Por que o futuro da moda provavelmente será o poliéster
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Por que o futuro da moda provavelmente será o poliéster

Kaluan Bernardo em 17 de novembro de 2016

A roupa do futuro não será feita de algodão ou nylon, mas sim de poliéster. Sim, plástico. A expectativa é que, no futuro, mais de 98% das fibras de tecidos sejam sintéticas; e dessas, 95% sejam feitas de poliéster. Os números são da Tecnon Orbichem, uma empresa de pesquisa do setor químico.

A previsão acompanha uma tendência que já vemos acontecer, na qual a produção de algodão pouco cresceu nos últimos anos, enquanto o poliéster decolou. Veja no gráfico abaixo a evolução da produção mundial (em 100 milhões de toneladas métricas), do algodão (azul), poliéster (roxo) e lã (marrom).

Foto: Reprodução

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Entre 1980 e 2007, o total de poliéster produzido saltou de 5,8 milhões de toneladas para 34 milhões. Até 2025 o número deverá mais que triplicar e chegar a 99,8 milhões de toneladas.

O que significa o crescimento do poliéster

Muito mudou desde que a empresa estadunidense DuPont lançou o primeiro produto de poliéster, em 1951. O material se tornou mais flexível, maleável e mais fino do que um fio de cabelo. Está cada vez mais difícil diferenciar uma roupa de algodão e uma sintética.

O poliéster não é nada mais do que um polímero — uma longa corrente de unidades de moléculas repetidas. A variedade mais comum é o Polietileno tereftalato, mais conhecido como PET — o plástico usado em garrafas de refrigerante ou em seus pods de Drinkfinity, por exemplo.

Enquanto a produção de algodão é limitada, a do poliéster é muito menos. Isso porque enquanto o tecido sintético é produzido em fábricas, o algodão precisa de terras para ser plantado — e elas estão cada vez mais disputadas, inclusive para se cultivar alimentos. A ciência até conseguiu aumentar nossa produção de algodão, mas ela ainda é limitada.

É fácil pensar no poliéster como uma ameaça ao meio ambiente — afinal, como todo plástico, ele é feito de petróleo. Segundo a Tecnon Orbichem, até 2025, 85% do tecido será produzido na China. E, segundo o site Quartz, a produção do material no país está associada diretamente à poluição de rios e morte de peixes.

Apesar disso, o material é menos danoso que o algodão. Um estudo conduzido por diversas indústrias têxteis da Comissão Europeia descobriu que o algodão acaba impactando mais o meio ambiente pela grande quantidade de pesticidas, fertilizantes e água que é usado em seu cultivo. O poliéster, por sua vez, emite alguns químicos tóxicos, mas que não necessariamente são lançados no ambiente. Além disso, consome menos água. E pode ser feito a partir da reciclagem de outros produtos PET.

O grande problema do poliéster é que ele ainda consome mais energia em sua produção — o que muitas vezes significa a queima de combustíveis fósseis, que emitem gases poluentes na atmosfera. Além disso, enquanto o algodão é biodegradável, o poliéster não é.

Apesar disso, os números indicam que a tendência é que o material siga como o mais barato e fique cada vez mais prático para ser usado em roupas. Com isso, ao que tudo indica, o futuro das roupas será o plástico.

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