A morte de Aturo, o urso polar deprimido, e os piores zoológicos do mundo
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Foto: Istock/Getty Images
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A morte de Arturo, o urso polar deprimido, e os piores zoológicos do mundo

Camila Luz em 18 de setembro de 2016

Arturo, conhecido como o “urso polar mais triste do mundo”, morreu este ano em Mendoza, na Argentina, onde foi criado em cativeiro. Sua morte traz à tona discussões sobre o papel dos zoológicos e abusos cometidos pelas piores instituições do mundo.

Uma petição para mandar Arturo a um parque de vida selvagem no Canadá reuniu meio milhão de assinaturas há dois anos, quando sua história se espalhou pela internet. Suas condições de vida no zoológico de Mendoza o levaram a um estado de insanidade que era provado pelo seu comportamento obsessivo: movimentos repetitivos demonstravam estresse e ansiedade.

Breve história de Arturo

Arturo vivia no zoológico da Argentina desde os oito anos de idade. Viveu até os 31, mais do que outros ursos polares mantidos em cativeiro. De acordo com a própria página no Facebook que abrigava a campanha pela sua libertação, sua morte ocorreu por motivos naturais, causados pela idade avançada.

Arturo foi considerado um exemplo de que o zoológico de Mendoza não tinha condições apropriadas para manter seus animais. A petição assinada por milhares de pessoas pedia que o urso polar fosse enviado para um parque de vida selvagem no Canadá, especializado na espécie. Lá, as condições climáticas e ambientais seriam mais adequadas à sua sobrevivência.

No entanto, o diretor do zoológico, Gustavo Pronotto, disse que o urso estava muito velho para enfrentar a longa viagem, que duraria dois dias. O animal teria de ser sedado, o que poderia trazer riscos à sua saúde. “Arturo está perto de seus cuidadores. Nós só queremos que todo mundo pare de incomodar o urso”, disse, na época, segundo site britânico Daily Mail.

Arturo, o urso polar mais triste do mundo

Foto: Reprodução/Facebook

Ele também afirmou que os sinais de estresse demonstrados pelo urso ocorriam por causa da sua idade avançada. Então, um time de veterinários determinou que deveria permanecer na Argentina.

Arturo ficou sozinho em sua cela desde que sua companheira, Pelusa, morreu de câncer em 2012. Visitantes do zoológico e especialistas disseram que ele parecia sofrer com as altas temperaturas, além de estar impaciente e nervoso.

Zoológicos considerados os piores do mundo

O biólogo Igor Morais explicou em entrevista ao Free the Essence que existem bons zoológicos modernos e desenvolvidos que são importantes na preservação de espécies e recuperação da saúde de animais que já sofreram nas mãos de humanos. Essas instituições reproduzem o habitat de cada bicho e permitem que se comporte de acordo com suas características naturais.

Outros zoológicos, no entanto, trabalham com ideias ultrapassadas de que animais existem para serem expostos e gerarem lucro. Nesses locais, espécies ficam em ambientes inapropriados e não recebem o tratamento adequado. O site ambientalista The Dodo preparou uma lista com as piores instituições do mundo:

Surabaya Zoo, Indonésia

Considerado um dos zoológicos mais cruéis do mundo, prova seu nível de crueldade por fatos ocorridos nos últimos anos. Uma girafa tinha o estômago revestido por plástico e um tigre estava sendo alimentado com carne contaminada por formaldeído, substância química conhecida como formol na sua forma líquida.

Quarenta e três animais morreram no zoológico entre julho e setembro de 2013. Há uma petição em andamento reunindo assinaturas para fechar o zoo.

Mumbai Zoo, Índia

Também conhecido como Jijamata Udyan Zoo, é conhecido por estar se tornando, aos poucos, um museu de taxidermia. Muitos dos recintos desse zoológico não estão de acordo com a diretrizes anti-crueldade do país.

Os animais que ali morrem viram modelos de taxidermia que ficam expostos para os visitantes. Além de oferecer condições miseráveis para seus habitantes, esse modelo cruel incentiva o comércio ilegal de peles e carcaças.

Giza Zoo, Egito

O zoo tem sido alvo de ativistas há anos por questões de proteção aos animais, que vivem confinados em pequenas gaiolas imundas. Eles pouco se exercitam e recebem visitantes em suas jaulas o tempo todo.

Kiev Zoo, Ucrânia

Chamado de “campo de concentração para animais”, foi expulso da Associação Europeia de Zoos e Aquários em 2007 pelas más condições de vida em que vivem seus animais. A lista de bichos maltratados tem um elefante morto por desnutrição e um camelo que não teve uma doença abdominal tratado. Quer ajudar? Contate a Associação de Proteção aos Animais de Kiev.

San Antonio Zoo, Estados Unidos

Esse zoológico não é tão cruel quanto os outros desta lista. No entanto, tem sido alvo de ambientalistas por ter as piores condições de vida para elefantes.

Elefantes são animais tão sociais que ficam deprimidos na solidão. Lucky, no entanto, viveu sozinha confinada em sua cela desde que seu companheiro, Boo, morreu em março de 2013. Felizmente, esforços foram feitos para trazer uma nova companhia, que chegou em 2015 e atende pelo nome de Nicole.

O fato foi comemorado pelo site We Love Lucky, que continua movendo esforços para aprimorar as condições de vida no zoológico de San Antonio.

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