Chip que replica sistemas do corpo pode substituir testes em animais
teste em animais
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Chip que replica sistemas do corpo humano pode substituir testes em animais

Camila Luz em 22 de setembro de 2016

Testes em animais poderão finalmente ter data para acabar. Grupo de pesquisadores do Lawrence Livermore National Laboratory (EUA) está desenvolvendo o iChip, uma miniatura de corpo humano que poderá  replicar os quatro sistemas essenciais: coração, cérebro (sistema nervoso central), sistema nervoso periférico e barreira sangue cérebro (barreira hematoencefálica).

Quando os sistemas estiverem totalmente desenvolvidos e integrados no chip, ele poderá ser usado em substituição aos testes em animais e humanos. “O objetivo final é representar o corpo humano de maneira completa”, disse a pesquisadora Elizabeth Wheeler ao site Factor.

Se funcionar, será a forma mais rápida e sobretudo ética de prever o impacto de remédios, vírus, produtos químicos e drogas no corpo humano.

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O “corpo” em um chip

Segundo a pesquisadora, o time está fazendo progressos no desenvolvimento dos quatro sistemas essenciais. Para o cérebro, por exemplo, os pesquisadores semearam neurônios primários em um dispositivo de microeletrodos em rede, que pode acomodar até quatro regiões do sistema nervoso central: hipocampo, tálamo, gânglios basais e córtex.

Uma vez que as células cresceram, estímulos como cafeína e atropina foram introduzidos para que as atividades elétricas a partir dos neurônios fossem gravadas. Os resultados foram promissores: o hipocampo e as células corticais foram capazes de sobreviver no iChip durante vários meses. O tempo será suficiente para que respostas para pesquisas sejam registradas e analisadas.

Assim que todos os sistemas estiverem prontos, o próximo passo será integrá-los para criar plataforma mais completa e coerente. O iChip deverá produzir dados mais precisos do que os gerados por testes em animais, já que os organismos de bichos e homens apresentam diferenças significativas.

A pesquisa foi reconhecida como essencial para o fim dos testes em animais  pelo Dr Howard Trust, instituição britânica fundada na década de 80 para fomentar o desenvolvimento de técnicas que eliminem a necessidade do uso de seres vivos em pesquisas.

Acabar com testes em animais vai além de inovações tecnológicas

Por que testes em animais continuam sendo aplicados, mesmo que não apresentem dados confiáveis? Brett Cochrane, diretor de ciência do Dr Howard Trust, listou alguns dos motivos para o Factor: “As razões são muitas e complexas e incluem a falta de fontes de financiamentos e a falta de coesão entre cientistas e organismos de financiamento, o que traz diferenças legais, regulamentares e culturais em todo o mundo”.

Para Cochrane, também há a falta de vontade de explorar alternativas, além do lobby pesado feito pela indústria que se dedica a fornecer animais para testes.

mão aplicando injeção em rato branco

Foto: Istock/Getty Images

Quando questionado sobre testes em animais ainda serem abordagem padrão em pesquisas médicas no mundo todo, o diretor disse que isso é e não é verdade. Regulamentos e exigências legais que protegem espécies estão se tornando mais comuns em alguns países, particularmente no Reino Unido.

No entanto, há uma corrente emergente argumentando que testes em animais são imprecisos por causa da forma como são conduzidos, e não unicamente pelas diferenças entre as espécies. “Isso é muito preocupante para nós, pois pode acabar aumentando o número de pesquisas que utilizam seres vivos”, revela.

A boa notícia é que uma série de iniciativas e instituições estão ajudando a eliminar progressivamente os testes em animais. “Isso inclui o relacionamento coeso entre universidades e grupos de bem-estar animal, a própria indústria e abordagens humanas que focam em demonstrar que modelos animais não devem ser considerados o método padrão para compreender mecanismos de doenças humanas ou prever problemas tóxicos”, explica.

“Embora a tecnologia seja de imensa importância, o desenvolvimento tem de ser combinado com a vontade de mudar e avançar. Isso é para o benefício de ambos: humanos e animais”, conclui.

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