Smartfin, a prancha de surf que coleta dados sobre o oceano
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Smartfin, a prancha de surf que ajuda a coletar dados sobre o oceano

Camila Luz em 23 de janeiro de 2017

Pegar uma onda pode ajudar a entender as mudanças climáticas e seus efeitos no oceano. Isso porque ambientalistas e oceanógrafos estadunidenses criaram a Smartfin, uma barbatana (quilha) inteligente que é acoplada na prancha de surf e coleta dados do mar por meio de um sensor.

Com a barbatana inteligente acoplada, a prancha de surf é capaz de medir parâmetros oceânicos afetados pelas mudanças climáticas, como salinidade, pH, temperatura, localização e características das ondas. As informações, adquiridas enquanto surfistas pegam ondas, são acessíveis em tempo real. O sensor fica dentro da barbatana e os dados são transferidos via Bluetooth.

Smartfin foi projetada pela ONG ambiental de Nova York Lost Bird. Desde 2015, o projeto recebe a colaboração do Scripps Institution of Oceanography, para validar as aplicações científicas da pesquisa feita na superfície marítima.

Em 2016, a Smartfin se associou à Surfrider Foundation, uma organização sem fins lucrativos dedicada à proteção dos oceanos, ondas e praias e que conta com uma poderosa rede de ativistas. A ONG está fornecendo suporte logístico para ampliar a distribuição de barbatanas à sua rede de surfistas em todo o mundo.

Coletar dados na superfície do mar

Há quem diga que conhecemos mais a superfície de Marte do que o fundo do mar. Por anos, o conhecimento humano do oceano dependeu de mergulhadores dispostos a se embrenhar em suas profundezas. Hoje, robôs chegam mais longe, mas não têm uma boa capacidade de captar dados perto da costa, onde águas as são turbulentas e as ondas quebram o tempo todo.

Em 2010, Andrew Stern, professor de neurologia da University of Rechester (EUA), ambientalista e advogado, percebeu que surfistas poderiam atuar como cientistas cidadãos. Afinal, gastam muito tempo na superfície, perto da costa, e poderiam captar dados enquanto estivessem dentro da água.

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Andrew Stern é o fundador da Lost Bird. Na época, conheceu Benjamin Thompson, um surfista que estava trabalhando em seu doutorado em engenharia estrutural na University of California (EUA). O objetivo do pesquisador era acoplar sensores na prancha de surf, para ajudar empresas do ramo a construir melhores equipamentos. O dispositivo também ajudaria surfistas a entender e aprimorar suas performances. Stern então juntou a ideia de Thompson com seu desejo de engajar surfistas na pesquisa oceânica para desenvolver a Smartfin.

“Minha intenção era usar [o sensor] como ferramenta para informar as pessoas sobre o meio ambiente e, especificamente, sobre os oceanos”, disse, em entrevista ao site Outside Online. “Então tracei um mapa com 17 pontos de surf pelo mundo e disse que iríamos implantar quantos sensores fossem necessários para que cientistas coletassem dados”, completa.

Os oceanos têm absorvido cerca de um terço do dióxido de carbono que emitimos desde a era industrial, tornando-se cerca de 25% mais ácidos do que eram até então. O pH reduzido impede o crescimento do carbonato de cálcio e já prejudica peixes e recifes de coral.

Prancha de surf mil e uma utilidades

Para coletar um número relevante de dados é preciso atrair o maior número de surfistas possível para o projeto. Por isso, a parceria com a Surfrider Foundation é tão importante. Entre 50 e 100 Smartfins devem ser distribuídas em San Diego, na Califórnia, em janeiro deste ano. Outras áreas litorâneas dos Estados Unidos deverão receber o dispositivo até março. Países estrangeiros têm entrega prevista para janeiro de 2018.

Foto: Divulgação

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Para tornar o projeto mais interessante para surfistas, Thompson se certificou de que Smartfin pudesse ser usada para dois fins que não envolvem a coleta de dados para pesquisa sobre mudanças climáticas: saber onde as ondas boas estão se formando e monitorar a performance do atleta.

Foram necessários 30 engenheiros e três anos de pesquisa para que um protótipo fosse produzido. O resultado, no entanto, foi positivo e surfistas podem remar tranquilos: a barbatana não atrapalha o desempenho da prancha de surf e ainda nos ajuda a entender melhor o nosso meio ambiente.

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