Galeria do Rock investe em horta orgânica e economia de água e energia
Galeria do Rock
Foto: Reprodução/Facebook
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Galeria do Rock investe em horta orgânica e em economia de água e energia

Camila Luz em 28 de agosto de 2016

A Galeria do Rock, no centro de São Paulo, passou por muitas fases até se tornar o que é hoje: uma referência para jovens que gostam de música. Ao longo dos anos, o prédio foi aprimorado por meio de muitas reformas, que também tiveram uma preocupação com a sustentabilidade.

Toninho na galeria do rock com escada rolante de fundo

Toninho da Galeria do Rock Foto: Arquivo Pessoal

O prédio foi inaugurado na década de 60 para funcionar como um shopping. No entanto, nos anos seguintes, ficou praticamente abandonado, com pouquíssimas lojas funcionando. Antonio Souza, conhecido como “Toninho da Galeria” por ser síndico do local há mais de duas décadas, conta que o edifício mal tinha energia elétrica e segurança, além de concentrar criminosos e usuários de droga.

Nos anos 90, Toninho assumiu a administração do prédio e revitalizou o local, permitindo a abertura das famosas lojas de rock. A partir daí, começou a colocar em prática soluções para reduzir os gastos com energia elétrica e água.

Galeria de Rock é exemplo de economia de água

Toninho conta que quando assumiu a administração da Galeria do Rock, o gasto de água do edifício girava em torno de 8 mil m³. Todo o sistema de tubulação era muito velho e pouco eficiente. Afinal, o projeto de construção do prédio foi bolado na década de 50 e nunca houve uma reforma para aprimorar seu funcionamento.

“Realizamos uma campanha de conscientização na época, mas concluímos que as pessoas não trocavam suas tornerias por questões econômicas”, explica. “Então trocamos todas as torneiras e válvulas, fizemos uma série de reformas e trocamos toda a tubulação”, conta. Com as modificações, o gastou mensal foi reduzido para 5 mil m³.

Recentemente, com a crise hídrica em São Paulo, Toninho realizou nova campanha de conscientização dentro da Galeria e fez nova reforma, trocando torneiras e o sistema de descarga dos banheiros. No início de 2013, o gasto de água ainda girava em torno de 4.500 m³, o que gerava uma conta mensal de R$ 33 mil. Pós-reforma, o gasto caiu para 2.800 m³, o que significou uma economia de R$ 10 mil.

Elevadores ecológicos e células fotovoltaicas

Quando Toninho assumiu a administração, o consumo de energia no local também era muito alto. Além disso, as escadas rolantes não funcionavam e o cabeamento estourava com frequência, chegando até a explodir. “Fizemos um reestudo das cabines primárias de energia e aumentamos o número de lojas funcionando. No início dos anos 2000, substituímos as lâmpadas por versões mais econômicas. Só aí economizamos quase 15% de energia. Com a troca das cabines, o consumo caiu mais um pouco, entre 5% e 8%”, revela.

O próximo passo foi trocar todos os cabos por versões mais modernas e seguras. Recentemente, a Galeria do Rock começou a utilizar lâmpadas de LED, as mais econômicas que existem no mercado. O principal investimento, no entanto, diz respeito à instalação de células fotovoltaicas no topo do prédio. “Quando percebi que havia energia vinda do céu, entrando de graça, pensei que precisávamos utilizá-la. Foi um investimento alto que nos rendeu muita coisa”, conta Toninho.

placas de energia solar no teto da galeria do rock

Foto: Divulgação

Hoje, há quatro células fotovoltaicas gerando energia solar para a Galeria, o que ajuda a economizar entre 8% e 10% de energia todos os meses.

Como há 450 lojas funcionando e o gasto é alto, Toninho também investiu em elevadores ecológicos. Eles têm um funcionamento que permite reabastecer o prédio na medida em que gastam energia. “Na subida, o elevador gasta energia. Mas na descida, faz uma retroalimentação e devolve eletricidade para o prédio”, explica.

As seis escadas rolantes presentes na Galeria do Rock também foram substituídas por novas, com tecnologia digital, o que ajuda a reduzir o gasto de luz.

Projeto xodó: a horta orgânica

Toninho, que é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, conta que sempre gostou de desenvolver projetos voltados para a sustentabilidade. Durante a graduação, participou do Projeto Rondon, para o desenvolvimento local sustentável de comunidades carentes, e bolou ideias para a despoluição visual da cidade de São Paulo.

Seu novo projeto fica na Galeria mesmo: uma horta orgânica comunitária plantada no teto do prédio. No local, são cultivadas legumes escuros como brócolis, almeirão, acelga e couve. Toninho explica que essa iniciativa tem preocupação com o meio ambiente, gerando mais áreas verdes, mas também com a saúde e a conscientização da população.

pessoas na horta comunitária da galeria do rock

Foto: Reprodução/Facebook

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Orgânicos, diferente de alimentos tradicionais e industrializados, não levam substâncias químicas em sua produção.  A horta é cultivada por voluntários selecionados pela Galeria. Eles podem levar para a casa tudo o que plantam ali. O espaço também está aberto para visitações.

Além disso, há um trabalho de conscientização feito a partir da horta orgânica com restaurantes do centro de São Paulo, para que tomem a iniciativa de começar suas próprias hortas.

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