PP Acessórios usa couro sustentável em suas bolsas
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Sócias Petula e Amanda. Foto: Divulgação
Sustentabilidade > Negócios

PP Acessórios produz moda sustentável usando retalhos de couro

Camila Luz em 20 de abril de 2016

Sim, é possível trabalhar com sustentabilidade e couro ao mesmo tempo. A marca PP Acessórios é um exemplo disso. As gaúchas Amanda Py e Petula Silveira utilizam as sobras da indústria dos calçados e reaproveitam o material que seria desperdiçado para fazer bolsas de couro e outros acessórios.

Em uma indústria calçadista, parte do couro disponível é chamado de “tecido de aprovação” e é usado para fazer moldes, que podem ou não ser aprovados pelo cliente. Uma fábrica produz incontáveis modelos de sapatos diferentes, já que a regra ditada pelo fast fashion é trazer novidades ao mercado todos os dias. Para cada modelo, é necessário fazer um ou mais moldes. Os aprovados vão para a loja, mas todos os outros acabam sendo inutilizados.

Conheça também os sapatos veganos da Insecta Shoes.

Petula, que era dona de uma fábrica de calçados em Dois Irmãos, no Rio Grande do Sul, sentiu-se desconfortável com o volume de moldes com “tecido de aprovação” que ficavam parados na fábrica. “Quando me dei conta do tamanho do estoque que tinha só dessas peles, aquilo começou a me incomodar. São vários bichinhos mortos sem sentido”, conta.

Essa pele que não é aprovada fica guardada dentro da fábrica e, geralmente, não é conservada em condições ideais, o que faz com que o couro estrague, mofe. Quando é descartado, produz lixo tóxico e polui o ambiente.

Bolsas de couro têm que ser únicas

Além de usar só couro excedente, a PP Acessórios tem a missão de trazer produtos exclusivos para o armário dos clientes. Na loja de Porto Alegre, o cliente tem acesso a todos os tipos de pele e escolhe sua favorita. Ele também define que tipo de produto será feito com esse couro e acompanha o corte.

Tanto na loja física de São Paulo como nas revendedoras que ficam no Rio de Janeiro, Minas e Gerais e Londres, os produtos prontos também são exclusivos. “Como não há dois couros iguais, tudo é exclusivo”, explica Petula.

Os produtos da PP Acessórios são minimalistas, com pouca informação e feitos sem forro.

bolsa roxa pendurada da parede com flores e um colete branco ao lado

Foto: Reprodução/Instagram

A empresária conta que a opção por um design mais enxuto surgiu de um desejo dela e da sócia. “Na época em que começamos a pensar na marca, a moda estava voltada para acessórios muito carregados. Eu e a Amanda procurávamos por algo mais sóbrio e não encontrávamos. A nossa linha foi toda baseada nisso, no que queríamos ter e não achávamos no Rio Grande do Sul”, diz. “Hoje, isso é mais comum, muitas marcas apostam em um design minimalista, com acabamento a fio. Hoje é considerado cool, escandinavo”, explica.

Petula revela que os produtos também são pautados pela vontade dos clientes. “Precisamos produzir para as pessoas, pensando nas necessidades delas. Nada de deixar que a moda dite o que você compra. É você que precisa nos dizer do que precisa”, diz.

A PP Acessórios também vende roupas e possui até uma marca de decoração.

Trajetória

Fundar a marca foi uma libertação para Petula e sua sócia. Ela e a designer Amanda são amigas de infância. Quando Petula se mudou para São Paulo para fazer faculdade de Moda na Anhembi Morumbi, passou a desenhar para grandes marcas de calçado.

Logo cansou da indústria convencional da moda e de fazer produtos pautados em tendências estrangeiras. Pensou em criar algo seu, onde pudesse se libertar das convenções.

Amanda também sentia a necessidade de fazer algo dela. A solução apareceu quando Petula percebeu as sobras de couro da indústria. Levou um pouco para casa e as duas, juntas, produziram algumas pulseiras e outros acessórios menores, exatamente do jeito que gostariam.

homem segura bolsa de couro com muitos bolsos

Foto: reprodução / Instagram

Em março de 2010, a PP Acessórios ganhou a sua primeira coleção. Em 2012, veio a primeira loja da grife, em Porto Alegre.

O estoque de couro fica no Rio Grande do Sul e vem de várias fábricas e cortumes do estado. A PP conta com um ateliê de corte, costura e finalização em Porto Alegre e outro de corte em Dois Irmãos.

Os dois ateliês dão conta da produção. Petula afirma, porém, que a costureira é quem indica se é possível ou não produzir a peça. “Caso ela diga que não dá, não fazemos. Não queremos que ela trabalhe aos finais de semana, por exemplo. Isso não condiz com uma marca que opta por um processo sustentável”, diz.

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