Material comestível pode substituir plástico de comida processada
comida processada
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Material comestível pode substituir plástico de comida processada

Pedro Katchborian em 21 de setembro de 2016

Além do baixo valor nutritivo, há outro grande problema com a comida processada: grande parte das embalagens desse tipo de alimento não é reciclável. Embora alguns tipos de plástico possam ser reciclados, caixas de comidas congeladas e de saladas prontas, por exemplo, não podem, já que contém polímeros adicionais e outros ingredientes que complicam a reciclagem. Para resolver esse problema, pesquisadores do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos estão desenvolvendo uma embalagem biodegradável comestível feita de caseína, uma proteína derivada do leite.

prateleira com carne

Foto: Istock/Getty Images

Levando em consideração o alto consumo da comida processada, a solução do Departamento de Agricultura pode vir em boa hora. Segundo a Pesquisa Nacional Fiesp/IBOPE sobre o perfil do Consumo de Alimentos no Brasil, o grupo de tendência com o maior percentual (34%) eram as pessoas que consumiam alimentos por “conveniência e praticidade“, tendo como fortes aliados os congelados e semiprontos.

Em outros mercados, os números também assustam: nos EUA, por exemplo, uma pesquisa de 2015 mostrou que 60% dos alimentos que os estadunidenses compram em supermercados são processados.

O material feito de caseína contém glicerol e protege muito mais a comida do que o plástico, material normalmente usada para embalar as comidas processadas. Segundo a Bloomberg, o material consegue proteger 500 vezes mais do que o plástico ao manter o oxigênio fora da comida.

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Além do material sustentável, há outra vantagem interessante da proteção feita de caseína: pode ser uma adição saudável a dieta das pessoas, já que é possível colocar vitaminas na embalagem. Como o material dissolve no líquido, consumidores não precisam jogar o pacote fora depois, mesmo que não queiram consumi-lo.

O processo de achar usos para o material está no começo, mas a ideia é que ele possa ser utilizado até em caixas de pizza. Apesar de tantas vantagens, deve demorar até a USDA (US Food and Drug Administration) aprovar as embalagens e torná-las disponíveis aos consumidores.

Mais problemas com o plástico da comida processada

Os problemas com o plástico da comida processada podem ir além de prejudicar o meio ambiente. Por muitos anos, discutiu-se o impacto do Bisfenol A (BPA), um elemento comum nas embalagens de plástico de comida, na saúde. E, por muitos anos, acreditou-se que eles não faziam mal algum para o nosso organismo. Agora, há muitas perguntas relacionadas ao plástico da comida processada.

Segundo o site Web MD, a troca entre plástico e comida é inevitável. Há um processo de migração entre os químicos e os alimentos. Isso significa que em quase todo recipiente de plástico é possível encontrar os rastros dessa troca. Quando a comida é esquentada no plástico, esse número aumenta.

Segundo Laura Vanderbeng, bióloga da Tufys Universiy, em Boston, não há provas de que essa troca de plástico e comida é segura, mas também não há provas concretas de que é insegura. São poucas pesquisas publicadas sobre os efeitos negativos dos químicos nos plásticos, então é difícil tirar qualquer conclusão, principalmente com o uso desses materiais a longo prazo.

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