nós encontramos a pessoa, escutamos sua história, vemos o quanto ela quer gastar e depois entregamos um guia com medidas como alturas e sugestões. A gente capacita e empodera o cliente”, explica Ana.

O Café com Post-it é um serviço mais recente, de apenas um ano. “Tem sido incrível. As pessoas mostram o ambiente pronto depois do nosso empurrão”, comenta Ana. O Café com Post-it vem ajudando a dupla a atender pessoas de bairros muito distantes ou mesmo de outras cidades do Brasil.

O método Buji de reuso

O Buji tem um método bem próprio de trabalho, a começar pelo Super Buji e pela decisão de fazer todas as mudanças na casa do cliente sem a presença dele, o que costuma ser o contrário do que acontece em uma obra, que exige do dono um acompanhamento de perto do processo. “Nos trabalhamos com o controle de ansiedade. Como o cliente não está vendo a solução dentro de casa ele fica ansioso, mas se estivesse em casa não deixaria a gente fazer algumas coisas. O percurso dele é de entender esse processo de reuso: não é como se a pessoa saísse de casa e na volta não encontrasse o que deixou, ela tem uma ideia. A pessoa se reencontra com as coisas dela”, afirma.

Por mais que a decoração de reuso que o Buji faz seja um processo, nem sempre as pessoas entendem de cara o que vai acontecer. “Quando chegamos na visita e sugerimos mudar algo de lugar, porque vai ficar muito bom, a pessoa já fala em comprar outro, em aproveitar que estamos lá e conseguir uma lista de opções. Elas tem medo de reusar, de reposicionar, de pensar de outra forma e de repaginar. É engraçado que as pessoas têm vontade de fazer, leem reportagens do tipo em revistas, mas têm medo. Como a gente faz tudo e a pessoa nem vê, não dá nem tempo dela sofrer. A gente sabe que vai dar certo, nos encorajamos ela”, afirma a empreendedora.

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Ana diz ainda que seus clientes são cativados pela possibilidade de não ter obra, sem quebra-quebra, mas têm medo de ousar. Por isso esse novo momento da decoração de mostrar a casa aberta, como ela é, está sendo importante para os clientes e para o negócio.

“A gente não é contra obra, a Bárbara é arquiteta. Mas obra tem todo um processo de saber que vai ter que investir e que vai ter que chamar um bom profissional. O que mais fazemos no Buji é pegar uma casa em que a pessoa fez uma obra, mas não se sente bem, tem medo até de pregar um quadro. Ou, então, tentou fazer uma obra sozinha e agora tem um monte de coisas com tamanhos errados. A questão da obra é que além do estresse você precisa contratar alguém bom. Nossa dica é: tente ao máximo viver bem em casa com o que tem, e quando você tiver condições faça tudo direitinho, contrate um arquiteto, faça um projeto. Nem sempre é preciso quebrar, e o legal é ter opção”, defende Ana.

O processo do Buji também ajuda o cliente a desapegar, deixar para trás o que acumulou, o que é passado, e construir uma história nova. Segundo Ana, às vezes é uma parede que não tem o contraste que deveria para dar a sensação que o cliente deseja. “Pintar uma parede é mais barato do que comprar um sofá novo. E como a gente se propõe a levantar orçamento fica mais fácil. Do mesmo jeito que as pessoas têm medo de fazer obras, têm medo de fazer orçamentos, ou adoram arte, mas não procuram o artista”, conta.

Todo o método de Ana e Bárbara frente ao Buji está em vias de se tornar também um workshop, o que deve gerar mais negócios e também ajudar a difundir o conceito de decoração de reuso. Segundo Ana, é um desafio pensar no próprio negócio, montar algo a partir do que elas já fazem. Ainda assim, ela acredita que ao mapear a prática vão conseguir fazer o Buji crescer enquanto empresa, mas ainda ser sob medida, feito especialmente para cada pessoa.

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