Como a industria do tabaco pode ser uma solução de energia renovável
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Como a industria de tabaco pode ser uma solução para combustíveis renováveis

Pedro Katchborian em 14 de outubro de 2016

As pessoas estão fumando menos. É fato. Segundo o Ministério da Saúde, o índice de fumantes no Brasil caiu 30,7% em 9 anos. Uma pesquisa de 2015 mostrou que 10,8% da população brasileira fuma, sendo que a meta até 2020 é chegar até a 9,1%. No mundo, os números são ainda mais expressivos: em 1988, cerca de 33% da população fumava. Esse número caiu 50% em 2014, quando uma pesquisa mostrou que 14% da população mundial fumava. Com a diminuição de fumantes, a indústria do tabaco acaba prejudicada, já que a demanda pelo produto só diminuí.

cigarros dentro de cinzeiro

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Segundo o The Guardian, em 1970, os fazendeiros americanos cultivam mais de 900 mil toneladas do produto. Pouco mais de 40 anos depois, em 2012, esse número era de 360 mil toneladas. O número de fazendas de tabaco também sofreu drástica queda: de 180 mil nos anos 80 passou para 10 mil em 2012. Com essa diminuição vertiginosa, o que a indústria do tabaco pode fazer com suas plantações?

A resposta pode surpreender. O tabaco, considerado um vilão de saúde, pode acabar se tornando um importante aliado de um futuro mais sustentável. No Estado da Virgínia, nos Estados Unidos, o tabaco colhido está sendo transformado em biocombustível. Desde 2009, a empresa Tyton BioEnergy Systems fez parceria com agrônomos da Virginia Tech e North Carolina State University e fazendeiros. “Estamos experimentando com colheitas que eram descartadas 50 anos atrás pelos fazendeiros tradicionais por que os sabores eram ruins ou as plantas não tinham nicotina suficiente”, diz o co-fundador da Tyton BioEnergy Systems ao The Guardian.

Pesquisadores pioneiros estão modificando o tabaco para aumentar a quantidade de açúcar nas plantas, para assim então transformar as plantações em combustível renovável. As plantas de tabaco com pouca nicotina requerem pouca manutenção, além de serem de baixo custo.

A Tyton BioEnegry Systems não é a única empresa a tornar o tabaco em biocombustível. Em 2013, o Lawrence Berkeley Nacional Laboratory, em parceria com o UC Berkeley e a Universidade de Kentycky, recebeu US$ 4,8 milhões do departamento de Energia dos Estados Unidos. O objetivo era pesquisar o potencial do tabaco como um biocombustível. Na África do Sul, o Project Solaris, parceria entre a Boing e a South African Airways, foca em desenvolver biocombustível para aviões. O objetivo é operar o primeiro voo com passageiros com combustível feito do tabaco ainda em 2016.

A indústria do tabaco e os combustíveis

Como explica o The Guardian, a transição entre cultivar o tabaco destinado para o cigarro e para o biocombustível é fácil. São necessários os mesmos equipamentos e habilidades.

Um acre de tabaco pode resultar em cerca de 80 toneladas de biomassa, açúcares, óleos e proteínas, que podem ser usados em biocombustíveis ou nutrientes para o solo. “Eu sei que não estamos tendo o mesmo retorno que temos no tabaco tradicional, mas temos muito menos trabalho, então é bem mais barato para produzir”, diz o agricultor Robert Mills, que começou a cultivar tabaco com a Tyton em 2011.

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Apesar do sucesso em alguns campos, vários fazendeiros estão céticos em relação a novidade. Como são projetos em teste e o biocombustível do tabaco ainda não é vendido no mercado aberto, não há preços estabelecidos. “Ainda há muito o pensamento de esperar e ver se isso vale a pena entre os cultivadores”, diz Tim Pfohl, diretor do programa Virgina Tobacco Region Revitalization Comisson.

Segundo o The Guardian, a Tyton tem 30 acres de pesquisa e, em 2014, criou uma empresa parceira, a Tyton NC Biofuels, investindo US$ 36 milhões em uma refinaria de etanol com tabaco na Carolina do Norte, Estados Unidos. Com o aumento do investimento, espera-se que o interesse dos fazendeiros também aumente.

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