Brasileira cria embalagem biodegradável com bagaço de cana-de-açúcar
Sayuri-FTE
Foto: Arquivo Pessoal
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Brasileira cria embalagem biodegradável à base de bagaço de cana-de-açúcar

Aretha Yarak em 31 de outubro de 2017

A curitibana Sayuri Magnabosco tinha apenas 15 anos quando uma tarefa bastante simples e rotineira mudou sua vida e resultou na criação de embalagem biodegradável. Enquanto ajudava a mãe a guardar as compras do supermercado, reparou na enorme pilha de bandejas de isopor que se acumulavam ao lado do lixo.

Fiquei imaginando para onde tudo aquilo iria e fui pesquisar. Descobri que o Brasil produz 55 mil toneladas de isopor por ano, e que ele não é totalmente reciclável

Inconformada, decidiu abraçar a causa e, depois de muito estudar, acabou criando uma embalagem biodegradável com função antimicrobiana à base de bagaço de cana-de-açúcar.

Para chegar à fórmula final, Sayuri ficou quase um ano pesquisando e testando formulações para o novo biopolímero. “Teve um momento que pensei muito em desistir, mas algo me dizia para continuar tentando”, relembra. Além do bagaço, o produto criado por ela leva cravo e canela, temperos que contêm compostos fenólicos e atuam como antimicrobianos.

Com o projeto, Sayuri foi convidada para participar de Feiras de Ciências nacionais e em Londres, Portugal e na Tunísia e recebeu medalhas da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), da Feira de Inovação das Ciências e Engenharias (FIciencias) e da Genius Olympiad, de Nova York. A brasileira ganhou ainda o Village to Raise a Child, um concurso de empreendedorismo social da Universidade Harvard.

Como surgiu a embalagem biodegradável de bagaço de cana

A ideia de usar o resíduo da cana nas bandejas ecológicas surgiu durante uma aula de geografia sobre as plantações do Brasil. A motivação de estudar esse material veio, basicamente, de duas características da cultura que deixaram a jovem inquieta.

Além de produzir cerca de 200 mil toneladas de bagaço todos os anos, as plantações remuneram muito mal os trabalhadores que passam o dia debaixo de Sol e em péssimas condições de trabalho. “Eu tinha que fazer alguma coisa para mudar isso, e usar o bagaço na minha bandeja parecia a solução”, conta.

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Para chegar à formulação ideal, Sayuri precisou bater perna. Andou por Curitiba em busca dos vendedores de caldo de cana para pedir o bagaço. Depois, passou semanas no laboratório do colégio — ora chegando mais cedo, ora indo embora mais tarde.

“Por algum motivo, os testes estavam todos dando errado”, comenta. Foram mais de 30 fracassos na criação de um biopolímero e outros sete nos testes de ação microbiana.

A persistência da jovem rendeu resultados positivos. Ela não só conseguiu chegar a uma fórmula viável para a embalagem biodegradável, que é 100% sustentável, como também criou um produto de baixo custo e com importante potencial social.

“As cooperativas dos trabalhadores de cana-de-açúcar podem começar a produzir essas bandejas e aumentar a renda dos cooperados”, comenta. Além disso, a invenção de Sayuri conta com função antimicrobiana, devido ao acréscimo de cravo e canela na receita, para evitar que ela se degrade muito rapidamente.

Premiações e patente

A bandeja criada por Sayuri está em processo de patenteamento, e ela espera que o mercado se interesse em comprar sua invenção. Os trâmites, no entanto, estão sendo acompanhados dos Estados Unidos. Em agosto deste ano, ela deu início ao seu primeiro ano letivo na Dartomouth College, que integra a chamada Ivy League americana (grupo com as oito universidades americanas de maior prestígio).

“Ainda não sei qual o curso vou escolher, talvez opte por engenharia biomédica, mas ainda não tenho certeza”, comenta. Em breve, ela espera poder usar os recursos dos laboratórios da faculdade para avançar nas pesquisas da bandeja biodegradável. “A ciência passou a ser minha linguagem para ler os problemas do mundo. Ainda farei descobertas incríveis”, afirma.

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