Empresas B: como o negócio social começa a ganhar força no Brasil
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Empresas B: o negócio social começa a ganhar força no Brasil

Camila Luz em 26 de julho de 2016

No Brasil, companhias são divididas entre as que visam lucro e as sem fins lucrativos, as famosas ONGs. Mas há um terceiro tipo mais comum nos Estados Unidos e em países da Europa que estão começando a aparecer por aqui. São as empresas B, que têm o objetivo de faturar economicamente enquanto utilizam mecanismos de mercado para resolver problemas sociais e ambientais.

O conceito das B Corps, ou empresas B, foi criado em 2006 pela organização sem fins lucrativos B Lab para redefinir o conceito de sucesso. Elas não buscam somente ser as melhores do mundo, mas também as melhores para o mundo. Seus negócios são voltados para o desenvolvimento de comunidades e para a redução da pobreza, além de trazer soluções para problemas climáticos.

logos de algumas das empresas com certificados de empresa B

Algumas das empresas B no Brasil. Foto: Reprodução/B Corps

Para obterem a certificação, concedida pelo próprio B Lab, devem atender padrões rigorosos de desempenho social e ambiental, responsabilidade e transparência. De acordo com o site oficial do B Lab, há mais de 875 empresas B espalhadas por 29 países.

Na América Latina, o movimento está começando a ganhar força. No Brasil, o conceito chegou há pouco, liderado pelo Comitê pela Democratização da Informática (CDI) em parceria com o Sistema B. Hoje, são 56 empresas certificadas no país, como Natura e a Insecta Shoes. Veja a lista completa.

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Por que as empresas B são necessárias

Estado e a própria sociedade civil são essenciais para enfrentar o principais desafios socioambientais globais. No entanto, não são suficientes. As empresas B surgem para auxiliar nesse sentido, funcionando como “motores de bem-estar”.

Há empresas B em todos os setores. Causam impacto ambiental e social positivo a partir de modelos que podem ou não ser inovadores. Por exemplo, vendem produtos feitos de forma consciente, sem explorar matéria-prima ou degradar o meio ambiente, adotam práticas de trabalho justas e valorizam fornecedores locais.

Empresas B têm a capacidade de criar valor em cima de seus produtos, oferecendo soluções concretas e escaláveis dentro do mercado. Os resultados podem ser mais rápidos do que os alcançados por ONGs, por exemplo.

Além disso, quando comparadas a companhias que visam apenas lucro financeiro, oferecem melhores condições para seus funcionários e criam relações com as comunidades, aprimorando a qualidade de vida do local onde estão instaladas.

Como se tornar uma empresa B

Grandes empresas conhecidas no mundo todo, como a marca de sorvetes “Ben & Jerry’s”, já têm o certificado B. De acordo com o site Entepreneur, estudos recentes mostram que consumidores preferem comprar de companhias que têm missões sociais. Por isso, muitas se vendem como “socialmente responsáveis”, mas não são legítimas.

Para obter a certificação, uma empresa deve marcar pelo menos 80 dos 200 pontos possíveis na pesquisa online feita pelo B Lab, que tem 150 perguntas. As companhias são avaliadas em tudo, desde eficiência energética até transparência corporativa. Elas também devem se submeter a uma entrevista por telefone, fornecer documentação de apoio e alterar seus estatutos sociais para incluir o compromisso de causar impacto social e ambiental positivos.

Dirk Sampselle, fundador e CEO da B Revolution, uma consultoria da Califórnia que aconselha empresas sustentáveis, recomenda que startups interessadas em obter o certificado B façam a avaliação online o quanto antes. Em entrevista ao Entepreneur, ele sugere utilizá-la como guia estratégico para a construção de um negócio socialmente consciente de verdade.

O questionário pode abrir os olhos dos empreendedores para ações que nunca haviam pensado em tomar antes, como trabalhar com fornecedores locais, por exemplo. Como o modelo ainda é relativamente novo, muitas companhias podem não executá-lo da forma certa, ou só enxergá-lo como mais uma forma de aumentar seus lucros financeiros. Para Dirk, responder as perguntas pode fazer o empresário perceber o valor agregado dos negócios sociais.

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