Criar país dos millennials pode ajudar na luta contra mudanças climáticas
millenials
Foto: Istock/Getty Images
Sustentabilidade > Negócios

Criar o “país dos millenials” pode ajudar na luta contra mudanças climáticas

Kaluan Bernardo em 21 de novembro de 2016

Marraquexe, capital do Marrocos, recebeu a 22º Conferência das Partes sobre Mudança do Clima, a COP 22. Líderes do mundo inteiro se reuniram para discutir as negociações acordadas durante o Acordo de Paris. Surgiram diversas propostas, como focar na gestão da água e cuidar da agricultura na África. Há até quem sugeriu a criação de um país simbólico — o dos millennials.

Em uma carta aberta, publicada no jornal The Guardian, uma série de pensadores, empreendedores, economistas, ativistas, advogados e executivos pediram a criação de um “país dos millennials” para dar voz aos jovens preocupados com seu futuro — afinal, mudanças climáticas são a principal preocupação dessa geração.

“Pessoas jovens estão prontas para um sistema global no qual a democracia continue como um princípio-guia, mas onde outras entidades, como um país simbólico representando os jovens globais, se junte aos Estados-nação nas tomadas de decisões. Tal como os personagens da série Star Wars, essa geração não se importa muito de onde você veio ou qual a cor da sua pele. Em vez disso, querem saber quais são seus valores e para onde você está indo“, defendem.

O argumento por um “país dos millennials”

A carta diz que não faz sentido as decisões do futuro do planeta ficarem exclusivamente nas mãos de pessoas mais velhas, que lideram os estados.

“Os tomadores de decisões, em sua maioria de meia idade e mais velhos, precisam reconhecer que pessoas jovens tem especial papel em representar o futuro da humanidade no nosso futuro coletivo. A maioria das pessoas decidindo quão ambiciosos devemos ser em reduzir nossas emissões de carbono e adotar outras medidas e políticas ambientalmente sensíveis não estarão por aqui nos próximos 30 anos. É inaceitável que esses que mais têm algo em jogo no futuro sejam marginalizados”, declaram. “Precisamos de sangue novo — e no campo principal, não nas margens”, defendem.

LEIA MAIS
Taxar carne e leite pode reduzir mudanças climáticas e taxas de mortalidade

A ideia proposta, de criar um país simbólico dos jovens, é inspirada na criação de uma nação dos refugiados, que disputou as Olimpíadas de 2016. Nas conferências, o “país” teria os direitos e responsabilidades de uma nação comum. Apesar de não ter potências coercitivas (hard power), teria poder de convencimento (soft power) para influir nas discussões. Ele seria constituído por cientistas, empreendedores, ativistas, líderes de ONGs e políticos profissionais.

Os autores dizem que esse país simbólico se preocuparia com o futuro da humanidade, sem precisar colocar interesses nacionais em jogo — como acontece com a maioria dos países nessas negociações.

“Para melhor e, cada vez mais, para pior, a governança de nosso sistema global se apoia esmagadoramente sobre Estados-nação territoriais. Nesse sistema, o governo de cada país representa seu interesse nacional. Ninguém representa a humanidade como um todo. Tal devoção a interesses estreitos levam a profundos problemas, bem conhecidos por economistas e estudantes de comportamento humano”, dizem. “Quando chamados a agir pelo bem comum, Estados-nação estão predispostos a repetir a famosa resposta de Cain: ‘Sou eu por acaso o protetor de meu irmão?'”.

Por enquanto, esse país dos millennials é apenas uma proposta. A próxima COP acontecerá no início de novembro de 2017, nas Ilhas Fiji.

Gostou deste post? Que tal compartilhar:
Últimos
Trend Tags
Array ( [0] => 76 [1] => 222 [2] => 237 [3] => 115 [4] => 17 [5] => 238 [6] => 92 [7] => 125 [8] => 173 [9] => 16 [10] => 276 [11] => 25 [12] => 157 [13] => 66 [14] => 67 [15] => 62 [16] => 153 [17] => 127 [18] => 12 [19] => 19 [20] => 187 [21] => 69 [22] => 154 [23] => 175 )
Vídeos
Copyright © 2016 Free the Essence