Por que a água ganhou atenção especial durante a COP 22
COP 22
Foto: Istock/Getty Images
Sustentabilidade > Negócios

Por que a água ganhou atenção especial durante a COP 22?

Kaluan Bernardo em 21 de novembro de 2016

O último dia 18 de novembro encerrou a 22ª Conferência das Partes sobre Mudança do Clima, a COP 22. O evento reuniu representantes de quase 190 países em Marraquexe, Marrocos, para acertar como serão os esforços em deter o aquecimento global, firmados na Conferência de Paris em 2015.

Entre as diversas discussões relacionadas ao futuro do planeta e da ecologia, a gestão da água ganhou especial atenção. O terceiro dia da COP 22 foi todo dedicado ao tema: “780 milhões de pessoas vivendo na Ásia, África e outros lugares remotos do mundo são prioridade porque não têm acesso a água para higiene, sanitários. E eles ganham menos de um dólar por dia”, comentou Dogan Altinbilerk, vice-presidente do World Water Council (Conselho Mundial da Água), ao site Euronews.

Para aprofundar as discussões sobre o tema, o governo marroquino e seus parceiros lançaram o “Blue Book on Water and Climate” (Livro Azul da Água e do Clima na tradução livre), com uma série de recomendações que governos de todos os países devem tomar para cuidar da água. O livro sugere que a água é a “primeira vítima” das mudanças climáticas e pede atenção especial na criação de uma agenda para tratar o assunto.

Por que focar na água é uma boa estratégia

Artigo publicado pelo jornalista Bob McDonald no site canadense CBC define a estratégia como brilhante. Isso porque a água não só é um fator vital no planeta, mas também é um dos elementos mais visíveis que sofrem com as mudanças climáticas.

LEIA MAIS
Mudanças climáticas vão estimular o aprendizado social entre animais
LEIA MAIS
Before The Flood: filme de Leonardo DiCaprio fala sobre mudanças climáticas

“A ação dos gases de efeito estufa prendendo o calor e o impedindo de ir para o espaço não deixa nenhum sinal óbvio para nossos olhos. O céu continua azul, as nuvens ainda flutuam, nada óbvio parece acontecer. Isso tornas as coisas fáceis para os que negam as mudanças climáticas dizerem que é tudo boato”, comenta.

“Mas quando os efeitos de um mundo aquecendo começam a aparecer, normalmente vemos imagens da água agindo de forma destrutiva. Vemos inundações de tempestades severas, geleiras recuando, capas de gelo desaparecendo. Vemos os efeitos da seca, mais frequentes e intensas queimas florestais, e a fome vinda de campos agrícolas secos. Vemos as barragens hidrelétricas perdendo suas reservas e conflitos sociais e guerras por água”, conclui Bob McDonald.

África discute a COP 22

O fato de a COP 22 ter acontecido em Marraquexe é um tanto simbólico. Tal como outros países africanos, o Marrocos tem sido afetado pela seca. No último ano, o país chegou a receber 42,7% menos chuvas durante a temporada de plantio — boa parte impactado pelo fenômeno El Niño. O Ministério da Agricultura estima que isso deu prejuízo de 70% para a agricultura local.

Na capital marroquina, líderes internacionais discutiram diversas iniciativas para mudar o cenário na África. Uma delas foi a “Water for Africa” (Água para África), que pretende chamar atenção para a escassez de água no continente africano.

Em abril do ano passado, a “Water for Africa” já havia lançado uma campanha chamando atenção para a falta de água no continente. Eles lançaram a campanha “The Marathon Walker” (A Caminhante Maratonista), na qual convidaram uma moradora da Gâmbia para caminhar os 42 quilômetros da Maratona de Paris. A diferença dela para os outros 54 mil participantes é que ela carregava 20 quilos de água. E ela faz isso todos os dias para alimentar sua família.

O governo marroquino e o Banco de Desenvolvimento Africano se comprometeram a mobilizar recursos políticos, financeiros e institucionais para oferecer serviços sanitários e acesso à água no continente.

Outra iniciativa discutida durante a Conferência foi a “Adaptation of African Agriculture” um plano de grandes mudanças para garantir a segurança alimentar no continente. “Temos que traduzir as grandes ideias escritas em escritórios ocidentais como respostas às mudanças climáticas em algo que, de fato, mude a vida de pequenos fazendeiros”, disse Aziz Akkanouch, ministro da Agricultura e da Pesca, ao jornal The Guardian. “É tudo sobre respostas pragmáticas — como projetos de irrigação, desenvolvimento de oásis e melhoraria no acesso a fertilizantes e créditos”, comenta.

As mudanças ainda serão estudadas e discutidas. Mas a necessidade de distribuir água continua na África. Apenas 3,3% das áreas aráveis na África Subsaariana são irrigadas; na Ásia o número é de 37%. Enquanto isso, 85% dos terrenos de agricultura lá ainda dependem exclusivamente de chuvas — cada vez mais escassas.

Bruce Campbell, diretor do Programa Global de Mudanças Climáticas, Agricultura e Segurança Alimentar, é necessário também distribuir informações meteorológicas nos idiomas locais. “Todos os fazendeiros deveriam saber que o El Niño era esperado entre 2015 e 2016. Eles podiam ter economizado sementes e trabalho para um ano melhor”, diz ao The Guardian.

Gostou deste post? Que tal compartilhar:
Últimos
Trend Tags
Array ( [0] => 76 [1] => 222 [2] => 237 [3] => 115 [4] => 17 [5] => 238 [6] => 92 [7] => 125 [8] => 173 [9] => 16 [10] => 276 [11] => 25 [12] => 157 [13] => 66 [14] => 67 [15] => 62 [16] => 153 [17] => 127 [18] => 12 [19] => 19 [20] => 187 [21] => 69 [22] => 154 [23] => 175 )
Vídeos
Copyright © 2016 Free the Essence